Mesmo prevendo melhoras, cresce a atenção das empresas à gestão de riscos, afirma Deloitte

Publicado em: 15 setembro - 2017

Leia todas


Empresas com atuação no Brasil que participaram de uma pesquisa da Deloitte estão monitorando um número maior de riscos em relação ao que faziam há alguns anos, o que evidencia um foco maior no gerenciamento de oportunidades e ameaças aos negócios. No entanto, apenas pouco mais da metade dessas corporações se considera estruturada para garantir a gestão estratégica de riscos. Essas são algumas das conclusões do estudo “Os cinco pilares dos riscos empresariais – Como gerenciar riscos em um cenário econômico e de negócios desafiador”, realizado pela consultoria.

Oito de cada dez participantes do estudo – realizado com cem executivos e profissionais, representando o mesmo número de empresas com atuação no país, de variados portes e áreas de atuação – afirmam que o interesse pelo desenvolvimento e transformação do processo de gestão de riscos avançou nos últimos anos. Apenas 15% indicaram que esse interesse permanece o mesmo e 2% disseram haver uma atenção menor em relação ao tema. Outros 3% não souberam informar.

O levantamento apurou que 77% dos profissionais que responderam à pesquisa disseram que as empresas que representam possuem uma área dedicada a compliance. Apesar disso, apenas pouco mais da metade (51%) dos respondentes analisa que suas corporações se consideram organizadas para a gestão estratégica de riscos.

“Esse resultado indica que há um desafio importante para as empresas, que precisam incorporar estruturas organizadas e definidas para a gestão de riscos empresariais, com o objetivo de evitar exposição a ameaças pela falta de preparo nessa área”, explica Ronaldo Fragoso, sócio-líder da área de Risk Advisory da Deloitte no Brasil.

Quando comparados os resultados da atual pesquisa com dados de levantamento da Deloitte que abordou o mesmo tema em 2015 – e considerando-se algumas diferenças metodológicas e de base entre os estudos –, hoje, as organizações estão monitorando um número maior de riscos em relação ao que faziam há dois anos.

O foco principal da gestão de riscos continua no fluxo de caixa e resultados (com 90% de citações dos respondentes). Em seguida foram mencionadas as questões contábeis (87%); tributárias e fiscais (também com 87%); de crédito (84%); trabalhistas (82%); taxas de juros nacionais (81%); condutas antiéticas e fraudes (80%); regulamentação do setor de atuação (78%); capacidade operacional (também 78%); e obtenção de licenças, autorizações e permissões governamentais (77%). As questões eram de múltipla escolha.

Vale destacar que, apesar de a principal preocupação continuar sendo com o fluxo de caixa, houve alterações no “ranking” de itens citados na pesquisa atual em relação ao levantamento da Deloitte de 2015. A preocupação com riscos contábeis passou da terceira posição há dois anos para a segunda colocação. A questão tributária e fiscal era a quinta da lista, ocupando hoje o terceiro lugar. Os riscos de crédito, que figuravam em nono lugar, passaram para o quarto.

Já a preocupação com ameaças ligadas ao tema trabalhista recuou do segundo lugar para o quinto. Mas o maior salto está na atual sexta posição da lista, com o item taxas de juros nacionais, que figurava apenas na 17ª posição da pesquisa de 2015.

Quem cuida dos riscos – De acordo com as conclusões do estudo, as melhores práticas sugerem que as funções de gestão de riscos e de crises devem ser independentes, com reportes diretos às instâncias de governança corporativa, como conselhos e comitês. Na prática, porém, as empresas representadas ainda demonstram que essas funções têm grande dependência em relação aos níveis executivos e de negócios das organizações.

Para esclarecer essa conclusão, 32% dos participantes afirmaram que as áreas de gestão de riscos e crises se reportam diretamente ao diretor-presidente de suas organizações; 25%, ao diretor financeiro; 7%, ao diretor de governança; 4%, ao diretor jurídico; e 3%, ao diretor de operações. Somente 16% dos respondentes disseram haver reporte desses segmentos ao comitê de auditoria e riscos, e outros 13% respondem diretamente ao conselho de administração.

“Com base nos dados apurados pela pesquisa, é possível perceber que a preocupação com práticas éticas e com a cultura da governança e conformidade segue relevante, mas os temas macroeconômicos, como acesso a crédito e taxa de juros, ganham importância e atenção em razão do atual momento do País”, explica Ronaldo Fragoso. “Mesmo assim, seguimos enfatizando que reforçar conceitos e processos estruturados para a gestão de riscos é fundamental para assegurar a sustentabilidade das empresas”.

Pilares dos riscos empresariais – O estudo da Deloitte detalha o tema e aponta os cinco pilares dos riscos empresariais, que são: estratégicos; regulatórios; financeiros; operacionais e cibernéticos. Cada um desses segmentos precisa ser acompanhado e avaliado de acordo com o tipo de exposição específico a que cada empresa está sujeita, pois a gestão de riscos é uma função multifacetada, que deve ser vista de maneira particularizada dentro das organizações.

Segundo os dados da pesquisa, a maturidade das empresas para a gestão de riscos varia em cada uma dessas frentes. Mais da metade dos respondentes afirmou que é alto o grau de maturidade para enfrentar os riscos financeiros (55%) e regulatórios (53%).

Na outra ponta, os riscos cibernéticos – que emergem frente às novas tecnologias de informação e conectividade – são considerados como os menos bem geridos pelas empresas: com 44% dos profissionais participantes admitindo que suas empresas possuem um baixo grau de maturidade para a gestão desse tipo de ameaça.

“As questões financeira e regulatória já estão bem incorporadas à rotina gerencial das organizações, o que é autoexplicativo. Por outro lado, os riscos cibernéticos são algo novo, que exigem apoio especializado para serem enfrentados, preparação, investimentos e muita agilidade nas respostas, o que os torna um grande desafio a ser suplantado pelas organizações”, conclui Ronaldo Fragoso.

A pesquisa está disponível em Os cinco pilares dos riscos empresariais – Como gerenciar riscos em um cenário econômico e de negócios desafiador e foi realizada pela Deloitte pela aplicação de questionário eletrônico preenchido entre maio de junho de 2017 por 100 participantes, dos quais 78% se enquadram no grupo de executivos das empresas com atuação no Brasil que representam (presidentes/CEOs, diretores/superintendentes e gerentes), sendo que 37% das organizações representadas declararam faturamento anual de até R$ 500 milhões. Outras 43% se enquadraram na faixa dos R$ 500 milhões a R$ 5 bilhões ao ano. Entre as maiores empresas, 20% indicaram faturar mais de R$ 5 bilhões a cada 12 meses. Os setores representados foram os seguintes: manufatura/transformação (23%); serviços financeiros (17%); energia, gás e água (13%); agronegócio (12%); serviços prestados a empresas (7%); indústria extrativista, transporte e logística, tecnologia, mídia e telecomunicações e serviços de saúde (5% cada um dos quatro); construção e engenharia (3%); comércio e ONGs/Associações/Federações (2% cada um dos dois); e serviços prestados a famílias (1%).



Publicidade