O valor da reciclagem para os trabalhadores de cooperativa

Publicado em: 24 abril - 2021

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De acordo com o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, há mais de 800 mil profissionais do meio em atividade no país

No dia Mundial da Terra, comemorado hoje (22/04), com foco para a preservação do meio ambiente, relembramos a valorização do profissional que mais tenta proporcionar um equilíbrio ecológico no Planeta Terra: o trabalhador de materiais recicláveis.

Anualmente, a população do Brasil produz mais de 78,3 milhões de toneladas de resíduos sólidos, e desse total, apenas 3% são reciclados. Os materiais recicláveis são encaminhados para a coleta seletiva da cidade ou para cooperativas que, muitas vezes, surgem por iniciativa de moradores dos bairros ou pessoas em condição de rua que se tornam catadores e recicladores, e em algumas cidades as cooperativas possuem convênios com as prefeituras municipais.

Mais do que um trabalho voltado para a preservação ambiental, as cooperativas possuem grande valor social, tendo em vista que é de onde muitas pessoas tiram a renda financeira e sustento familiar. De acordo com o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, há mais de 800 mil profissionais do meio em atividade no país. Só na Ascafiguama, cooperativa da Zona Norte de Manaus, são mais de 20 famílias sustentadas pelo trabalho da reciclagem, ocupação que às vezes é vista como inferior ou sem valor econômico.

Especificamente na Ascafiguama, parte das atividades são feitas em conjunto, sempre pensando no melhor bem-estar da equipe. É o que afirma Lúcia Obando, fundadora da cooperativa que nasceu em 2008: “Os trabalhos na Ascafiguama são desenvolvidos de forma coletiva. Há uma coordenadora, mas na ausência dela, todas e todos se reúnem para tomar as decisões, que são firmadas pela maioria”. Conta Lúcia.

Os materiais separados tanto na Ascafiguama, quanto em outras associações, costumam ser de coletas da seletiva, de doações de pessoas e também por catadores avulsos que, ao retirar das ruas e transportarem em seus carrinhos, levam o sustento para casa daquilo que mais tem no planeta e muitas vezes é descartado incorretamente em lixos a céu aberto ou lixos comuns de estabelecimentos, como supermercados.

Durante a pandemia, em que houve e ainda há circulação restrita de pessoas, muitos trabalhos tiveram que ser suspensos, e a coleta e separação de recicláveis foi um deles. Por mais que os trabalhadores já usassem luvas e máscaras no contato com os materiais, não foi possível continuar com o trabalho, que só pode ser realizado presencialmente. Segundo Lúcia, foi complicado ficar sem trabalho. “Tivemos um período parado, voltamos bem devagar e ainda estamos nos mantendo com a ajuda do Movimento de Catadores e de projetos parceiros”, afirma a fundadora.

Para os trabalhadores da Ascafiguama, o maior desafio de trabalhar com a reciclagem é a falta de apoio público, e isso se encaixa não só com eles, mas com diversas associações. Entre algumas das queixas mais populares, temos a grande burocracia nos poucos editais de contratação dos serviços e a falta de apoio nos projetos desenvolvidos, assim como a demora ou até mesmo negligência na legalização de associações que ainda não possuem licença, nem veículos para realizar a busca de doações.

Além destas dificuldades, ainda há a falta de conhecimento sobre as cooperativas. Segundo uma pesquisa do Ibope de 2019, 54% dos brasileiros não sabem como funciona a coleta seletiva na região. É necessária a implementação de políticas públicas que promovam campanhas e palestras explicando sobre reciclagem e demonstrando alternativas para a reciclagem em casa, como deve ser realizada a separação dos lixos sólidos dos orgânicos. Além, é claro, da divulgação das coletivas da região e os principais contatos.

Uma exemplificação de como o trabalho com reciclagem em cooperativas é mais complexo do que se imagina ou ensinam é que, durante a separação dos materiais doados, os que estiverem sujos ou colados em outro objeto não podem ser reciclados. É importante informar que eles devem ser lavados antes de separados para a doação, além de também saber que materiais como embalagem de pasta de dente e caixa de leite não são reciclados por cooperativas comuns, visto que são papel e plástico colados em alumínio. No país, os materiais que não são encaminhados para reciclagem são descartados em aterros sanitários, lixões e aterros controlados que, apesar do nome, não possuem controle de contaminação das pessoas que trabalham nele, nem do meio ambiente.

É perceptível que as cooperativas, além de serem uma ferramenta para a preservação do meio ambiente, são também para muitas pessoas o “botão” de inclusão e de transformação. Atualmente, não só pessoas de classes baixas trabalham com a reciclagem, mas alguns amantes da sustentabilidade também optam por esse meio como emprego. Porém, as cooperativas ainda são responsáveis por mudanças positivas nas vidas das classes mais negligenciadas da nossa sociedade, tornando-se assim uma figura de enorme importância social para o país.


Fonte: Mercadizar


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