OIT alerta: objetivo sobre pobreza da Agenda 2030 está em risco

Publicado em: 24 maio - 2016

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O déficit global de empregos de qualidade e a deterioração das condições econômicas em diversas regiões ameaçam desfazer décadas de progresso na redução da pobreza, adverte um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) “Perspectivas sociais e de emprego no mundo 2016 – Transformando empregos para acabar com a pobreza”.

Segundo o relatório, mais de 36% do mundo emergente e em desenvolvimento vive na pobreza – com uma renda diária de menos de US$ 3,10 de paridade de poder aquisitivo (PPP). O problema da pobreza persistente – alerta – não pode ser resolvido apenas por transferências de renda; mais e melhores empregos são cruciais para atingir este objetivo. Além disso, cerca de US$ 600 bilhões por ano – ou quase US$ 10 trilhões no total em mais de 15 anos – são necessários para erradicar a pobreza extrema e moderada globalmente até 2030.

poorEstima-se que quase um terço dos extremamente ou moderadamente pobres nas economias em desenvolvimento têm empregos. No entanto, seus empregos são vulneráveis por natureza: muitas vezes, estes empregos não são remunerados e estão concentrados em ocupações de baixa qualificação. Além disso, na ausência de proteção social, estas pessoas dependem quase que exclusivamente da renda de seu trabalho.
Entre os países desenvolvidos, mais trabalhadores têm empregos assalariados, mas isso não os impede de cair na pobreza. O relatório constata que a incidência da pobreza relativa aumentou um ponto percentual na União Europeia, desde o início da crise. E mais: os níveis altos de desigualdade de renda reduzem o impacto do crescimento econômico sobre a redução da pobreza, alertando sobre a imprescindibilidade de refletir sobre a responsabilidade dos países e indivíduos ricos na perpetuação da pobreza.

Raymond Torres, Assessor Especial da OIT para questões sociais e econômicas, ao falar sobre os resultados da pesquisa, frisa que “neste momento, 30% do mundo é pobre, mas detém apenas 2% da renda global. Somente através da melhora deliberada na qualidade dos postos de trabalho para aqueles que têm empregos e da criação de novos empregos decentes será possível fornecer uma saída duradoura das condições de vida precárias e melhorar os meios de subsistência para os trabalhadores pobres e suas famílias”.
O estudo na íntegra está disponível em https://bit.ly/1TgxYyP



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