Peixe BR divulga dados de 2016: produção em cativeiro ultrapassou as 600 mil toneladas

Publicado em: 08 fevereiro - 2017

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Representante de 50% da produção nacional de pescado de cativeiro e congregando toda a cadeia de pescados, incluindo ração e equipamentos, a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) divulgou levantamento estatístico da atividade, publicado no Anuário Brasileiro da Piscicultura – edição 2016. Inédito, o estudo cruza diversos indicadores, dados coletados junto aos produtores e ao Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal  (Sindirações), entre outras fontes, e procura chegar o mais próximo possível da realidade.

 Em função da metodologia utilizada é possível afirmar que a “piscicultura brasileira produziu 640.510 toneladas em 2016. Paraná, Rondônia e São Paulo são principais estados produtores e o Norte é liderança entre as regiões. No total, a atividade movimentou R$ 4,3 bilhões, com geração de 1 milhão de empregos diretos e indiretos. Em 2015, a atividade produziu 638.000 toneladas”, informou Eduardo Marchesi Amorim, presidente da Peixe BR e um dos responsáveis pela pesquisa.

 Francisco Medeiros, secretário executivo da Peixe BR, ressaltou que se somar a esse total o volume de importações de pescado (que é ao redor de 400 mil toneladas em filé) o total do peixe consumido no País praticamente dobra, pois a produção de filé leva a perda de 1/3 do peixe.

 As previsões da associação são de que o setor cresça entre 10% e 15% ao ano, permitindo a duplicação da produção em no máximo cinco anos. No entanto – frisou Medeiros – o atingimento da meta depende de investimento de cerca de R$ 7 bilhões em infraestrutura. A isso, agrega três gargalos: excesso de burocracia, regras para licenciamento ambiental que são passíveis de interpretação e de políticas de governo. Como exemplo, citou a existência, no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), de projetos que, se liberados, permitiram a produção de mais de 1,8 milhão de toneladas. “Se esses pontos forem revistos,  produção cresce naturalmente”, garante o secretário da Peixe BR.

 Além disso, o desempenho da piscicultura está diretamente ligado à situação econômica do Brasil. Em 2916, por exemplo, foi afetado pela redução dos investimentos em importantes Estados produtores, queda generalizada do consumo de proteínas animais e problemas climáticos no Nordeste. “A instabilidade político-econômica foi responsável pelo adiamento de importantes definições estratégicas, como os processos de outorga de águas da União e a aprovação dos projetos de licenciamento ambiental que se acumulam há mais de uma década, entre outros, processos que começam a ser destravados”, comentou Ricardo Neukirchner, presidente do Conselho de Administração 2017/2018. Segundo ele, “a Peixe BR entende que essa situação impediu, com mais ou menos intensidade, o melhor desempenho da atividade como um todo. Há estados onde a produção continuou avançando e o crescimento foi sólido – casos do Paraná, Rondônia e São Paulo. Em outros, o desempenho ficou estável e alguns foi afetado pelas adversidades econômicas. Mas nada tira da piscicultura brasileira o potencial de evolução, considerando a disponibilidade de água, condições climáticas, capacidade empreendedora dos empresários brasileiros e a diversidade de espécies”, resume.

 

Dados regionais

O Estado do Paraná é o líder em Piscicultura no Brasil. O levantamento da Peixe BR mostra que o estado produziu 93.600 toneladas de peixes cultivados, em 2016. O Paraná superou as adversidades do ano e, contando com o indispensável trabalho dos projetos aquícolas independentes e, especialmente, das cooperativas e seus produtores integrados, cresceu 17% em 2016.

 A vice-liderança é de Rondônia, que produziu 74.750 toneladas de peixes cultivados em 2016. O crescimento foi expressivo em relação a 2015: 15%. Destaque ao aumento dos projetos de peixes redondos, característica marcante da atividade no estado, que também contribuiu decisivamente para a região Norte fechar 2016 como líder na produção de peixes cultivados no Brasil. A região produziu 158.900 toneladas, com crescimento de 4,81% sobre 2015.

 Por regiões, os Estados do Sul vem em seguida, somando 152.430 toneladas, resultado de um excelente desempenho: aumento de 13% sobre os números do ano anterior. Já o Centro-Oeste foi a terceira região mais produtiva em 2016, com 120.670 toneladas. Na sequência, vieram o Nordeste (104.680 toneladas) e o Sudeste (103.830 toneladas).

 São Paulo, como o terceiro maior estado em Piscicultura no Brasil, com 65.400 toneladas produzidas em 2016, registrou crescimento de 9% em 2016, mantendo a média anual de crescimento e com tendência de maior evolução em função da assinatura do decreto estadual que regulamenta o licenciamento ambiental.

Mato Grosso, quarto maior produtor de peixes cultivados do País, produziu 59.900 toneladas em 2016. O estado perdeu espaço na atividade, encolhendo 19% em apenas um ano; enquanto que Santa Catarina – que também é listado entre os Estados líderes na produção de peixes cultivados – manteve a média anual de crescimento, atingindo 38.330 toneladas em 2016.

 

DESEMPENHO DA PISCICULTURA BRASILEIRA EM 2016

578.800T

638.000T

640.510T

0,39%

2014

2015

2016

NORTE

123.500

151.600

158.900

4,81%

Rondônia

40.000

65.000

74.750

15%

Acre

5.000

6.000

7.020

17%

Amazonas

23.000

25.000

27.500

10%

Roraima

20.000

21.000

14.700

-30%

Pará

15.000

18.000

19.080

6%

Amapá

500

600

650

8,33%

Tocantins

20.000

16.000

15.200

-5%

NORDESTE

113.500

116.600

104.680

-10,22%

Maranhão

20.000

23.000

24.150

4,88%

Piauí

13.000

16.000

17.000

6,25%

Ceara

33.000

28.000

12.000

-57,14%

Rio Grande do Norte

3.000

3.300

2.500

-24,24%

Paraíba

1.000

1.100

2.500

127,27%

Pernambuco

10.000

11.000

12.100

10,00%

Alagoas

2.500

2.700

2.830

4,80%

Sergipe

6.000

6.500

6.100

-6,15%

Bahia

25.000

25.000

25.500

2,00%

SUDESTE

90.000

101.500

103.830

2,29%

Minas Gerais

25.000

25.000

23.000

-8,00%

Espirito Santo

11.000

12.000

10.800

-10,00%

Rio de Janeiro

4.000

4.500

4.630

2,88%

São Paulo

50.000

60.000

65.400

9,00%

SUL

123.000

134.800

152.430

13,00%

Paraná

75.000

80.000

93.600

17,00%

Santa Catarina

30.000

35.300

38.830

10,00%

Rio Grande do Sul

18.000

19.500

20.000

2,56%

CENTRO-OESTE

128.800

133.500

120.670

-9,61%

Mato Grosso do Sul

20.000

23.000

24.150

5,00%

Mato Grosso

75.000

74.000

59.900

-19,00%

Goiás

33.000

34.000

34.000

0,00%

Distrito Federal

800

2.500

2.620

4,8%