Produtor agrícola cria ‘ecovila cooperativa’ no Sul de Minas e mobiliza pessoas de todo o Brasil

Publicado em: 19 novembro - 2021

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Fábio Silveira, um produtor agrícola de 28 anos, criou uma ecovila em um terreno próximo a Campos Gerais, no Sul de Minas Gerais. O projeto está no começo e ainda está recrutando pessoas que desejam contribuir para a comunidade. Até agora, mais de 30 pessoas de todo o Brasil já se disponibilizaram para mudar para a vila e “viver do que a terra produz”. Ao BHAZ, o paulista em terras mineiras conta como veio a ideia do projeto e quais são as pretensões da vila autossustentável.

“Eu nunca quis trabalhar para outras pessoas. Sempre quis ter meu próprio negócio, só que toda vez que eu abria algo, eu não conseguia ser aquele patrão que mandava no funcionário. Eu percebia que trabalhar com as pessoas era muito mais legal, muito mais produtivo, pelo menos para mim”, conta Fábio Silveira.

Ele relata que todos os funcionários que já teve viraram grandes parceiros dele. “Eu percebi que a melhor maneira, para mim, para conseguir ter uma coisa legal e ver as pessoas crescendo junto comigo seria fazer uma cooperativa, associação”, explica.

Segundo o produtor agrícola, a motivação também veio ao observar outras pessoas da idade dele. “Os ‘millennials’ têm muita educação, são todos formados. Possuem muito conhecimento e não têm onde aplicar. A maioria tem que trabalhar em cafeteria, fast food…”, argumenta.

De forma a contornar os conflitos que enfrentava nos negócios e utilizar “o que aprendeu na vida”, ele saiu procurando terrenos na região do Sul de Minas. “Eu achei um terreno legal e comecei o projeto”, conta sobre o início do sonho.

Produção local e sustentável

O terreno já está sendo preparado para receber todos os interessados pelo projeto. “A gente já está fazendo tudo, o terreno já está outra coisa. Já limpamos, fizemos terraplanagem, limpamos os lagos porque são artificias, já vimos todas as regras ambientais e aí a gente vai fazer a vila autossustentável. Já estamos vendo a parte jurídica também. Primeiro seremos uma associação e depois evoluiremos para cooperativa com o tempo”, explica Fábio.

O terreno de 14 mil metros quadrados fica em frente à represa de Furnas. No local, não será utilizado agrotóxicos e a intenção é produzir plantas nativas da região, como jabuticaba, maracujá, abacaxi, goiaba. “Queremos ser bem amigos da natureza, preservar a região, ajudar bastante, gerar o máximo de crescimento possível para o pessoal gostar da gente”, brinca.

Uma equipe formada por pessoas de todo o Brasil já conversa semanalmente pela internet. “Tem bastante gente que está envolvida conosco, que pesquisa muito sobre isso. Muito inteirados de sustentabilidade, que sabem como resolver as coisas sem agrotóxicos, então a gente vai produzir e consumir os produtos naturais”, conta.

Os interessados estão se juntando e cada pessoa vai lidar com um setor da comunidade. Segundo Fábio, em breve os primeiros chalés serão construídos, tanto para os moradores da vila, quanto para potenciais visitantes.

Lucro

Apesar da proposta de dividir os “frutos” igualmente entre todos os moradores da vila, o projeto não deixa a pretensão do lucro de lado. “Também vamos fazer produtos com valor mais agregado para gente vender para o Brasil e expandir o projeto, como licor de café, já que tem muito café na região, e hidromel, porque tem vários apicultores na região. Queremos sempre ajudar a região”, reforça.

A intenção é expandir a vila para os terrenos ao redor. “O plano é basicamente a gente conseguir fazer uma vila autossustentável mas que lucre o suficiente para a gente começar a comprar os terrenos ao redor e ir expandindo o projeto”, explica.

Como participar

Pessoas de todo o Brasil podem participar do projeto. Para isso, o interessado deve entrar em contato com Fábio Silveira pelo perfil dele no TikTok ou Instagram. Todas as pessoas até agora foram recrutadas pelas redes sociais. Em breve, até mesmo um TikTok será criado para ecovila – e a administração do perfil também será feita em conjunto.

“Se tem uma coisa que eu tenho certeza é que o trabalho coletivo é muito mais forte que o trabalho individual. E acho que está na hora de começar a conquistar o pão”, diz em um dos vídeos que viralizaram no TikTok.


Fonte: BHAZ


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