Vanzeiros criam cooperativa para ajudar categoria durante crise da pandemia

Publicado em: 02 fevereiro - 2021

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Objetivo é pressionar empresários a contrataram o serviço dos motoristas, garantindo mais conforto, segurança e menor risco de contrair o coronavírus

Um grupo de trabalhadores do transporte escolar e de fretamento de Belo Horizonte e de algumas cidades da região metropolitana e interior de Minas Gerais inauguraram nesta segunda-feira (1) uma cooperativa para tentar ajudar os vanzeiros que passam dificuldades econômicas devido à crise provocada pela pandemia de coronavírus. Sem trabalho, alguns estão perdendo seus veículos por conta de dívidas.

Segundo o condutor Maurício Xavier da Silva, de 42 anos, um dos idealizadores do Vanzeiros de Minas, o intuito é pressionar empresários a contratarem o serviço de transporte particular, que, segundo ele, é mais seguro tanto para funcionários quanto para as empresas. “Queremos conversar com os empresários e mostrar para eles que a gente tem condição de fazer um transporte bom, onde o funcionário chega descansado, tranquilo, sem atraso, com conforto, segurança e com menos risco de contrair o coronavírus”, afirma.

Além disso, com a cooperativa, os vanzeiros teriam benefícios sem pagar por isso. “Nós vamos arrumar benefícios, tais como desconto em peças e vamos correr atrás dos órgãos competentes para melhorar a categoria. Pedimos a todos os empresários que entrem contato com a gente para procurarem saber valores e o tipo de trabalho que nós vamos fazer. Porque eu tenho certeza que vai ajudar”, pede.

De acordo com ele, esta união precisava acontecer, pois, se depender de sindicato ou poder público, a ajuda no setor não seria satisfatória. “Já vai para quase um ano que está todo mundo parado. A gente vê a triste realidade de bancos pedindo busca e apreensão dos veículos, pais e mães de família desesperados e gente sendo despejada”, contou.

Silva também criticou a possível falta de atuação dos sindicatos e de outras cooperativas que deveriam auxiliar a categoria. “Claro que não são todas, mas há cooperativas que são empresas que se vestem como cooperativa. Você paga e tem o seu serviço. Você não tem benefício. E aqui em BH não temos o auxílio de sindicato”, completou.

Conforme o Vanzeiros de Minas, até o momento, cerca de 700 motoristas já estão participando da cooperativa, sendo aproximadamente 300 só na capital. Para quem quiser se inscrever ou pegar mais informações, pode entrar em contato pelo Instagram e Facebook (@vanzeirosdeminas) ou pelos telefones: (31) 99571-0315 / (31) 99616-1657.

Sindicato

Em contato com a reportagem, o presidente do Sindicato dos Transportadores de escolares da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Sintesc), Carlos Eduardo Campos, criticou a criação da cooperativa. “Isso não vai resolver nunca o problema dos vanzeiros. Cooperativa abre todo dia. Isso é coisa política”, afirmou.

Além disso, ele rebateu a fala de que o sindicato não auxilia a classe durante a pandemia. De acordo com o Sintesc, as seguintes ações foram tomadas para ajudar os condutores:

– Inclusão dos transportadores escolares em programas de distribuição de cestas básicas na Prefeitura de Belo Horizonte e alguns interiores;
– Criação do programa de distribuição de cestas básicas pelo Sintesc a transportadores que não tiveram o benefício e estão em grande vulnerabilidade social;
– Prorrogação de vida útil dos veículos escolares em BH e alguns interiores.
Isenção da cobrança da taxa de isenção para o ano de 2021;
– Isenção de juros e multas e parcelamento em até 10 vezes das mensalidades do Sintesc e Coopersind em atraso;
– Implementação e custeio com abastecimento do transporte alternativo em São Jose da Lapa realizado por vans escolares;
– Negociação com a BHTrans e PBH através de reuniões, sem êxito, para que transportadores escolares pudessem atuar em linhas de ônibus;
– Dispensa da exigência de vistorias na capital e prefeituras. 
– Anistia de multas pela ausência de vistoria na BHTrans;
– Disponibilização do jurídico para atuação em ações contra os bancos a todos os transportadores filiados ou não mesmo que em atraso; entre outras.


Fonte: Jornal O TEMPO


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