13º CONCRED DIGITAL: Cobertura do maior evento do cooperativismo de crédito da América Latin

Publicado em: 02 setembro - 2021

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Com uma edição inovadora, imersiva e baseada em muita troca de conhecimento, o maior evento do Cooperativismo Financeiro da América Latina remodelou o futuro do setor

As cooperativas de crédito têm ganhado mais espaço a cada ano e hoje desempenham um importante papel dentro da sociedade. É esse papel que foi discutido no 13º Concred Digital, o maior evento do cooperativismo de crédito da América Latina. Organizado pela Confederação Nacional das Cooperativas de Crédito (Confebras), o evento, que aconteceu dos dias 18 a 20 de agosto e contou com a MundoCoop como Mídia Oficial, reuniu grandes nomes para discutir as tendências e o futuro do ramo. Tudo isso em um ambiente completamente digital e imersivo.

Marcando o início da conferência, Moacir Krambeck, Presidente da Confebras; Márcio Lopes de Freitas, Presidente do Sistema OCB; Paulo Sérgio Neves de Souza, Diretor de Fiscalização do Banco Central do Brasil; Marco Aurélio Borges de Almada Abreu, Coordenador do CECO Conselho Consultivo Nacional do Ramo Crédito) e José Evaldo Campos, Presidente do Sicoob Central Nordeste, abriram as conversas.

Na ocasião, Moacir Krambeck agradeceu ao público do evento e frisou a importância de chegar à sua 13ª edição. “A magnitude do Concred começa pela amplitude dos temas, que abrangem todos os ramos do cooperativismo na maior parte do tempo, tornando esses três dias uma experiência marcante, transformadora e memorável”, acentuou. José Evaldo Neto, reforçou a necessidade de levantar esforços para difundir o sétimo princípio cooperativista – o interesse pela comunidade – e ainda sugeriu que haja uma expansão do Fundo de Investimento Solidário e Social. Ainda, Marco Aurélio, ressaltou os números do coop de crédito diante da crise e chamou o público a pensar sobre o que ainda pode ser feito dentro do cooperativismo de crédito, para aumentar ainda mais o alcance do setor. 

Encerrando a abertura, Márcio Lopes de Freitas destacou o histórico do Concred, onde tendências e novidades do setor sempre se iniciaram, e salientou a importância de seguir apostando em modelos de boa gestão e governança, além da transparência nos processos das cooperativas. Além disso, Paulo Sérgio, destacou os avanços do setor financeiro no Brasil. Em sua fala, ele destacou o foco e a melhor experiência para o cliente como um dos fatores que levaram o setor ao patamar da atualidade e lembrou de como as novas ferramentas, como o PIX e o open banking, devem aumentar o alcance do ramo crédito, que já conta com 11.9 milhões de cooperados. 

2º dia: Inovação e economia são destaques

Em seu segundo dia, o 13º Concred Digital começou a trazer para o palco digital seus quase 40 convidados. Dividindo experiências e conhecimento com o público, os palestrantes puderam ouvir um pouco sobre quais tendências devem tomar conta do ramo crédito e do Brasil nos próximos anos. 

Entre os destaques do dia, esteve a participação da Pensadora do Futuro, Ligia Zotini Mazurkiewicz. Durante sua palestra “Um dia em 2037: o futuro é agora”, ela proporcionou ao público uma imersão no futuro e em todas as transformações que serão vivenciadas. “Todas as vezes que as tecnologias estão massivas, inventamos novas formas de existir”, declarou. 

A seguir, o Concred Digital abriu um painel com os bancos cooperativos. O bate-papo contou com a participação de César Bochi, diretor executivo de Administração do Sicredi e Marco Almada, diretor-presidente da diretoria executiva do Bancoob. Com mediação de Luiz Lesse, vice-Presidente da Confebras, a conversa falou sobre “A Inovação em Meios de Pagamento e o Open Banking”. 

Com as mudanças dos últimos anos e um novo sistema bancário em vigor, Almada iniciou sua fala destacando o cenário de oportunidade que as cooperativas possuem. “Esse é um momento muito rico para as cooperativas. E elas precisam estar de olho para que essa transformação no sistema financeiro não tire elas do jogo”, afirmou. 

Na sequência, Bochi compartilhou um pouco de sua visão sobre as mudanças com o open banking. Com a fase de compartilhamento de dados se iniciando na última semana, é esperado uma transformação constante nas próximas semanas. “Vamos passar por duas faces do Open Banking. A primeira é o compartilhamento de dados. A segunda é a iniciação de pagamentos. Ou seja, nós como cooperativa vamos liberar o acesso do associado na conta corrente para outros aplicativos. Então vou poder fazer um Pix pelo Whatsapp para outras instituições através da conta da cooperativa? Sim!”, afirmou. 

Já no final do painel, foi destacado que será preciso se desvencilhar de velhos hábitos, assim como facilitar a tomada de decisão, para que as coops não percam o ritmo da mudança. “As cooperativas não podem demorar para decidir e entrarem na fase de compartilhamento. O open banking é muito grande então temos que pensar como tirar vantagem dos valores por ser uma cooperativa e qualificar a oferta”, concluiu Bochi. 

Além dos destaques citados, o segundo dia do 13º Concred Digital ainda contou com outras palestras e programações: Gustavo Loyola e Luis Artur Nogueira falaram sobre o mundo financeiro pós-Covid em “A Recuperação Econômica do Brasil”; Renato Opice falou sobre os impactos da nova LGPD em “LGPD: Democracia, Inovação e Regulamentação” e Renato Mendes falou sobre a chegada da era digital nas cooperativas, durante sua explanação “Sua Cooperativa está apta a navegar no implacável mar digital?”. 

3º dia: o futuro do ramo crédito e da sociedade

Após três dias de uma jornada imersiva e totalmente digital, o 13º Concred Digital chegou ao fim. Foram mais de 40 convidados, 30 horas de conteúdo e dezenas de conteúdos que levantaram as principais novidades do setor crédito e da sociedade como um todo. 

A programação repleta de palestras, painéis e lançamentos da Confebras, continuou a pleno vapor no último dia do evento. Entre os destaques, esteve a participação de Sandro Magaldi, com a palestra “Cooperativismo na Gestão do Amanhã”. Magaldi trouxe ao palco virtual o questionamento: Qual é a perspectiva do cooperativismo nesse ambiente de transformações? 

A sociedade passou por diversas transformações nas últimas décadas e a demanda por colaboração, compartilhamento de riquezas e valorização do propósito e cooperativismo, se tornou ainda maior. Neste mundo ideal, o cooperativismo tem se firmado com diversas estratégias que o colocam como o modelo a ser alcançado. Além disso, foi levantado junto ao público um questionamento, sobre como as cooperativas estão trabalhando o tema “inovação” e o quão necessário é a reflexão sobre como a reinvenção do cooperativismo está sendo feita, e como essa transformação pode ser colocada em prática sem deixar de lado a essência do movimento cooperativo. 

Para concluir, Magaldi destacou alguns pontos da gestão do amanhã. Para eles, neste novo mundo será preciso ter uma visão sistêmica dos processos, com uma visão mais holística dos ambientes. Somado a isso, será de suma importância controlar os dados e usá-los na tomada de decisões, além de enraizar a cultura de inovação como uma forma de alcançar a gestão ideal. 

ESG nas cooperativas de crédito 

O último dia do 13º Concred Digital ainda contou com uma plenária especial, onde dois convidados falaram de um tema que está em alta nas cooperativas e nas organizações. Com a presença de Ricardo Voltolini e Maria Flávia Bastos, “A importância da pauta ESG no Futuro das Cooperativas de Crédito” foi discutida durante o talk show, já na parte final do evento. 

Maria Flávia Bastos iniciou a conversa explicando a sigla ESG, que fala sobre a visão corporativa com foco nos fatores sociais, no meio ambiente e na governança. Como ela destaca, a pandemia escancarou os problemas da sociedade nestes tópicos, e o ESG vem como uma resposta a essas fragilidades do mundo dos negócios. O período pandêmico humanizou as pessoas e, agora, é esperado que o modo cooperativo deixe de ser apenas um modelo de negócio, e passe a ser um modo de viver. Bastos ainda ressaltou a transformação de pensamento que vem com o ESG e as novas gerações. Os jovens não trabalharão em qualquer empresa, mas apenas naquelas que estejam realmente colocando o ESG em prática. Neste novo mundo, essa geração irá cobrar a forma como as organizações estão se posicionando, e buscarão organizações com propósito para desenvolverem suas carreiras.

Ainda no painel, Ricardo Voltolini destacou o ESG como algo já enraizado nas cooperativas. Como ele evidencia, o movimento cooperativo já vive a sigla em sua história, e nesta nova era, o ESG deverá ser visto como um filtro para a avaliação dos negócios e práticas, no médio e longo prazo. Voltolini ainda ressaltou a importância das cooperativas entenderem que “a sustentabilidade é intenção, o ESG é a prática”. É preciso realmente colocar as três letras em ação, seja através da difusão do modelo cooperativista, da promoção do princípio do interesse pela comunidade, a assistência a negócios de impacto positivo e, ainda, a real disseminação de uma cultura de sustentabilidade.

Para completar, Bastos e Voltolini ressaltaram que o ESG é um fenômeno geracional, uma vez que as novas gerações – que estão assumindo os cargos hoje – já nascem com um olhar mais voltado para o social e o ambiental. O novo desafio é disseminar essa cultura de forma ampla, para que todas as gerações vivam o ESG no dia a dia.

Além dos destaques citados, o público virtual do Concred ainda pode contar com vários outros conteúdos, distribuídos pelos ambientes virtuais da conferência. Dentre as atrações que encerraram o evento, estão participação de Zeca de Mello na palestra “Aprender, Desaprender e Reaprender”; as novidades do mundo do marketing na fala de Rapha Avellar em sua palestra “Marketing Digital: oxigênio e explosões”; o painel “Mulheres com Propósito”, que contou com a presença de Lília Porto e Alexandra Loras e ainda, o encerramento com o ex-técnico da seleção de vôlei, Bernardinho, que dividiu sua visão sobre estratégia e motivação. 


Por Redação MundoCoop – Matéria publicada na Revista MundoCoop, edição 101



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