A nova face organizacional do cooperativismo

Publicado em: 29 outubro - 2021

Leia todas


Os últimos dois anos, com certeza, trouxeram muitas mudanças para o movimento cooperativista. Agora, com 2021 prestes a chegar o fim, novas oportunidades e ideias surgem junto com os planejamentos para dar os próximos passos e as cooperativas brasileiras, como sempre, já estão atentas ao futuro.

Nesse processo de transformações, o movimento novamente se mostrou resiliente e demonstrou para a sociedade, e para as comunidades ao redor, como o poder da cooperação faz chegar longe. Assim, ocupando cada vez mais espaço no mercado, as cooperativas vêm crescendo de forma significativa. E, mesmo com os desafios, se fazem presente como uma grande aposta econômica e social.

Pensando nisso, a MundoCoop conversou, com exclusividade, com a nova Superintendente da OCB, Tânia Zanella, que falou um pouco mais sobre a representatividade do cargo e pontuou quais são as próximas estratégias da OCB em relação ao movimento, bem como as expectativas para 2022.

Confira! 

O sistema OCB conta com a sua participação e colaboração há muitos anos, inclusive, como Gerente Geral de 2012 a 2021. O que representou assumir o cargo de superintendente em um ano tão crucial para o movimento? Como superintende, quais mudanças e/ou iniciativas pretendem estabelecer daqui para frente?

Para mim, é uma honra suceder o amigo Renato Nobile, que pavimentou tão bem o caminho que, agora, assumimos. Aproveito para agradecê-lo por seus feitos e, também, por ter conduzido, com tanta harmonia, esse processo de transição, junto com o presidente Márcio Lopes de Freitas. É um exemplo de sucessão, algo que precisamos estimular cada vez mais no nosso setor.

Nós seguiremos com o mesmo ritmo de trabalho e de interação com nossas unidades estaduais e, claro, nossas cooperativas. E, a fim de ter cada vez mais boas notícias para o movimento cooperativista, contamos com as coordenações de ramos, comitês técnicos e grupos de trabalho. Sem falar, é claro, que conto bastante com os parlamentares da nossa Frencoop, pois nosso objetivo é dar andamento aos projetos e programas do Sistema OCB, sempre de olho nas demandas das nossas cooperativas e nas diretrizes estabelecidas por elas em maio de 2019, quando realizamos a última edição do Congresso Brasileiro de Cooperativismo.

E, se precisarmos ajustar alguma coisa na nossa rota, faremos isso com muita tranquilidade e com a participação da nossa base, razão de ser do Sistema OCB.

O cooperativismo, com certeza, é um movimento que cativa e capta a essência da humanização. Com 2022 se aproximando, quais são os desafios do movimento pela frente? Na sua visão, onde é preciso mudar?

As cooperativas mostraram ao país a sua capacidade de continuar atuando localmente e impactando nacionalmente, mesmo durante um dos piores períodos da história da humanidade. Enquanto movimento cooperativista, aprendemos muito e um dos grandes aprendizados é que não podemos parar de inovar. Acho que esse, talvez, seja o maior desafio de todos. Desde o ano passado, quando o início da pandemia foi decretado aqui no Brasil, o Sistema OCB lançou novos cursos, ebooks, plataformas de negócio e um vasto material sobre como, quando e onde inovar. A ideia é contribuir com as cooperativas para que cada vez mais estejam preparadas para colher os frutos de seu trabalho, dentro ou fora de um período tão crítico quanto este, que atravessamos.

Recentemente, você produziu um artigo sobre o protagonismo feminino. Para você, qual é o diferencial do cooperativismo na diversidade e na inclusão? Como mulher, como foi assumir um cargo de tanta importância dentro do sistema?

O cooperativismo é essencialmente inclusivo e promotor da equidade de gênero. Ele começou assim, com homens e mulheres que queriam um mundo mais justo, feliz, equilibrado e com melhores oportunidades para todos. Então, a inclusão faz parte do nosso DNA. É claro que a gente sabe que muito ainda precisa ser feito para ampliar a participação feminina em alguns ramos compostos majoritariamente pelos homens, mas estamos avançando nesse sentido.

Para se ter uma ideia, hoje, já somos 39% do total de cooperados no país. Em alguns ramos, como o Saúde, já somos a maioria com 53%. E nós somos capazes de muito mais, de ir além. Reforço aqui que não se trata de uma competição com os homens, mas de ampliar as possibilidades de uma mulher chegar à posição de diretora, superintendente ou presidente. As chances não são iguais. É por isso que vemos mais homens nesses cargos. Novamente eu digo: precisamos atualizar o discurso. Não vamos mais falar sobre a mulher poder ou não poder assumir um cargo assim. Elas podem! A questão agora é como viabilizar a participação delas nessas posições de liderança.

Quais serão os próximos passos da OCB? Como a organização pretende se estabelecer nos próximos anos perante o movimento?

Estamos trabalhando muito focados nas demandas das nossas cooperativas. A ideia é valorizar cada vez mais esse sentimento de pertencer a um movimento que tem o ser humano sempre em primeiro plano, agregando novas pessoas e estimulando o consumo de produtos e serviços por parte da sociedade, cada vez mais exigente.

Para isso, temos várias iniciativas como o movimento SomosCoop, a plataforma Capacitacoop, o marketplace do cooperativismo, o Negócios Coop, além das ações de rotina junto aos Três Poderes da República.


Por Jady Mathias Peroni – Entrevista publicada na Revista MundoCoop, edição 102



Publicidade