As cooperativas brasileiras no World Cooperative Monitor

Publicado em: 18 março - 2021

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O relatório da ACI apresentou as 300 maiores coops do mundo e marcou o cooperativismo com números grandiosos

Atualmente, o cooperativismo representa 12% da população mundial. Isso equivale a 1 bilhão de pessoas integrando e perpetuando um movimento que transforma realidades, independentemente de qual for. São essas tantas pessoas de diferentes setores da sociedade que juntas formam as inúmeras cooperativas existentes.

Para medir o desempenho dessas cooperativas ao redor do planeta, a Aliança Cooperativa Internacional e o Instituto Europeu de Pesquisa em Empresas Cooperativas e Sociais (Euricse) lançaram o World Cooperative Monitor 2020 – Monitor Mundial de Cooperativas.

O objetivo desse monitor é explorar o impacto socioeconômico das cooperativas em um cenário global e em seus contextos nacionais e regionais, desenvolvendo um banco de dados multidimensional, ou seja, que analisa as cooperativas em múltiplos aspectos. O relatório também demonstra a escala e o impacto das cooperativas em todo o mundo buscando aumentar o número de negócios monitorados e a distribuição geográfica e setorial.

Os dados coletados para a edição de 2020 são de 2018, com fontes primárias, incluindo relatórios anuais e de sustentabilidade, bancos de dados econômicos, dados coletados por associações nacionais, institutos de pesquisa e outras organizações e respostas a um questionário enviado diretamente às empresas.

A vez das mudanças

O World Cooperative Monitor foi apresentado no dia 20 de janeiro desse ano em uma conferência especial e marcou novos capítulos para o movimento. Além de apresentar as classificações com base no faturamento, bem como a proporção do faturamento sobre o produto interno bruto (PIB) per capita, o documento incluiu uma análise das respostas cooperativas a dois desafios globais: Covid-19 e as mudanças climáticas.

Na ocasião, Pete Westall, diretor de valores da Midcounties Co-operative no Reino Unido, destacou que as cooperativas em todo o mundo lideraram o caminho no fornecimento de apoio econômico e social durante a pandemia. “As soluções que tantos recorreram estão alinhadas aos valores de responsabilidade social e cuidado, valores que todos partilhamos”, afirmou.

As transformações, positivas e negativas, impulsionadas pelo alastramento do coronavírus delinearam as discussões na apresentação, onde foi ressaltado que, apesar do enorme impacto que a crise da saúde teve, as cooperativas provaram ser resilientes e inovadoras. “O ano de 2020 nos confrontou com a necessidade de atuar emergencialmente sem deprimir nossas economias, como sempre fazem as cooperativas. Portanto, o modelo cooperativo é mais atual do que nunca. E a tarefa do Monitor é mostrar como o cooperativismo é capaz de enfrentar grandes desafios, ativando recursos importantes por meio de grandes organizações”, disse o Secretário-geral do Euricse. Gianluca Salvatori.

Para ilustrar esse debate, o Monitor Global inclui a história da SMART, cooperativa de freelancers, e suas ações de ajuda aos cooperados, principalmente do setor da cultura. Um dos mais afetados com a crise. “A pandemia colocou uma pressão sobre muitas empresas, mas como você lerá no relatório, muitas grandes cooperativas intervieram para ajudar funcionários, membros e comunidades a cuidar da própria saúde e a enfrentar as repercussões econômicas da covid-19. Gostaríamos de agradecer às organizações que forneceram seus dados e também a todos que contribuíram com essa atualização”, declarou o diretor geral da ACI Bruno Roelants.

A respeito das ações climáticas que seguem as diretrizes da Organização das Nações Unidas, o relatório internacional apresentou uma análise especial do 13º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ação climática), explorado em profundidade no relatório o caso do Rabobank (Holanda) e seu banco inovador para a consciência climática.

O World Cooperative Monitor está disponível, em inglês, no site oficial da ACI e no portal MundoCoop.

Brasil em destaque

Como um dos maiores destaques, o relatório, que completou nove edições, trouxe com exclusividade a lista das melhores cooperativas do mundo, assim como as classificações do setor. E os resultados mostraram que as maiores cooperativas têm um bom desempenho, com apenas ligeiras variações nas posições de topo em todos os setores.

As 300 principais cooperativas classificadas relataram um faturamento de mais de US$ 2,1 trilhões, com base em dados financeiros de 2018. Essas organizações operam em vários setores econômicos, sendo os setores agrícola (104 coops) e de seguros (101 coops) os que lideram a lista. O setor de atacado e varejo representa o terceiro maior: 57 coops. Contudo, a maioria das maiores coops pertence a países industrializados, como os EUA (74), França (44), Alemanha (30) e Japão (24).

No Top 300 da classificação com base no faturamento, o banco cooperativo Groupe Crédit Agricole da França ($ 89,10 bilhões) ficou em primeiro lugar, como no ano passado, enquanto o grupo bancário cooperativo Groupe BPCE da França ($ 63,01 bilhões) trocou com o varejista alemão Grupo REWE ($ 63,07 bilhões), que agora é o segundo. Seguem-se a seguradora Zenkyoren ($ 58,14 bilhões) e a cooperativa agrícola Zen-Noh ($ 56,15 bilhões), ambas japonesas.

Na classificação com base na proporção do volume de negócios sobre o produto interno bruto (PIB) per capita – que relaciona o faturamento da empresa com a riqueza do país, também um Top 300, a Índia levou os dois primeiros lugares com a Cooperativa de Fertilizantes dos Agricultores Indiano (IFFCO) e a Gujarat Cooperative Milk Marketing Federation. Vale lembrar que a IFFCO manifestou, recentemente, o interesse em estreitar a cooperação com o movimento cooperativista brasileiro, especialmente no seguimento agrícola.

No que se refere aos setores mais representados (agricultura e indústria de alimentos) a liderança é da japonesa Zen-Noh. Já na lista do segmento indústria e utilidades está a Corporación Mondragón (Espanha); e, no atacado e varejo, o grupo alemão REWE encabeça a lista.

Entre essa honrosa classificação, o movimento cooperativista brasileiro, que hoje congrega e une 15,5 milhões de cooperados, foi reconhecimento com 6 cooperativas brasileiras estrelando o ranking Top 300 do relatório. São elas: Coamo, Coopersucar AS, Sicredi, Confederação Nacional das Unimeds, C.Vale e Coop.

E para parabeniza-las, disseminar esse feito e incentivar o crescimento de todas as cooperativas, os presidentes de algumas dessas 6 destacadas deram um depoimento exclusivo sobre a importância de estar presente nesse importante ranking.

Confira a seguir:

CONFEDERAÇÃO NACIONAL DAS UNIMEDS – PRESIDENTE ORESTES PULLIN

“Quando a primeira Unimed foi fundada, em 1967, a intenção dos nossos pioneiros era prover condições de trabalho dignas aos médicos por meio do cooperativismo. A Unimed cresceu, respeitando os princípios de individualidade e autonomia, mas mantendo no diálogo, na democracia, na transparência e na qualidade, grandes atributos que permitiram o fortalecimento de cada cooperativa e, coletivamente, do que hoje conhecemos como o Sistema Unimed. Ter a nossa marca mencionada em um relatório com a relevância do World Cooperative Monitor mostra que a atuação das Federações e Singulares, em cada uma de suas localidades, realmente é percebida até em nível internacional. Há uma troca: as comunidades permitem que as cooperativas se desenvolvam e as Unimeds, por sua vez, retribuem com atendimento de excelência e investimentos que ficam nas próprias regiões, movimentando a economia e promovendo um desenvolvimento mútuo. Agradecemos esse reconhecimento e compreendemos a responsabilidade que nos vem a partir dele.”

C.VALE –  PRESIDENTE ALFREDO LANG

“Nossa preocupação na C.Vale foi implementar um modelo de gestão e de negócios que tornasse a cooperativa uma organização competitiva para enfrentar um mercado altamente concorrido e um consumidor exigente. Apostamos na agroindustrialização, transformando soja e milho em carnes e passamos a negociar nossos produtos com países que têm os mais altos padrões de qualidade alimentar do mundo. Isso nos garantiu rentabilidade, condições de remunerar melhor os associados, resultou na geração de milhares de empregos e no crescimento da arrecadação de tributos. Então, acredito que tenham sido esses os motivos que levaram a C.Vale a ser citada no relatório da Aliança Cooperativa Internacional, o que nos deixa orgulhosos e nos dá motivação para avançar ainda mais.”

COOPERATIVA DE CONSUMO (COOP) – PRESIDENTE MARCIO VALLE

“A Coop sente-se muito honrada e orgulhosa por figurar no ranking Top 300 do World Cooperative Monitor 2020. Isso porque temos cada vez mais a certeza de estarmos trilhando nosso caminho com respeito e comprometimento com os princípios cooperativistas. Uma bandeira que nos orienta há 66 anos. Está no DNA da nossa cooperativa o cuidado e a preocupação com as pessoas, atitudes sempre presentes nas unidades, principalmente neste período de pandemia. Em todas nossas ações, o cooperado é sempre a peça-chave e para ele trabalhamos para oferecer um atendimento humanizado, além de proporcionar um ambiente acolhedor para que sua jornada de compra seja agradável e que atenda suas expectativas. Tudo isso, sem esquecer da busca permanente para a perenidade de nossa cooperativa, rentabilidade e qualidade contínua dos produtos e serviços.”

COAMO – PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, JOSÉ AROLDO GALLASSINI

“É um orgulho para todos nós diretores, cooperados e funcionários ver este posicionamento de destaque da Coamo a nível Brasil e neste contexto, internacional, entre as melhores cooperativas agrícolas do mundo. Começamos do zero e juntos construímos uma grande cooperativa. A Coamo Agroindustrial Cooperativa está entre as 40 maiores empresas do Brasil e é a 1ª maior empresa do Paraná. Com a nossa sede em Campo Mourão (Centro- -Oeste do Paraná), possuimos entrepostos em 71 municípios do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.  Posso dizer com segurança que o segredo de todo esse sucesso é a credibilidade que temos junto com nossos mais de 29 mil cooperados. Completamos em novembro de 2020 os 50 anos da cooperativa, sempre trabalhando e apoiando o desenvolvimento deles, além de impulsionar a economia dos municípios em que a cooperativa atua.  Ao fundar a cooperativa foi possível vislumbrar uma melhor organização dos produtores, primeiro para os 79 fundadores e depois para milhares em várias regiões e nos três estados Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Esse trabalho junto ao cooperado é muito importante, pois entre eles estão a introdução de novas tecnologias, o apoio para o aumento de produtividade e armazenagem suficiente, para que todos possam ser atendidos. E isso só o cooperativismo faz, porque antes de tudo é uma filosofia de vida. E esta é a nossa missão, gerar renda e promover o desenvolvimento sustentável do agronegócio.”


Por Fernanda Ricardi – Matéria publicada na Revista MundoCoop, edição 98



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