As perspectivas da nova liderança cooperativista na Confebras

Publicado em: 07 julho - 2021

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Representando o cooperativismo de crédito desde sua criação, a Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito (Confebras) elegeu, recentemente, seu novo presidente: o economista, Moacir Krambeck, também presidente do Conselho de Administração da Central Ailos.

Sendo uma das principais lideranças cooperativistas, Krambeck, que já atuava na Confebras como coordenador junto ao Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC), foi eleito em abril de 2021 e assumiu o cargo com o objetivo de dar continuidade na disseminação de campanhas e projetos que reforcem a representatividade social e econômica do cooperativismo para o Brasil, como o BureauCoop, plataforma que disponibiliza os principais dados do segmento.

Moacir Kambreck

Para entender mais sobre quais são os próximos passos da Confebras e as principais metas da nova gestão para o biênio (2021-2023), a MundoCoop conversou, com exclusividade, com o presidente recém-eleito sobre as expectativas, os desafios em meio ao atual cenário da crise econômica e sanitária, as metas a serem alcançadas e a importância de propagar o movimento cooperativo para a população brasileira.

Confira!

Recentemente, o senhor assumiu o comando da Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito, a Confebras. O que representa para sua trajetória e experiência estar a frente de um órgão tão representativo para o setor de crédito?

É com certeza um enorme desafio substituir os que me antecederam e fizeram um excelente trabalho. A minha trajetória está alicerçada em gestão econômica, mesmo sendo no cooperativismo, no entanto, a partir de agora o desafio consiste em difundir a filosofia cooperativista e com essa base, construir um mundo melhor, não só pelo aspecto material, mas muito mais pelo comportamento dos cooperados com o seu semelhante.   

Quais são os próximos passos da Confebras para alavancar o cooperativismo de crédito no Brasil? Quais os principais desafios atualmente?

As estatísticas nos informam que a atualmente o cooperativismo de todos os ramos possuem em seu  quadro  aproximadamente 15  milhões  de cooperados, no cooperativismo de crédito são cerca de 12,6 milhões, em um país com mais de 220 milhões de habitantes. Transformar esse país em um país cooperativista, com certeza será um enorme desafio, mas esse será por certo o melhor caminho ao respeito, a dignidade humana, sem nenhum preconceito e sem nenhuma descriminação, e assim estimular as pessoas se vincularem ao cooperativismo com mais intensidade, não só pelo aspecto econômico, mas fundamentalmente pelo aspecto humano.                                                                                                                      

Segundo o Banco Central, as cooperativas financeiras fecharam 2020 com 12,8 milhões de cooperados e com uma alta de 36% no volume de operações de crédito. Na sua visão, como as cooperativas podem aumentar ainda mais sua participação no Sistema Financeiro Nacional?

Sem dúvida o cooperativismo de crédito teve um crescimento significativo nos últimos anos. O Banco Central através do programa #BC tem desafiado o cooperativismo de crédito em dobrar de tamanho até 2022. Na região Sul tem uma participação bem melhor que nas demais regiões do Brasil. Esse desafio tem por objetivo a inclusão especialmente de pessoas de baixa renda. A Confebras contribuirá difundindo a cultura e os princípios cooperativas, desenvolvendo eventos e em comunicação institucionais, bem como na publicação de livros diretamente envolvidos com o cooperativismo.  

Estamos atravessando um período sensível da pandemia. Como a Confebras pretende impulsionar ainda mais o desenvolvimento social e econômico do país? Nesse contexto, como o senhor enxerga o cooperativismo de crédito hoje?

A essa pergunta há um outra a ser feita. O que deu origem ao cooperativismo em 1844? Exatamente o que estamos vivendo nessa pandemia, dificuldades enormes com doenças e fome, portanto aí que o cooperativismo deve mostrar a sua força e o que ele é de fato, ou seja estar junto as pessoas procurando e criando meios para ajuda-las a amenizar o sofrimento. Este procedimento não deve ser somente aplicado nos períodos de desgraça, e sim estimular a solidariedade durante 365 dias ao ano e 24 horas por dia.

Cada vez mais a comunicação e a intercooperação tem ganhado destaque nas discussões dentro do cooperativismo. Qual a importância dessas questões? Como elas podem ser um caminho para expandir o movimento? O que falta para elas serem mais aplicadas efetivamente? 

Há ainda um problema nas administrações das cooperativas, ou seja, reconhecer que nas outras cooperativas que existem cooperados, com o direito de ter os mesmos benefícios que o seu tem. Admitir que os concorrentes das cooperativas não são elas, mas sim os demais participantes do mercado. Quando chegarmos lá a intercooperação se fará mais presente. O cooperativismo precisa aprender a conjugar o verbo na primeira pessoa do plural, o nós e não o eu. 

Quais são as expectativas para o cooperativismo de crédito daqui para frente? A Confebras tem alguma meta a alcançar?

A meta da Confebras é trabalhar para os atuais cooperados vivam o cooperativismo vinte e quatro horas por dia, e a partir disso, trazer para junto deles seus parentes e amigos. O cooperativismo tenderá a crescer muito nos próximos anos, não tanto pelos preços que tenderão a serem iguais no mercado, mas muito mais pela filosofia. As pessoas, a partir dessa pandemia, com certeza aspiram muito mais a qualidade de vida e a felicidade, qualidades existentes na essência do cooperativismo.


Por Fernanda Ricardi– Matéria publicada na Revista MundoCoop, edição 100



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