Cooperativas e Transição

Publicado em: 29 outubro - 2021

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O mundo vive uma gigantesca transição, fundamentada na mudança da Economia Tradicional para uma Economia Limpa ou Verde, cuja característica central é a redução de emissões de Carbono (descarbonização) e outros gases de efeito estufa (GEE), e sua influência nas questões climáticas. 

Todas as atividades serão afetadas por essa transição profunda e rápida, e quem não se aperceber disso acabará “tragado” pela onda avassaladora que vem chegando. 

Esse temário será objeto da COP 26 que acontecerá em novembro em Glasgow, na Escócia, com o debate sobre mudanças climáticas, quando se discutirá a estruturação e o funcionamento do mercado de carbono. 

Devemos estar muito atentos a esse assunto, porque os desafios do mundo tropical, onde estamos, são muito diferentes dos da Europa, Estados Unidos e outros países do Hemisfério Norte. Lá o problema está na conversão energética e no transporte. Ambos precisam ser “limpos” porque ainda dependem fundamentalmente de fósseis, como petróleo, carvão e gás. Nossa matriz energética já é 48% renovável, com base em hidrelétricas, biomassa, fotovoltaica e eólica. A matriz energética dos países desenvolvidos tem apenas 14% renovável. Além disso, nosso sistema de transporte tem a forte presença de combustíveis renováveis, como o etanol de cana de açúcar (que emite 11% do GEE emitido pela gasolina), pelo etanol de milho e pelo biodiesel de soja ou de outras matérias primas (como o sebo bovino ou a palma) que emitem menos de 20% do que emite o diesel de petróleo. 

Nosso problema é de outra natureza, como uso do solo, o combate a ilegalidades como o desmatamento ilegal, ou a não aplicação de legislações importantes como o Código Florestal.

Por isso temos que ficar atentos às métricas que serão colocadas por UE, USA e outras potências estrangeiras: não podemos aceitar goela abaixo as que eles quiserem impor, como por exemplo na pegada de carbono na fronteira. Precisamos desenvolver nossas próprias metas e métricas com rigor cientifico para discutir o tema em igualdade de condições com eles. Ou seremos engolidos pelos argumentos que virão a luz.


Por Roberto Rodrigues, Coordenador do Centro de Agronegócio da FGV – Artigo publicado na Revista MundoCoop, edição 102



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