Cooperativas estão atentas à saúde emocional dos funcionários

Publicado em: 29 outubro - 2021

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Frimesa

As iniciativas, desenvolvidas no ambiente organizacional, impactam diretamente tanto o aspecto individual, afetando a qualidade de vida das pessoas, quanto coletivo, potencializando o rendimento das equipes

Compreender como anda a saúde mental e emocional é um exercício que exige olhar para si, a fim de identificar que sentimentos têm dominado a mente. As ações que vêm sendo desenvolvidas, e intensificadas durante a pandemia, demonstram que as cooperativas estão atentas às mudanças na sociedade e empenhadas em apoiar seus públicos internos nesse exame, a fim de lhes proporcionar qualidade de vida.

Antônio César Marini – Gerente de Gestão de Pessoas da Coamo

A equipe de Gestão de Pessoas da Coamo, por exemplo, percebendo que principalmente os funcionários afastados por medida de prevenção à covid-19 poderiam se sentir abalados emocionalmente, criou ações para apoiá-los. Entre elas, ativamente mantendo contato próximo, por meio telefônico, e disponibilizando um canal de comunicação direto com profissionais do departamento, disponíveis para atender também a família do empregado.

Estar aberto ao diálogo é a ação primordial que as organizações podem fazer pela saúde emocional de suas equipes. Em seguida, informar. Quase metade das pessoas passaram a buscar mais informações sobre saúde mental durante a pandemia, revela pesquisa realizada pelo Ipec, no mês de agosto, encomendada pela empresa Pfizer. A Coamo lançou, ainda no início das restrições sociais, uma série de vídeos com profissionais de RH, médicos e diretores, levando informações e dicas sobre como lidar com o novo momento social, laboral e na dinâmica familiar, não só aos funcionários, mas também a seus familiares. E reforçou a capacitação dos gestores, para lidarem melhor não só com os aspectos mentais de suas equipes presenciais e em home office, mas também com sua própria saúde emocional. Os resultados são comemorados pelo gerente de Gestão de Pessoas Antônio César Marini. “Ficamos muito satisfeitos com o retorno dos funcionários, que disseram que as orientações e dicas que nós demos foram muito boas e puderam ser postas em prática”.

O sentimento de valorização no trabalho também é relevante para o afastamento das doenças mentais e desequilíbrios emocionais. Marini entende que, por exemplo, a política de contratações e promoções da Coamo é uma forma de valorizar as habilidades e o desempenho do trabalhador. “Temos um programa de avaliação de desempenho e sucessão e de carreira e, quando surge uma vaga, buscamos preferencialmente, em alguns casos exclusivamente, entre nossos funcionários, valorizando nossas equipes”.

Os efeitos das ações internas de promoção da saúde mental e equilíbrio emocional, são percebidos diretamente no clima organizacional e no desempenho das equipes, afirma Rached Hajar Traya, diretor-presidente do Conselho de Administração da Unimed Curitiba. “Buscamos estimular mudanças de hábitos e comportamentos que impactam na qualidade de vida e bem-estar das pessoas”, declara. Além das ações que a cooperativa médica já realizava nesse sentido, tanto direcionadas ao público interno quanto externo, a pandemia despertou novas demandas. Por exemplo, ao perceber a necessidade de oferecer apoio maior aos médicos cooperados, a Unimed Curitiba passou a disponibilizar atendimento psicológico e psiquiátrico direcionado a esse público. Além dos investimentos em programa de qualidade de vida, voltado aos funcionários, que envolve diversas atividades, desde estímulos à prática de exercícios físicos a encontros com psicólogos e nutricionistas, englobando cuidados com corpo e mente, e de treinamentos especificamente em saúde emocional, que visam inclusive manter a segurança no trabalho.

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Outra iniciativa interessante na cooperativa médica é a realização de pesquisas de Saúde Emocional, que identificam possíveis sintomas depressivos e de ansiedade e permite a compreensão de como anda o bem-estar emocional do público interno.

Para Nathieli Mion, psicóloga organizacional da área de Gestão de Pessoas da Frimesa, cuidar das pessoas está na raiz, faz parte dos princípios da cooperativa e em especial compõe a missão de seu departamento. Uma equipe multidisciplinar realiza ações com esse propósito, tanto especificamente ligas às campanhas nacionais Janeiro Branco, que trata da saúde mental, e Setembro Amarelo, de combate ao suicídio, quanto em todos os outros momentos que envolvam o tema saúde do trabalhador, apoiando um amplo atendimento físico e psicossocial.

O tema saúde mental também permeia campanhas internas na Castrolanda. O assunto é discutido nos canais de comunicação, em palestras e em roda de conversa, visando conscientização da importância da atenção aos sinais de que a mente necessita de mais cuidado. “Entendemos que a saúde física, mental e emocional deve ser sempre prioridade, pois colaboradores saudáveis com certeza estarão mais engajados e motivados a dar o seu melhor”, avalia Fabianne Aparecida de Souza, coordenadora de Gestão de Pessoas da Castrolanda. A cooperativa mantém equipe atenta e as portas dos departamentos de Gestão de Pessoas e de Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA) abertas para acolher os funcionários, auxiliá-los em suas questões emocionais e fornecer acesso a atendimento psicológico.

Eliane Andreani, coordenadora de Recursos Humanos da Capa

Quanto mais conhecemos as relações cooperativas, mais claro fica que o foco desse modelo organizacional é essencialmente o humano. Eliane Andreani, coordenadora de Recursos Humanos da Capal, que junto com Frísia e Castrolanda, integra a Unium, relembra, por exemplo, a expressão de alívio que marca o semblante de cada funcionário ao receber um resultado negativo de covid-19. Um indicativo não só de ausência da doença, mas especialmente do quanto as situações sociais, externas, também mexem com as emoções das pessoas e merecem atenção constante. “Estamos fechando parceria com uma plataforma para consultas com psicólogos online e em 2022 vamos trabalhar com o Programa Felicidade Interna Cooperativa”, revela. “Para ter um bom ambiente de trabalho, com relações positivas, é necessário cuidar das pessoas”, reforça.

Uma peça-chave no processo de escuta e acolhimento do funcionário em suas questões emocionais é o envolvimento das lideranças. “A participação dos gestores é muito importante, pois o RH não conseguiria estar próximo de todos os colaboradores ao mesmo tempo”, comenta Eliane Andreani. “Estamos enfrentando e ainda enfrentaremos algumas consequências da pandemia relacionadas a esgotamento emocional, o que faz que busquemos reforçar nossos projetos e o acolhimento de nossos colaboradores e principalmente de nossas lideranças”, acrescenta Nathieli Mion, psicóloga da Frimesa.

Os desequilíbrios emocionais e transtornos mentais não surgem subitamente, eles vêm de uma progressão. Por isso, estar atento aos indícios de que algo não vai bem na mente é fundamental para se buscar ajuda no tempo certo, e as empresas podem ajudar nisso. O mais relevante é que todas essas iniciativas, asseguram os representantes das cooperativas, não são pontuais e devem inclusive ser ampliadas em futuro próximo. O que essas ações [de promoção da saúde mental e emocional] precisam ter em comum é a valorização do humano no ambiente organizacional, inclusive na própria elaboração das propostas, das quais todos precisam participar”, orienta Karine Wlasenko Nicolau, psicóloga e professora doutora do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Karine Wlasenko Nicolau – psicóloga e professora doutora do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)

A professora explica que é importante os responsáveis ouvirem as pessoas envolvidas para reconhecer as realidades e necessidades de cada um, pois ações impositivas, ainda que tenham boas intenções, tendem a não se legitimar nas organizações e não produzir os efeitos desejados. “É imprescindível que a saúde mental seja inserida de modo contínuo e permanente nas organizações, por meio de ações que estimulem a criação desses espaços de diálogo e de convivência”, recomenda.

Os sinais de atenção

O médico psiquiatra Gustavo Sehnem indica que cuidar da saúde emocional e mental é promover equilíbrios. Isso se alcança com medidas simples, como uma boa noite de sono; a prática regular de algum exercício físico (o corpo é uma máquina que necessita de movimento, que ajuda regular os neurotransmissores cerebrais como serotonina, dopamina e endorfina); evitar excesso de ociosidade (que pode gerar ansiedade, ao passo que atividades produtivas levam a um sentimento de realização); e igualmente relevante é manter uma rotina; ter alguma atividade de lazer; momentos com a família e investir em alimentação equilibrada.

Também é importante atenção a indicativos de que a mente pode não estar bem, como alterações no sono (excesso ou falta); irritabilidade; desprazer em atividades de que gostava; alteração no apetite; diminuição de libido; pensamentos negativos; sentimento de desesperança. Se esses sinais forem persistentes ou começarem a trazer prejuízo à rotina, é preciso ajuda profissional, de psicólogo ou psiquiatra. Afinal, como declara a Organização Mundial da Saúde, não há saúde sem uma mente saudável.


Por Nara Chiquetti – Matéria publicada na Revista MundoCoop, edição 102



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