CoopTalks Perspectivas: transformação a partir de novos paradigmas

Publicado em: 03 maio - 2022

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A segunda edição do evento alcançou recordes de audiência e impulsionou um verdadeiro movimento de mudança, dentro e fora do cooperativismo

Sendo um marco pela luta por equidade de gênero, o Dia Internacional da Mulher foi oficializado pela ONU em 1975 e até hoje segue representando muito mais do que apenas uma data comemorativa. 

Essa importante data é celebrada desde o início do século 20, quando diversos protestos de mulheres ecoaram pelos Estados Unidos e Europa reivindicando melhores condições de trabalho e igualdade de direitos. 

Atualmente, esse dia nos faz um convite à reflexão enquanto sociedade e, mesmo com muitos debates e questionamentos pela frente, os espaços já conquistados por elas, tão legítimos, merecem todo holofote. 

Nesse contexto, o movimento cooperativista se posiciona como um importante aliado. Em 2020, as mulheres representavam 40% dos mais de 17 milhões de cooperados. Um aumento de 2 pontos percentuais em relação ao ano anterior! Ao analisar a distribuição por gênero nos sete ramos do cooperativismo, a representatividade feminina ganha destaque no segmento Saúde, alcançando mais da metade dos cooperados do ramo: 53%. Além disso, o Ceará ocupa a posição de estado em que a participação das mulheres no número de cooperados supera à masculina, correspondendo a 56% do quadro social. 

VALORIZAÇÃO DO MOVIMENTO 

Pensando em homenagear essa data importante, impulsionar o protagonismo feminino em diversas áreas e promover a troca de conhecimento sobre os maiores temas da atualidade, a MundoCoop realizou no dia 08 de março a segunda edição do CoopTalks Perspectivas.  

Totalmente online, o evento reuniu mulheres, de dentro e fora do cooperativismo, para debater sobre os principais assuntos do ano, buscando trazer pautas fundamentais para a construção de uma sociedade mais cooperativa e promissora. Pioneiras, ícones de negócios, especialistas e, acima de tudo, empreendedoras que estão na vanguarda dessa transformação global pela qual o cooperativismo está passando. Mulheres que, por potencial e experiência, fazem acontecer todos os dias! 

Foram quase 3 mil inscrições, com um pico de quase 2 mil pessoas acompanhando os debates ao vivo; e mais de 3 mil visualizações. Através da plataforma oficial do evento, pelo LinkedIn e pelo Youtube, pessoas do Brasil – e fora dele também – puderam conferir esta conversa que instigou a busca por soluções para o mundo contemporâneo, além de estimular um novo olhar sobre os processos e dinâmicas nos dias atuais. 

Tendências sobre futuro, economia, cultura, empreendedorismo, inovação, sustentabilidade, transformação digital e muito mais foram discutidas de forma única e dinâmica.  

Confira um pouco do que aconteceu na 2º CoopTalks Perspectivas, que contou com a apresentação de Douglas Ferreira, diretor da MundoCoop. 

TRADIÇÃO E TRANSFORMAÇÃO 

Iniciando a manhã de palestras, o palco recebeu a CEO da Swan Hoteís, Gabriela Schwan. Em ‘A representatividade da mulher no mundo dos negócios’, ela trouxe um case sobre o negócio familiar do qual faz parte, traçando um panorama sobre os desafios de conduzir um empreendimento durante uma das maiores crises sanitárias da história. Ainda durante a sua apresentação, Schwan destacou a importância de trazer um olhar mais humanizado para o mercado de trabalho, reforçando o compromisso com os clientes e com os colaboradores. 

Em seguida, a Gerente de Relações Institucionais da OCB, Clara Maffia, apresentou algumas das iniciativas do sistema em prol de uma sociedade mais justa e sustentável. Em ‘Os passos do cooperativismo rumo a neutralidade de carbono’, Maffia ressaltou o protagonismo feminino frente às recentes mudanças do mercado de cooperativas, que vem se sobressaindo na busca de fontes renováveis de energia. Além disso, ela destacou o número de mulheres à frente dos projetos, destacando a importância da figura feminina dentro do cooperativismo, onde elas já representaram mais de 50% dos cooperados em alguns ramos, como o de Saúde. Para finalizar, Maffia salientou a importância de estar alinhado com as tendências sustentáveis globais e de acompanhar de perto projetos que busquem uma transformação do setor, reforçando a força do cooperado. “Precisamos reconhecer o trabalho dos nossos cooperados, que estão produzindo diariamente e garantindo o alimento e essa preservação”, afirmou. 

FUTURO EM FOCO 

Continuando o ciclo de debates, o palco do CoopTalks Perspectivas deu espaço para o painel especial ‘O que esperar do futuro?’, que contou com as presenças das futuristas Paula Abbas e Letícia Setembro. Durante o debate, elas destacaram a imprevisibilidade do futuro, que está sujeito à diversas variáveis. Dito isso, Abbas e Setembro evidenciaram o papel do Futurismo, que realiza um recorte das possibilidades, baseada em uma análise do mundo como o conhecemos hoje. Abbas destacou que nos próximos meses diversos temas irão conduzir as conversas, em especial a política, a tecnologia e a ciência. Somado a isso, Setembro abordou a chegada do metaverso, que nada mais é do que um mundo digital criado a partir da cooperação. A reflexão ainda reforçou que as cooperativas devem se atentar a essas mudanças, buscando implementar as novidades que surgem ao longo do tempo. 

Para finalizar, Setembro enfatizou a necessidade de nos colocarmos como protagonistas da mudança, para que dessa forma possamos construir um futuro desejável. É preciso entender as tecnologias que estão surgindo, a relação entre homem e máquina e reconhecer que, como Abbas destaca, as “minorias se tornarão a grande maioria”, transformando a forma como diversas políticas socioeconômicas são construídas. 

ECONOMIA E INOVAÇÃO 

Dando continuidade ao encontro, a consultora financeira Thabata Abreu trouxe para o palco um tema de grande interesse do público. Em ‘Investimentos 2022 – Onde investir em ano de eleições’, Abreu traçou um panorama sobre a importância do planejamento financeiro, que ela destaca como um processo que deve fazer parte da rotina de cada um. Ainda em sua fala, Abreu comentou sobre o cenário político e internacional, destacando as melhores formas de proteger o seu patrimônio, preparando-se para longevidade. Para finalizar, ela apontou a educação financeira como um elemento essencial para a transformação da forma como lidamos com o nosso próprio dinheiro. 

Finalizando a rodada de palestras, o CoopTalks Perspectivas recebeu a Diretora de Ecossistema e Inovação, Thammy Marcato. Em ‘Tecnologia & Inovação: Porque diversidade é importante?’ ela destaca a junção da tecnologia com a humanização, uma forma de ampliar a forma como olhamos para as novidades que surgem diariamente. Marcato ainda falou sobre a impossibilidade de seguir um plano no mundo ágil no qual vivemos, e salientou “Inovação é sobre fazer um novo”. Se soubermos o que iremos fazer, não estaremos criando algo. A inovação vem através da tentativa e do erro. Para concluir, ela evidenciou a importância de alocar conhecimento e capital humano, de forma que a transformação continue em um crescimento exponencial. 

LIDERANÇAS EM PAUTA 

Encerrando a 2º Edição do evento, o palco virtual recebeu um time de lideranças cooperativistas atuantes em diversos setores para falar sobre experiências, o movimento cooperativista e, claro, a importância da representatividade para a verdadeira mudança organizacional e social. Participaram do bate-papo Debora Noordegraf, Suinocultora e Coordenadora da Comissão Mulher Cooperativista da Castrolanda, Camila Luconi, Profissional de cooperativa, professora e coordenadora de curso de cooperativismo, Gleice Morais, Analista de Sustentabilidade no Instituto Sicoob, e Denise Maidanchen, Diretora de Desenvolvimento e Investimentos da Quanta Previdência. 

Iniciando o debate, Denise Maidanchen abordou o papel do cooperativismo na manutenção da longevidade. Em sua fala, ela destaca a dificuldade em manter o mesmo padrão de vida ao longo do tempo, e reforça a importância das cooperativas como motores fundamentais para a garantia da qualidade de vida ao longo do tempo. Maidanchen ainda traz o olhar para o cooperado como algo vital, reforçando aqui a visão feminina sobre os processos, o trabalho educacional contínuo e a reafirmação do propósito, junto aos cooperados. Além disso, ela abordou a sororidade como parte fundamental da mudança do mercado, com mulheres ajudando na criação de novas oportunidades para outras mulheres. 

Em seguida, Debora Noordegraf apresentou algumas das iniciativas da Castrolanda e da Comissão Mulher Cooperativista, criada em 2019. Ao longo dos anos, o projeto se transformou e hoje trabalha efetivamente em diversas frentes que buscam abraçar jovens produtoras, criando experiências e formando novas líderes. Em sua fala, Noordegraf destaca o papel vital desse e de outros projetos, essenciais para a inserção delas no dia a dia das cooperativas. 

Dando seguimento ao painel, Camila Luconi evidenciou o propósito do cooperativismo, através de experiências ao longo de sua jornada. A professora do curso de cooperativismo ainda destaca o papel do movimento, que leva novas oportunidades para cooperados de todo o país. Somado a isso, ela reforça como as mulheres devem buscar e assumir o papel de protagonistas, levando o setor para um novo momento. 

Completando o painel, Gleice Morais começa sua fala ressaltando a importância de reconhecer as problemáticas do mercado em relação a gênero, para que haja um verdadeiro progresso relacionado a esta pauta. Dentro das organizações, as mulheres chegam a um cargo de gestão, mas posições acima ainda são restritas. Porque isso ocorre? A partir desta pergunta, é possível criar formas de mudar este cenário, criando oportunidades reais dentro das cooperativas e do mercado como um todo. É preciso ver os resultados dos projetos e práticas em ação, e analisar se essa mudança realmente está acontecendo. 


Por Fernanda Ricardi & Leonardo César – Matéria publicada na revista MundoCoop, edição 105



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