Glasgow

Publicado em: 17 dezembro - 2021

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A COP26 realizada em Glasgow-Escócia para discutir as ações que a Humanidade deve tomar tendo em vista a descarbonização da atmosfera terrestre para reduzir o aquecimento global, teve uma boa participação do Brasil.  
Com a imagem arranhada lá fora, sobretudo em função do aumento do desmatamento na Amazônia, chegamos na COP com a moral baixa. Mas com uma atuação proativa na direção de resultados construtivos, saímos de cabeça erguida. 

Em termos… 

Através do Governo Federal, firmamos, juntamente com dezenas de outros países, 2 compromissos muito sérios: um deles voltado para a eliminação do desmatamento e outro pela redução de emissões de metano. São temas que gerarão gastos substanciais para o agro brasileiro, mas era politicamente indispensável assumi-los.  

Também foi positiva a atuação dos nossos Ministros do Meio Ambiente e de Relações Exteriores no encaminhamento da criação do Mercado de Carbono. Embora a sua institucionalização tenha ficado para 2022, ficou claro o interesse legítimo que o país tem no tema, que pode inclusive gerar renda para os produtores rurais. Mas isso vai depender de muita negociação ainda: quem vai cuidar desse mercado com poder para punir os faltosos, que métricas serão utilizadas para definir metas e programas, como, enfim, vai “funcionar” o mercado, seja entre países, seja no setor privado? Nosso futuro pode ser bom ou ruim, dependendo dessas conversas. Por isso é essencial ficar atento aos acontecimentos. 

E tem um assunto muito mais sério, o risco da questão ambiental, tão importante, ser usada como desculpa ou disfarce sob a forma de barreiras não tarifárias ao comércio internacional. Ou seja, o meio ambiente virar protecionismo.  

A Europa pensa em criar uma regra proibindo importar o que for produzido em área desmatada a partir de dezembro de 2020, mesmo que legalmente. Seria péssimo para nós, que teríamos um trabalho insano para comprovar datas de desmatamento, entre outros custos. Felizmente o governo está atento a isso, mas o setor privado precisa estar muito mais, sobretudo o cooperativismo, que, aliás, teve ótima presença em Glasgow, via OCB.


Por Roberto Rodrigues, Coordenador do Centro de Agronegócio da FGV – Artigo publicado na Revista MundoCoop, edição 103



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