Internacionalização: A porta da frente para o mercado

Publicado em: 05 julho - 2016

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Ver o mercado internacional como alternativa para minimizar crise no mercado interno é um costume brasileiro que traz benefícios, mas que pode
ser inviabilizado se não for realizado com os devidos cuidados.

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Evaldo Alves, professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV/EESP)

O mercado internacional está aberto a todos os que o buscarem com seriedade e comprometimento, independentemente do porte da cooperativa ou empresa. Evaldo Alves, professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV/EESP), em São Paulo (SP), ressalta, inclusive, a boa aceitação de pequenas e médias organizações: hoje, 40% das exportadoras são de pequeno e médio portes, percentual que pode crescer caso os empreendedores brasileiros deixem de ter receio da internacionalização, informem-se e passem a conhecer os mecanismos.

Mesmo assim, o mercado internacional, devido às peculiaridades, não é uma porta por onde se entra e sai incolumemente e quando desejado. Atuar no mercado internacional é uma postura empresarial com riscos e vantagens, que exige planejamento, investimento e atenção contínua.

“Com o dólar alto, as exportações acabam sendo uma alternativa para as empresas e cooperativas, mas este não deve ser o único fator para a busca dos mercados internacionais. A Apex-Brasil trabalha para que as empresas tenham uma estratégia permanente de comércio exterior, dedicando um percentual de sua produção ao mercado externo, e isso demanda preparação. As empresas que exportam, automaticamente, tornam-se mais competitivas no mercado interno. Logo, estar no mercado internacional as torna organizações com maior estabilidade econômica e menos suscetíveis a oscilações econômicas do país. Assim, pensar em exportar, não somente neste momento, é fundamental”, comenta Christiano Braga, gerente de Exportação da Apex-Brasil, Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos que atua para promover os produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira.

 

Eficiência e produtividade

Entre os pontos mais sensíveis estão o conhecimento dos mecanismos de inserção internacional e a organização da empresa e da cooperativa para se relacionar com clientes internacionais. Alternativa sinalizada por Alves envolve parceria com grandes empresas tradicionais exportadoras. Com isso, “reduz-se o investimento na conquista do mercado e na estruturação da cooperativa para alavancar vendas internacionais, como treinamentos, formação de quadros e atenção ao câmbio”.

É fundamental investir em eficiência e produtividade, pois quem compra, busca qualidade e melhor preço. Além disso, quem exporta deve saber se ajustar à necessidade específica do comprador e conhecer a legislação do país de destino, cumprindo, muitas vezes, exigências que no mercado nacional parecem descabidas ou exageradas.

Alves ressalta que eficiência e produtividade – aliadas à flexibilidade na locação da produção – são o grande salto para o mercado internacional. Vários países latino-americanos estão fazendo isso com sucesso, a exemplo do Chile – “que é referência nessas ações”, garante Alves – e mais recentemente México, Peru, Colômbia, que, inclusive, montaram a Aliança do Pacífico para atingir o mercado da Ásia.

A conquista de produtividade e qualidade exige ação efetiva das empresas interessadas na internacionalização. Mas a isso, no Brasil, soma-se vencer um costume inadequado, conhecido como paternalismo e que se materializa em subsidio governamental, por exemplo, que permite a prática de preços competitivos, mas cria outros problemas, como críticas e ações da Organização Mundial do Comércio (OMC) ao preço e ao sistema produtivo brasileiro, além da entrega de produtos com qualidade abaixo da exigida internacionalmente.

Exportar é uma atividade empresarial e competitiva, que deve ser praticada pelos atores inseridos no mercado. Isso não significa que o governo se mantenha completamente à margem. O governo não tem de fazer pelos exportadores, mas para os exportadores, sejam empresas ou cooperativas.