Novas tendências de consumo abrem o mercado para as cooperativas

Publicado em: 11 março - 2022

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Que fatores você leva em consideração no momento de comprar um produto? Apenas a marca? O preço? No Brasil, esses dois itens continuam importantes durante o processo de compra. Mas um terceiro item tem ganhado cada vez mais espaço: a ética na cadeia de produção. 

Segundo uma recente pesquisa da OpenText, 72% dos consumidores brasileiros deixariam de comprar de uma marca se ela trabalhasse com fornecedores antiéticos. Além disso, a mesma pesquisa aponta que 96% dos consumidores priorizam empresas que deixam claras as suas estratégias de compra ética. 

Quais motivos tornaram este tema um fator decisivo? Tal cenário tem se tornado cada vez mais presente no Brasil, forçando empresas a mudarem sua postura se quiserem sobreviver ao novo status quo. E neste contexto, as cooperativas tem uma grande oportunidade. 

Momento de mudança 

Os resultados da pesquisa são um reflexo das últimas décadas do mercado nacional e internacional. Após décadas – e séculos – de negócios tomando quaisquer atitudes em busca do lucro, o consumidor decidiu dar um basta. Hoje, ser ético vai muito além dos materiais utilizados em seus produtos. A ética também está presentes nos processos – de um extremo ao outro, na cadeia de produção. 

Para Roberto Regente, vice-presidente da OpenText para América Latina e Caribe, tal mudança remete há décadas passadas, e tem ficado em mais evidência no momento. “A mudança do olhar do cliente para o que tem consumido já vem mudando há anos. Cada vez mais, as novas gerações buscam empresas com compromisso social, ético e ambiental. A preocupação de validar a marca ou se a empresa trabalha com uma cadeia de suprimentos ética tem sido ainda maior entre os consumidores da geração millennials e da geração Z. Mais do que nunca, as pessoas estão atentas ao que a marca está fazendo”, destaca. 

Roberto Regente Jr., vice-presidente da OpenText para América Latina e Caribe

Não se sabe ao certo o momento exato da “mudança de chave”. Mas é fato que nos dias atuais, uma simples compra significa muito mais do que o ato propriamente dito. Cada produto possui uma bagagem. Processos e decisões tomadas para que ele chegasse à prateleira diante do consumidor. Hoje, tais decisões entraram no radar do consumidor. E não constatar essa realidade, pode significar o fim de um negócio. 

“A empresas estão sempre muito atentas ao mercado consumidor e tudo o que vem acontecendo no mundo, em relação ao meio ambiente, aquecimento global, diversidade, mão de obra escrava e outros. Casos repercutidos de quebras de confidencialidade, irresponsabilidade ambiental, vazamento de dados entre outros tantos, seja via mídia social ou artigos tradicionais expõem uma marca em específico, fazendo desta um exemplo público das consequências e lembrando a todo mercado que que não existe impunidade, seja está sob forma de processos legais, erosão de marca ou eventualmente perda de participação de mercado ou até falência”, Regente ressalta. 

Ética em todos os contextos 

Uma tendência que cada vez se faz mais presente, a ética na cadeia de produção não se limita aos alimentos. Porém, o setor agro e o mercado de alimentos se revelam como um ótimo case para entender este novo cenário. Afinal, os impactos ambientais da produção de alimentos já foi um grande problema. E nos dias de hoje, depois da busca por diversas soluções, temos uma produção que se revela mais sustentável a cada ano. 

“O setor agro é importante para o Brasil e para o mundo, e assim como empresas de outros segmentos, já percebeu que precisa investir em iniciativas sustentáveis para se manter competitivo. Muitos países exigem selos que mostram a origem sustentável e orgânica, e os alimentos/produtos passam por processos rigorosos de qualidade. Cada vez mais a questão ética e sustentável vai liderar o mercado de consumo e as empresas deverão seguir este movimento, que também tem ganhado força entre os investidores”, destaca Regente. 

Diante deste cenário, olhar para todos os processos tornou-se primordial. Não apenas os processos diários no campo ganham uma grande importância, mas entender e observar a atuação de todos os colaboradores é essencial para que um produto seja efetivamente produzido através de práticas éticas. 

Um futuro de oportunidades 

Neivor Canton, Presidente da Aurora Coop

Com essa mudança de posicionamento do consumidor, uma gama de oportunidades se abre para as cooperativas, que desde a sua essência possuem processos mais humanizados e sustentáveis. Para Neivor Canton, Presidente da Aurora Coop, a transformação do olhar da sociedade sobre os processos e produtos, representa um vasto campo de possibilidades para o setor. “Essa mudança de comportamento favorece as cooperativas na medida em que – pela experimentação ou pelas ações comunicacionais – o consumidor passa a perceber que as cooperativas são empresas cidadãs, que não subordinam princípios e valores à cega busca pelo lucro”, ele destaca. 

Neste cenário, mostrar as cooperativas como uma alternativa é essencial. Com processos éticos desde a sua origem, o setor se firma como o principal protagonista de um futuro onde produtos terão que seguir os valores éticos que o consumidor busca. Diante deste contexto, as cooperativas devem observar atentamente, para que se firmem como empresas eticamente conduzidas. 

“É da natureza das cooperativas atuar de forma ética internamente e em todas as fases de produção, nas etapas que envolvem cooperados, empregados, fornecedores e outros stakeholders. Da mesma forma, apesar da natural hostilidade e agressividade do mercado, é primordial manter uma atitude ética em disputas comerciais nas esferas nacional e internacional. A perseverança nessa conduta vem sendo percebida pelas comunidades, pelas instituições e pelos consumidores”, conclui. 

A ética na cadeia de produção veio para ficar. Tal tendência já dita o posicionamento do mercado, e continuará a se moldar como o único cenário possível para o futuro próximo. Com isso, continuar a acompanhar este tópico é primordial para as cooperativas, que possuem neste novo mercado uma oportunidade de ouro para que coloquem como a principal opção para o consumidor. As cooperativas já trazem a conduta que o cliente espera – agora, é chegado o momento de mostrar para o mundo esta realidade. 


Por Leonardo César – Matéria publicada na Revista MundoCoop, edição 104



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