O Cooperativismos na Gestão do Amanhã

Publicado em: 29 outubro - 2021

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O Cooperativismo é o regime mais virtuoso da Nova Economia.

Desde que conheci o Cooperativismo em profundidade, institui essa visão como uma das perspectivas mais claras acerca do regime cooperativista. Essa sentença não está lastreada em uma opinião pessoal ou uma predileção especial pelo modelo. Na realidade, é fruto de pesquisas e estudos realizados em profundidade sobre o ambiente empresarial aliado a centenas de Workshops e palestras apresentadas a organizações do setor nos últimos anos.

O regime Cooperativista atende a demandas claras da sociedade que clama por companhias que sejam capazes de equilibrar a geração de dividendos financeiros com criação de valor social. Um dos artefatos dessa perspectiva é a relevância que a agenda ESG recebe de todos os agentes sociais (inclusive os financeiros).

Além disso, testemunhamos a valorização do desenvolvimento de ambientes colaborativos, pautados em cooperação já que indivíduos, crescentemente, postulam um papel de protagonismo na gestão e condução dos negócios. Está pacificada a visão de que cooperar gera resultados concretos superiores em relação a ações isoladas.

Oras, se o Cooperativismo atende a esses requisitos – e outros, então está claro que o regime tem todas as condições para florescer, prosperar e crescer de forma acelerada, correto?

Humm…Nem tanto.

A despeito da visão favorável acerca do modelo é imperativo entendermos que é necessário revisitarmos as estruturas dos sistemas de gestão das Cooperativistas visando tornar esses negócios alinhados com os desafios da atualidade.

Nos últimos anos, o mundo tem passado por uma revolução sem precedentes. Se por um lado, a evolução tecnológica tem gerado rupturas importantes nos comportamentos das pessoas e até no modo de vida de todos, o COVID veio a acelerar esse processo em um caminho que não tem mais retorno.

Como não poderia ser diferente, os movimentos de descontinuidade impactam diretamente o mundo empresarial, contexto em que estão inseridas as Cooperativas que se veem as voltas com desafios inéditos a começar pela explosão do nível de concorrência em todos os segmentos que atuam.

Desse sistema, emerge com força a necessidade de adotar a inovação como imperativo estratégico já que a velocidade das mudanças demanda o desenvolvimento de novas estruturas e projetos mais adaptados a essa nova realidade.

Inequivocadamente, esse é um dos maiores riscos ao Cooperativismo. Como trata-se de um segmento tradicional, pautado por um regime consolidado há décadas, toda estrutura cooperativista foi concebida tendo como fundamentos um mundo que não existe mais. Com isso, essas organizações correm o risco de serem presa fácil para empresas mais ágeis que estão avançando nos negócios em todos os setores com alta preponderância de Cooperativas como as áreas financeira, agro, saúde e mobilidade.

É chegada a hora de todo segmento se mobilizar e, com muita coragem e humildade, rever suas estruturas e modelo de Governança com vistas a adequar esses sistemas a uma nova realidade que demanda agilidade e assertividade na tomada de decisões. Temos testemunhado organizações muito conectadas com seus Cooperados composta por colaboradores competentes e comprometidos que, no entanto, tem perdido espaço em seus negócios por não serem capazes de responder com velocidade as demandas desses mercados.

Como comentei na abertura desse texto, o Cooperativismo é o regime mais virtuoso da nova economia. É mandatório a união de todos os agentes do sistema para que, juntos, se apropriem das oportunidades derivadas dessa perspectiva sistêmica e reinventem o modelo questionando as estruturas atuais.

Essa reinvenção nunca deve significar a ruptura com a essência do Cooperativismo. Nunca. O êxito de qualquer Cooperativa está atrelada intrinsecamente a sua convicção de respeito aos valores cooperativistas. O caminho para futuro parte do respeito a essa essência aliado ao compromisso com a sustentabilidade futura do setor.

Teremos uma nação mais próspera, inclusiva e sustentável na medida em que tivermos Cooperativas crescendo e evoluindo seu negócio. Mais do que uma proposta de negócios. A reinvenção do Cooperativismo se reflete em uma proposta social.


Por Sandro Magaldi, Co-fundador do meuSucesso.com uma das principais plataformas focadas em empreendedorismo do Brasil e considerado um dos maiores experts em Gestão Estratégica e Vendas do país.

Artigo exclusivo publicado na Revista MundoCoop, edição 102



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