O futuro do agro no Brasil e a influência das cooperativas

Publicado em: 17 dezembro - 2021

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A segunda edição do CoopTalks Agro impulsionou as discussões sobre o cooperativismo e o agro brasileiro e traçou as tendências para o setor

O mundo continua sentindo as consequências da pandemia que, entre muitas coisas, chamou atenção de todos para a questão da fome. E é nesse cenário que o agro ganha um grandioso e merecido destaque.

E quando falamos em agro não podemos deixar de ressaltar o quanto o Brasil representa. E mais! O quanto as cooperativas são importantes. São elas que estão garantindo a segurança alimentar de todos, estão na base do desenvolvimento das comunidades, estão gerando trabalho e renda e impulsionando o futuro sustentável do mundo.

Hoje, o Brasil conta com quase 2 mil cooperativas agro espalhadas pelo país que representam mais de 992 mil cooperados. Entre as 100 maiores empresas do agronegócio brasileiro, o cooperativismo está presente e o número de cooperativas se torna cada vez mais expressivo.

O sistema cooperativista já é responsável por 54% de tudo que é produzido no agro brasileiro. E a perspectiva é crescer ainda mais. Afinal, o agro não para e muito menos as cooperativas, certo?

E foi diante desse impressionante contexto que nos instiga a falar, pensar e repensar o agro no Brasil e no mundo, que a MundoCoop realizou, no dia 29 de novembro, a 2º edição do CoopTalks Agro!

Em formato totalmente online e gratuito, o evento reuniu especialistas, personalidades e cooperativistas, para antever as tendências e perspectivas no agronegócio. Foram 4 horas de conteúdo, mais de 7 mil inscrições e 21 mil visualizações. Além disso, o CoopTalks Agro bateu recorde de participação de cooperativas, com mais de 490 presentes no evento.

O evento, apresentado por Luís Cláudio Silva, Diretor da MundoCoop, contou com a abertura de Márcio Lopes de Freitas, Presidente do Sistema OCB. Em sua fala, ele parabenizou o destaque das cooperativas agro, e ainda ressaltou a relevância de atuarmos em prol das pessoas que acreditam no cooperativismo.

Em seguida, o palco virtual recebeu Marcos Fava Neves, Professor na USP e FGV. Sua palestra “10 comentários para 2022” evidenciou as oportunidades no mercado de alimentos, e a importância de as cooperativas acompanharem os movimentos mundiais, incluindo riscos climáticos e novos players. Para concluir, ele destacou que o setor deve se atentar as novas tendências, como o 5G. “Avancem com as cooperativas, para entregar a tecnologia 5.0 aos produtores e, assim, evitar desperdícios”, ressaltou.

Após isso, Márcio de Andrade Madalena, diretor do Departamento de Cooperativismo e Acesso a Mercados do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), trouxe seus comentários sobre a facilitação do acesso ao mercado, com a capacitação de cooperados e a atuação das cooperativas neste sentido. Madalena ainda destacou a necessidade de se voltar para tópicos como logística e marketing, e principalmente, para os desafios trazidos pela comunicação, item que merece plena atenção das cooperativas.

Continuando o ciclo de palestras, o CoopTalks Agro contou com a participação de Maria Flávia Tavares, Economista e Dra em Agronegócios. Em sua fala “A Financeirização do Agronegócio e o Impacto nas Cooperativas”, ela destacou as mudanças no cenário de crédito agro nas últimas décadas. Entre os pontos discutidos por ela, esteve o aumento da demanda por crédito, que alavancou o surgimento de alternativas no setor privado. Para os próximos anos, ela destacou a importância da agenda sustentável, e como essas diretrizes irão ditar quem conseguirá obter incentivos e ofertas de crédito rural.

Em seguida, o palco virtual recebeu Renato Girotto, CEO da Brain Agriculture. Com a palestra “Crédito Agrícola – Benefícios do Uso de Dados Analíticos para Concessão”, ele frisou os atuais desafios do financiamento, que incluem a análise de riscos e os impactos ambientais. Além disso, Girotto destacou a importância de digitalizar o processo de crédito agrícola, do monitoramento do campo aos processos de concessão de crédito. ““No final, vencerá quem fizer mais rápido…quem utilizar as tecnologias e ferramentas disponíveis no mercado, para alavancar o potencial do crédito”, afirmou.

Concluindo as palestras, o CoopTalks Agro recebeu Sergio Munhoz Junior, Gestor de Agroindústria da TOTVS. Na palestra “Como as cooperativas ajudam a superar os desafios dos produtores rurais”, Munhoz destacou a inconstância do setor agro, que conta com variáveis climáticas e mercadológicas, resultado em incertezas diárias. Mesmo diante disso, ele destaca que o setor é um celeiro de oportunidades, e que com uma gestão bem estruturada, um trabalho focado na sucessão e o uso da agricultura digital, o agro pode atingir novos níveis. “A agricultura é uma área que permite grandes iniciativas”, finalizou.

Painel Top Coopers

Após o ciclo de palestras, o CoopTalks Agro apresentou o painel “TOP COOPERS”, trazendo a gestão do agronegócio na perspectiva dos presidentes das maiores cooperativas do Brasil. O bate papo contou com a mediação de José Luiz Tejon, professor e especialista em agronegócio, e as presenças de Fernando Degobbi, Diretor Presidente da Coopercitrus; Neivor Canton, Presidente da Aurora Alimentos; Dilvo Grolli, Diretor Presidente da Coopavel e Jorge Possato, CEO da Cooperativa Veiling Holambra.

No painel, os representantes das cooperativas puderam compartilhar um pouco de suas opiniões sobre temas em relevância na atualidade. Entre eles, a sustentabilidade no meio agro. “Produtores e cooperados precisarão conviver com as demandas da sustentabilidade. Precisamos vender as cooperativas com a imagem de sustentabilidade e produtividade, criando iniciativas que cumpram o compromisso do setor”, afirmou Dilvo Grolli.

Em seguida, a mesa redonda discutiu o potencial dos produtores das regiões norte e nordeste, e como o setor pode trabalhar para alavancar os cooperados da região. Para Fernando Degobbi, a intercooperação é o caminho para levar desenvolvimento para essas regiões. “Deve ser um trabalho constante, com a presença da OCB. Devemos entender as cooperativas que lá estão, e buscar políticas públicas que ajudem os cooperados destas regiões”, destacou.

O painel ainda discutiu o mundo da energia renovável, e como eles representam novas oportunidades para as cooperativas. Sobre este tópico, Jorge Possato evidenciou a ligação da produção de flores com o biogás e o biometano. “Este é um projeto relevante. Há resíduos que poderiam estar sendo usados para gerar energia limpa, mas que ainda são descartados. Devemos buscar investimentos para aumentar o número de cooperativas ligados a esse tipo de energia, e buscar formas de viabilizar a logística em torno deste produto”, pontuou.

Por fim, Neivor Canton ressaltou mais uma vez a necessidade de as cooperativas reafirmarem a sua missão, e se atentarem a questões econômicas que as cercam. “Cada cooperativa irá cuidar e viabilizar os seus cooperados, ajudando pequenos produtores a colocarem seus produtos na mesa de clientes do mundo todo. O pequeno produtor precisa ser viável”, destacou. Para isso, articulação e apoio serão necessários para que esse cenário se confirme.

Encerramento

Para encerrar o CoopTalks Agro, o palco virtual recebeu Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócio na FGV. Em sua fala, ele destacou a confiança no cooperativismo, e como isso irá ajudar a expandir o movimento. “O capital social deve ter confiança no cooperativismo. Isso irá possibilitar o crescimento do setor, tornando possível que ele avance”, acentuou. Rodrigues ainda reafirmou que a intercooperação deve ser um objetivo das lideranças cooperativistas, de forma a cumprir os objetivos do movimento: apoio, sobretudo, ao cooperado.

Para conferir ou reassistir aos conteúdos, assista na íntegra o CoopTalks Agro, clicando aqui


Por Fernanda Ricardi e Leonardo César – Matéria publicada na Revista MundoCoop, edição 103



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