Palavra-chave: antifragilidade. Por que este é o momento do Cooperativismo brasileiro?

Publicado em: 02 setembro - 2021

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COLUNA COOP É TECH, COOP É POP

Quando pensamos no momento atual dos negócios do mundo, tendemos a olhar para ele com um alto grau de incerteza e risco pelo que está por vir – diante de umas das maiores crises da história – e isso é normal, mas essa representa uma visão limitada. Não me entendam mal: crises são terríveis, e vem com enormes fardos – o principal do Covid-19 sendo as vidas humanas que carrega consigo. Mas tem algo muito interessante: crises geram um senso de urgência que faz pessoas se juntarem e resolverem problemas até então negligenciados.

Tente dizer o que o David de Michelangelo, os afrescos da Capela Sistina, o Homem Vitruviano do Leonardo, a invenção da estampa por parte do Gutenberg e a invenção da contabilidade e finanças modernas tem em comum?

É que todas essas obras magníficas e inovações vieram durante o período da Renascença, ou “Renascimento” em italiano, que veio após a crise mundial causada na Idade Media pela pandemia da Peste Bubônica que causou a morte de mais de 200 milhões de pessoas. 

O que porém a crise da Peste Bubônica também fez foi que quebrar a dependência de um mundo feudal e pré-aristocrático, através dessa crise que introduziu uma maior movimentação social e o surgimento de uma classe média – que mudou as regras no mundo da arte, da ciência, da tecnologia, da música e da geografia para sempre. 

Agora pule para 1844, em Rochdale, na Inglaterra: o cooperativismo nasceu ai, com os 28 fundadores se unindo para responder aos desafios da mecanização da Revolução Industrial: ela estava forçando mais e mais trabalhadores qualificados para a pobreza, e foi assim que eles decidiram se unir para abrir sua própria loja de venda de itens alimentares.

Notou então que faz parte do ADN do Cooperativismo esta habilidade de fazer frente a crises, através o superpoder da cooperação – habilidade que o economista Nicolas Nassim Taleb, o famoso autor da teoria dos “Cisnes Negros”, definiria de antifragilidade. Veja bem, ser antifrágil não é apenas ter resiliência: este ultimo termo deriva da palavra latina resilire, que significa “voltar ao estado normal”. Não, o Cooperativismo é mais do que resiliente, ele é antifrágil: ele se reforça após as crises, os obstáculos, as dificuldades – igual um osso que se calcifica ainda mais forte após quebrado.

E hoje? Pois bem, hoje é o momento do Cooperativismo antifrágil – e de sua habilidade de resolver os problemas complexos gerados pelo mundo da 4ª Revolução Industrial (que de fato é a transformação digital) e da crise do Covid-19 – desempenhar o papel do inovador e do transformador ao longo dos 7 grandes ramos do cooperativismo. Até porque o historiador israelense Yuval Harari, autor do best-seller Sapiens, aponta para a colaboração como o grande fator-chave do sucesso da espécie humana em momentos difíceis– e, nesse cenário, o modelo do cooperativismo nunca fez tanto sentido quanto agora!

Os dados recentes nos fazem sentir otimistas: segundo dados do Sistema OCB, em 2020 o cooperativismo brasileiro cresceu. O principal indicador social – o número de cooperados – saltou de 15,5 milhões (em 2019) para 17,2 milhões no ano passado – registrando um crescimento de cerca de 11. Também o resultado na geração de emprego foi muito satisfatório, pois houve um ingresso de quase 28 mil profissionais nas cooperativas do país.

Que possa ser um bom (re)começo, e o mesmo auspicio é o que dou para esta coluna “Coop é Tech, Coop é Pop”, que irá explorar a cada edição as principais tendências de transformação digital e inovação no cooperativismo sob o meu olhar atento, prometo. Boa leitura!


Por Andrea Iorio, palestrante, escritor best-seller e especialista em Transformação Digital e Inovação

Coluna publicada na Revista MundoCoop, edição 101



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