Próxima fase: o novo status quo do mercado financeiro

Publicado em: 29 outubro - 2021

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Na última década temos observado uma grande transformação na sociedade. Com novas tecnologias disponíveis em nossas mãos, hoje o ser humano é capaz de criar soluções para a maior parte de seus problemas. Ou até mesmo, todos eles. Tais soluções estão surgindo nos mais diversos campos, e afetam a forma como nos comunicamos, consumimos, nos divertimos e ainda, como guiamos as nossas vidas financeiras.

Com novas soluções, surgiram novos players no mercado, antes dominado apenas por bancos e instituições financeiras cooperativas. E, num cenário cada vez mais competitivo, as cooperativas estão buscando formas de enfrentar de forma efetiva essa nova concorrência. Mas afinal, será que os reais adversários das cooperativas são apenas os bancos e fintechs?

Na fluidez da era atual, a resposta para essa pergunta é cada vez mais complexa. Porém, as cooperativas já estão desvendando novas formas de navegar um mercado com ainda mais ferramentas, regras e outras variáveis.

Uma nova fase

As soluções financeiras estão presentes durante a maior parte de nossas vidas. E com os novos tempos, novas soluções tem surgido para sanar os problemas da atualidade. Cada vez mais modernas, e focadas em experiência do cliente. As transformações são constantes, e surgem diariamente. Porém, engana-se quem acredita que esta transformação não há novas cartas na manga. Para Romeo Busarello, Diretor de Marketing e Ambientes Digitais da Tecnisa, as mudanças profundas e irreversíveis que o sistema financeiro tem presenciado, são apenas o começo de uma revolução que já está aqui.

Romeo Busarello – Diretor de Marketing e Ambientes Digitais da Tecnisa

“As mudanças no sistema financeiro ainda não começaram. O que vemos hoje, é apenas a ponta do iceberg do que vem pela frente. Para alguns, as fintechs são as grandes concorrentes dos bancos, quando na realidade são as big techs. Porém, tem surgido players com grande força como alguns bancos digitais, diante das novas regulamentações do Banco Central”, afirma Busarello.

Novas regras para novos tempos

Com novas regulamentações, o Banco Central tem sido um grande aliado das mudanças que estão acontecendo no mercado financeiro. As novas regras permitiram uma descentralização do crédito nacional, e hoje fintechs, bancos e instituições financeiras cooperativas trabalham dentro de um cenário cada vez mais digital, fácil e acessível.

E com novas ferramentas como PIX, Open Banking e outros, todos aqueles que estão inseridos nesse contexto estão se adaptando e incorporando essas novas regras, que trouxeram novos ares para a forma como nos relacionamos com nossa vida financeira e as instituições que nos atendem. Apesar deste cenário, as cooperativas tem saído na retaguarda, com um diferencial que as colocam em uma categoria distinta.

“As cooperativas, por sempre terem tido um trabalho de muito significado e propósito, não estão sofrendo diante deste cenário. Mas logo elas terão que mudar os seus negócios e buscar novas oportunidades”, Busarello destaca. Sempre atentas às mudanças a sua volta, as cooperativas tem aliado novas ferramentas aos seus princípios e valores, resultando em um cooperativismo de crédito cada vez mais forte.

Pontos em evidência

Diante de um cenário cada vez mais competitivo, novos tópicos precisaram entrar no radar dos bancos, cooperativas e fintechs. Mesmo com um mundo cada vez mais digital, hoje o cliente – e o bom relacionamento com ele – se tornaram a peça de ouro para o desenvolvimento destas instituições.

“Esses novos players devem se atentar a dois itens: dados e trabalho junto ao cliente. Os grandes bancos sabem trabalhar com dados, e agora as cooperativas também devem se atentar a esse tema”, destaca Busarello. Com esses dados, produzidos diariamente por clientes de todos os tipos, o novo jogo do mercado financeiro se torna cada vez mais acirrado. Com novas opções surgindo a cada dia, nunca foi tão difícil fidelizar a clientela.

Diante disso, a análise de mercado se tornou o tópico do momento. Além de conhecer o seu cliente, conhecer os seus concorrentes se tornou mais importante do que nunca, e a análise de dados entrou como um ponto indispensável para a criação de boas estratégias de negócio. A partir dela, não apenas é possível identificar onde é possível se diferenciar, mas como transmitir isso para o público.

O movimento das cooperativas

Com a análise de mercado tomando o status de fator primordial para o desenvolvimento, as cooperativas estão rapidamente criando as condições para que se mantenham relevantes no mercado, e sobretudo, com um passo à frente de seus competidores.

Para César Bochi, Diretor de Administração do Sicredi, tal acompanhamento de mercado tem relação direta com os altos resultados que o movimento tem obtido nos últimos anos, mesmo diante do cenário econômico frágil, que sofreu ainda mais com a pandemia da Covid-19.

“Efetivamente acompanhamos constantemente os movimentos do mercado, tanto nacional como mundial, para prestar o melhor atendimento aos associados. Esse movimento têm uma relação direta com a digitalização dos serviços financeiros”, afirma Bochi.

César Bochi – Diretor de Administração do Sicredi

A partir do entendimento do mercado onde estão inseridas, as cooperativas tem buscado inovar a cada dia. Sempre pautadas pelos valores e princípios que tornam o cooperativismo único, essas cooperativas de crédito – espalhadas por todo o país – tem conseguido sair na frente quando o assunto é a satisfação do cliente.

Afinal, não basta apenas oferecer o melhor produto. Nestes novos tempos, ter uma preocupação com o cliente tornou-se primordial. Indo além das formalidades, ela busca entender o que o cliente – neste caso, o cooperado – precisa. É nesta aproximação, que se encontra o sucesso das cooperativas neste novo contexto.

“Como temos uma gama muito grande de produtos e serviços, também temos diferentes players concorrendo conosco em diferentes segmentos, mas nosso foco está muito mais em entender como podemos prestar um melhor atendimento, pois é assim que nos mantemos relevantes e competitivos”, Bochi destaca.

Respostas diante de uma mudança

Como Busarello destacou, as transformações que hoje vivemos são apenas o começo. A configuração do mercado financeiro de hoje, não será a mesma daquela que veremos no futuro próximo. Novidades recentes – como o cartão de crédito – estão dando lugar para soluções digitais cada vez mais seguras e eficientes.

Analisando todo esse cenário de mudança, a pergunta que fica é: o que virá a seguir? A resposta mais óbvia seria: não sabemos. A fluidez que o mercado presencia hoje mostra apenas que o movimento de transformação continuará a ocorrer, e os negócios que queiram acompanhá-lo deverão trabalhar para observar de perto essas mudanças. Mais do que nunca, olhar para o todo será a chave para o sucesso da cooperativa, banco ou fintech.

Esta lição de casa, apesar de demandar tempo e equipe, será o diferencial. E as cooperativas que entenderem isso, estarão um passo à frente. “As cooperativas de crédito hoje têm um olhar global, conectado a tudo que a de mais contemporâneo em termos de produtos, processos e práticas, ao mesmo tempo em que atuam localmente, interagindo de dentro com cada comunidade. Acredito que essa seja uma fórmula muito acertada de atuação e um dos segredos do sucesso do segmento”, afirma Bochi.

Preparando-se para o futuro

Diante de tantas mudanças observadas nos últimos tempos, o futuro é cada vez mais incerto. Porém, o progresso virá para aqueles que se prepararem para navegá-lo, independentemente de suas características. Porém, tal missão não deve ser tão complicada, visto a maestria como as cooperativas lidaram e triunfaram diante do cenário que vivemos no último ano. Porém, cautela e preparação deverão estar presentes.

“Hoje, em relação ao mercado, o grande concorrente das cooperativas é o futuro. E não só para as cooperativas, mas para todos os negócios. Diante desse cenário, é preciso monitorar o mercado o tempo todo, e ter equipes estudando tendências e movimentações; vendo empresas que estão surgindo. Assim, será possível direcionar melhor os negócios que serão realizados no médio e longo prazo”, conclui Busarello.

Como levantado acima, acompanhar o mundo além dos muros da cooperativa será cada vez mais necessário. Para isso, é preciso que colaboradores, cooperados e todos os envolvidos estejam engajados nessa busca que adentra um mundo desconhecido. O potencial está lá. Porém, é preciso criar as condições ideais para que seja possível alcançá-lo. E neste quesito, as cooperativas devem continuar a obter sucesso. Afinal, desvendar as tendências e abraçá-las sempre foi a característica do movimento.  E é desta forma, que elas continuarão a navegar por este mercado. Sejam quais for as novidades “desbloqueadas” na próxima fase.


Por Leonardo César – Matéria publicada na Revista MundoCoop, edição 102



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