Qual é a bola da vez em 2021?

Publicado em: 18 março - 2021

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Um novo ano começou e, com ele, a chance de criar oportunidades e soluções para reavaliar escolhas e traçar diferentes caminhos

Colocando à prova a capacidade de se adaptar às mudanças, a pandemia do coronavírus marcou uma era de desafios ao redor do mundo. Negócios e governos tiveram que utilizar da criatividade e perseverança para conseguirem se sobressair em um novo cenário de mercado, que mudou de caras da noite para o dia, e com o cooperativismo não foi diferente.

Protagonizando ações coletivas para gerar empregos, manter rendas e atender seus clientes, as cooperativas reforçaram sua representatividade para a economia do Brasil mostrando mais uma vez a resiliência em momentos de crise. Hoje, mesmo enfrentando percalços pelo caminho, o movimento registrou uma marca impressionante de 15,5 milhões de brasileiros fazendo parte do sistema. Mas afinal, o que esperar do cooperativismo daqui para frente?

Durante esse período de instabilidade, as pessoas descobriram a importância da cooperação e da sustentabilidade, e as empresas que se mantiveram firmes foram justamente as que criaram algo para a sociedade, atuando em prol do desenvolvimento das comunidades. Porém, essas características, que eram encaradas como novas para alguns, já eram exercidas pelas cooperativas desde sua criação. Em mais de 170 anos, o modelo cooperativo vem se atualizando para conseguir seguir as mudanças, disseminando informação, educação e formando gestores para pensar diferente da maioria.  

Diante da pandemia, os principais obstáculos enfrentados vão desde conseguir manter uma boa liderança e um relacionamento humano, até aprimorar a capacidade de inovar, seja externa ou internamente. E no meio dessas descobertas, foi possível perceber que a tecnologia estava muito mais preparada para amparar os negócios do que imaginávamos, mas ela sozinha não gera transformação! O mundo precisou mais do que nunca das pessoas e da cooperação.  

Com alívio, 2020 chegou ao fim. Mas muito se engana quem pensa que 2021 será um ano mais tranquilo. Fazer a economia girar ainda é prioridade e apenas redes de trabalho colaborativos e sustentáveis conseguirão seguir as premissas de uma nova sociedade de consumo.

O ano da superação

Indo na contramão do declínio causado pela pandemia, o movimento cooperativista se fortaleceu em muitos aspectos durante a crise financeira. Os ramos, que passaram por uma nova estrutura e foram reduzidos de 13 para 7, conseguiram maiores resultados e espaços para suas cooperativas, que vem se expandindo constantemente em todos os setores. Atualmente, o Brasil soma mais de 2.522 cooperativas que possuem mais de 20 anos de atuação no mercado e, dessas, 591 tem mais de 40 anos de existência.  

Que 2021 seguirá trazendo muitas oportunidades e adversidades é um fato, mas a principal provocação é a necessidade de manter o olhar atento para conseguir usar os acontecimentos de 2020 como uma plataforma de aprendizado para o desenvolvimento.

E pensando em esclarecer e entender os panoramas dos setores para esse ano, a MundoCoop convidou os coordenadores nacionais e representantes estaduais dos 7 ramos do cooperativismo para fazer uma análise de expectativas e previsões sobre o futuro de cada um deles e, trouxemos também especialistas em suas áreas para discutir as 5 tendências que estarão mais presentes do que nunca no mercado!

As transformações serão inúmeras e os próximos passos são essenciais para conseguir sobreviver no futuro! No final das contas, qual é realmente a bola da vez de 2021?

Confira:

Ramo Agropecuário: O potencial do Agro

Marcado por desafios e aprendizados, o ano de 2020 trouxe a confirmação de que o agronegócio se estabeleceu como uma grande potência para a economia do Brasil. E hoje, mesmo com muitos questionamentos pela frente, a certeza é uma só: estar atento às tendências do ramo em 2021 é fundamental.

Nesse cenário de crise, onde o agro demonstrou sua capacidade de produzir e abastecer a demanda global de forma segura, o impacto das cooperativas foi notório. Além de trazerem mais autonomia e controle para os produtores, elas garantiram uma maior agregação de valor nas produções, impulsionaram significativamente o desenvolvimento do setor – que cresceu por volta de 21% em 2020 – e se fortaleceram como grandes parceiras dos avanços tecnológicos.

Porém, apesar do agronegócio já estar inserido nesse contexto digital, há muitos obstáculos a serem enfrentados nos próximos anos como, por exemplo, a conectividade no campo que ainda precisa ser estudada. Em um sentido macro, as cooperativas agro prometem maiores ganhos com sua representatividade na escala, demonstrando que a intercooperação pode trazer progresso para o mercado nacional e internacional.

Luiz Roberto Baggio, Diretor da Cooperativa Bom Jesus  e coordenador do Ramo Agropecuário

“O Ramo Agro cresceu em torno de 21% no ano de 2020, com faturamento acima de $ 245 bilhões de reais.  Apesar de todos os desafios e complicações, desemprego, retração econômica, novos parâmetros de competição, o desempenho em relação ao resultado também foi bom.  Os parâmetros e propósitos que conduzem as cooperativas agropecuárias, estão em alguma medida alinhados aos pilares discutidos no último congresso de Cooperativismo, Comunicação, Mercado, Representação, Inovação, Intercoopeeração, Governança e Gestão.

Entretanto o profissionalismo na gestão das cooperativas, o planejamento estratégico, a rapidez de adaptação ao novo cenário e os princípios de governança e compliance, turbinaram esse crescimento e habilitam as cooperativas para o futuro.

Em 2021 o crescimento tende a continuar nos mesmos patamares. Com investimentos previstos em torno de 5 bilhões de reais, cenário cambial favorável e exportando para mais de 100 países a expectativa é favorável. Reforço ainda que a intercooperação vem sendo utilizada com maior amplitude, o que possibilita ganhos de escala e aproveitamento mais adequado do modelo de negócio cooperativista, quem ganha com isso é o cooperado e a sociedade. Um cooperativismo agro muito mais preparado e eficiente.”

Ramo Crédito: Cenário positivo

Desde movimentações básicas até as mais complexas, a presença de instituições financeiras sempre foi imprescindível na vida das pessoas e quando o assunto é atender as necessidades da população, o cooperativismo de crédito vem se tornando cada vez mais a melhor alternativa.

Em um ambiente onde todos os correntistas são donos do negócio, o objetivo central não é o acumulo de lucro, mas ouvir e oferecer soluções para o cooperado, estimular o empreendedorismo e promover a educação financeira. Tudo isso com amplas opções de produtos, serviços e condições que fazem com que as cooperativas se destaquem no mercado que estão inseridas.

E, comprovando serem importantes agentes de desenvolvimento social e econômico, as cooperativas de crédito são as únicas instituições financeiras fisicamente presentes em 594 municípios brasileiros. Um dos inúmeros motivos pelo qual o Banco Central tem incentivado o crescimento e valorização desse movimento. Além disso, o setor é composto por 827 cooperativas com registro ativo junto à OCB que, juntas, englobam mais de 10 milhões de cooperados e geram mais de 71 mil empregos. Ainda, os ativos totais do ramo superaram R$ 310 bilhões, em 2019, demonstrando grande capacidade na obtenção de resultados positivos por parte das cooperativas.

Marco Almada, Presidente da Instituição Financeira Cooperativa Sicoob e coordenador do Ramo Crédito

“A atipicidade de 2020 trouxe para o mundo uma condição inédita, com mudanças no cenário social e econômico. Para o cooperativismo financeiro, o contexto nos exigiu resiliência e inovação; no Sicoob, em linha com os esforços gerais, essa situação significou um considerável empenho para amparar nossos cooperados e cooperativas para o enfrentamento das adversidades.

Fizemos esforços para prorrogar dívidas, dar fôlego e não exigir caixa para emprestar; tivemos boas atuações via Pronampe, FGI-PEAC, PESE e PEAC (linhas emergenciais para cooperados e cooperativas), sempre sendo uma das instituições privadas mais ágeis para oferecer esse crédito. Só para o público MPEs, o aumento da nossa atuação foi de 64%, liberando R$ 4,1 bilhões.

É imprescindível que continuemos atuando vigorosamente empenhados na execução de nosso propósito, levando aos nossos cooperados justiça financeira e prosperidade. Porém, não somos desobrigados a oferecermos resultado, então a expectativa para os próximos anos é dobrar o número de cooperados, triplicar a carteira de crédito e a captação, bem como aumentar os índices de cobertura e rentabilidade.”

Ramo Saúde: De olho na recuperação

Como uma das vertentes mais necessárias na sociedade, a saúde – seja pública ou privada – é a responsável por manter o bem-estar e a expectativa de vida da população através de atendimento, acolhimento e orientação, além de ser um direito fundamental previsto na Constituição Federal.

Apresentando mais de 50 anos de existência, o sistema cooperativo de saúde brasileiro é o maior do mundo e referência para todos os países. Apenas as cooperativas operadoras de planos de saúde obtiveram, em 2019, receita superior a 75 bilhões de reais. Nesse mesmo ano, as cooperativas do ramo geraram quase R$ 6 bilhões em salários, benefícios e tributos.

Com a aparição da pandemia do Covid-19, a saúde brasileira triplicou seu alerta e importância e encontrou justamente no cooperativismo de saúde a linha de frente para o combate, adaptação e construção de uma nova realidade. Com isso, o ramo cooperativista, que está presente em 85% dos municípios do Brasil levando saúde de qualidade para a população e já atende cerca de 25 milhões de brasileiros por meio de seus planos de saúde (médico e odontológico), clínicas, hospitais e serviços especializados, ganhou destaque e virou o exemplo da humanização e qualidade que o país precisa.

Orestes Pullin, Presidente da Unimed do Brasil e coordenador do Ramo Saúde

“Em 2020, o Ramo Saúde foi impactado por uma das mais graves crises de nossa história recente, a pandemia do novo coronavírus. Diante dela, vimos as cooperativas empenhando esforços para ampliar sua capacidade de atendimento aos pacientes acometidos pela COVID-19 e garantir as melhores condições de trabalho e segurança às equipes de médicos e demais profissionais que, ainda hoje, travam essa batalha na linha de frente.

É preciso relembrar neste início de 2021 que a pandemia ainda não acabou. Teremos de estar zelosos e atuantes por bastante tempo, provendo serviços excelentes e trabalhando pela conscientização da sociedade.

O cooperativismo tem muito a agregar, pois se posicionará de acordo com a realidade das regiões onde as cooperativas estão inseridas, sendo um suporte fundamental em qualquer ação e debate para a superação deste momento.

Enxergo também que algumas práticas serão fortalecidas no setor de saúde, como o uso de ferramentas de teleassistência, iniciativas de Atenção Primária e o uso de prontuário eletrônico, por exemplo.”

Ramo Trabalho, Produção de Bens e Serviços: Reinvenção na pandemia

Possuindo um importante papel no acesso democrático ao mercado, as cooperativas de trabalho somaram mais de R$ 1 bilhão em ativos em 2019 e possibilitaram melhores condições para a sua rede de apoio. Porém, com o impacto da pandemia, o cenário exigiu uma reestruturação que fez com que o setor encontrasse na inovação e na criatividade, uma forma de continuar atendendo seus clientes com qualidade.

Reunindo forças de treze segmentos, incluindo trabalho, produção mineral, turismo e educação, o ramo precisou se reinventar para conquistar o consumidor e se manter na disputa durante a crise econômica. Para isso, questões como a valorização consumo local, transformação digital, cooperativismo de plataforma e novas estratégias de relação de trabalho, foram e são alguns dos mais importantes fatores para o impulsionar o setor em 2021.

Margaret Garcia da Cunha, Presidente da Fetrabalho/RS e coordenadora do Ramo Trabalho, Produção de Bens e Serviços

“O Ramo Trabalho, Produção de Bens e Serviços teve um dos seus maiores desafios quando a OCB compreendeu que deveria ser realizada uma reestruturação dos ramos. Os 13 ramos se tornaram 7, pois o Ramo Trabalho foi expandido. Dessa maneira, tornou-se o Ramo Trabalho, Produção de Bens e Serviços reunindo cooperativas dos ramos Educacional, Especial, Produção, Mineral, parte do Turismo e Lazer e o Ramo Trabalho.

Outro desafio encontrado seria o monitoramento das cooperativas existentes no ramo, buscando promover qualificação, gestão profissional, inovação e tecnologia. Vimos a importância da promoção dessas ações em decorrência da Pandemia da COVID-19, pois muitas cooperativas tiveram que se reinventar, criar serviços ou adaptar os que já existiam. Como exemplos da adaptação e da resiliência que muitas cooperativas demonstraram, podemos destacar: cooperativas de costureiras deram início a confecção máscaras, cooperativas educacionais introduziram a educação a distância, cooperativas de serviço readaptaram seus portfólios oferecendo serviços de protocolos de cuidados e segurança e serviços especializados em sanitização de ambientes.

Então, quando nos perguntamos “o que será desse ramo em 2021?” precisamos observar o que aconteceu em 2020, um ano que nos pegou de surpresa e nos fez refletir sobre nosso ramo. Convivendo há quase um ano e observando o mercado e a Pandemia, podemos entender que em 2021 teremos mais um ano de restrições e será necessário criar, cada vez mais, novas oportunidades para nos adaptar ao novo momento. Observar o mercado, preparar e incentivar os nossos associados (cooperados) será fundamental.

São as nossas cooperativas que dão a oportunidade as pessoas se organizarem em empreendimentos coletivos gerando renda e trabalho aqueles que desejam. O DNA do Ramo Trabalho e Produção de Bens e Serviço é promover a inclusão das pessoas, garantindo o direito ao trabalho digno e a renda, unindo sempre os valores sociais e econômicos na busca de um mundo mais justo.”

Ramo Consumo: Grandes desafios

Sendo o modelo que deu origem ao cooperativismo em 1844, na Inglaterra, o ramo Consumo, reúne as cooperativas destinadas à compra em comum de produtos e/ou serviços para seus cooperados e possui seis segmentos: serviços educacionais, produtos alimentícios, vestuário e beleza, supermercados farmácias e postos de combustíveis, serviços veiculares e turísticos e outros serviços.

A oferta de produtos com qualidade e preços mais acessíveis está entre os benefícios trazidos pelas cooperativas do setor. Elas que, por sua vez, são conhecidas por movimentarem um ramo que investe constantemente na prática da intercooperação. Apenas em 2019, o cooperativismo de consumo brasileiro devolveu aos cofres públicos do país R$ 330 milhões de reais em tributos. Isso sem contar os R$ 486 milhões alocados com salários e benefícios aos funcionários do ramo. Além disso, a pandemia e o processo de retomada econômica abriram muitas oportunidades para as iniciativas coletivas que, grande medida, se vincularão ao movimento cooperativo e, em especial, ao ramo Consumo.

Marcio Francisco Blanco do Valle, Presidente da Coop – Cooperativa de Consumo e coordenador do Ramo Consumo

“A expectativa pelo enfraquecimento da pandemia, o início da recuperação da economia, dos empregos e a melhora na situação fiscal do país ainda não se confirmou. Mesmo com a chegada da vacina temos ainda muito grandes desafios, além da incerteza de quando efetivamente retomaremos uma atividade mais estável e previsível.

No ramo consumo que opera bens e serviços em atividades consideradas essenciais (supermercados, drogarias e postos de combustíveis), o ambiente não é mais ameno como possa parecer. Há dificuldades com funcionários infectados ou pertencentes a grupos de risco, custos adicionais devido às indispensáveis medidas preventivas, que proporcionem um mínimo de tranquilidade aos cooperados e clientes, restrição à capacidade e horário de funcionamento, entre outras.

O momento ainda exige rigoroso controle do fluxo de caixa, gestão dos estoques, controle das perdas, cuidado com os colaboradores e disciplina na operação, com observância de todas as medidas de prevenção.

Outro desafio é o financiamento das expansões e investimentos, o mercado financeiro está restrito e com taxas ainda elevadas devido ao risco de inadimplência, principalmente de pessoas jurídicas.

A perda de renda disponível e a falta de matérias-primas e insumos também são ameaças, o que, no seu conjunto, tornam o ano de 2021 tão ou mais desafiador do que foi 2020.

Mas, na medida em que sociedade, empresas e setor público trabalhem alinhados no mesmo objetivo de preservar a saúde da população e da economia, acredito que temos, como em toda crise, boas oportunidades de desenvolvimento, com criatividade, comprometimento e agilidade.”

Ramo Infraestrutura: Cenário Incerto

Possuindo a diversidade de atuação como uma das suas principais características, o ramo Infraestrutura representa oito segmentos: água e saneamento, construção civil habitacional, construção civil comercial, desenvolvimento, distribuição de energia, geração de energia, irrigação e telecomunicações. Todos eles indispensáveis para a sociedade e suas comunidades espalhadas pelo país.

Dentre essas atuantes, o ramo pode destacar as cooperativas responsáveis por distribuir e gerar energia elétrica – atendendo mais de 4 milhões de brasileiros apenas com eletrificação rural – e fornecer telecomunicação a mais de 800 municípios brasileiros. Essas que cresceram 3,6% em sua demanda de energia durante a pandemia. Além disso, a construção civil habitacional possui o maior número de cooperativas do ramo e representa 30% do setor. Segmento esse que agrega 1,1 milhões de cooperados e tem ganhado visibilidade no mercado por seus preços mais acessíveis e a alta qualidade de seus empreendimentos.

Jânio Vital Stefanello, Presidente da Infracoop e coordenador do Ramo de Infraestrutura

“O Ramo de Infraestrutura tem boas expectativas para o ano de 2021. Os leilões de energia, estão disseminados nas nossas cooperativas de energia, especialmente derrubando os seus custos e repassando aos seus associados. Observamos cooperativas que diminuíram em torno de 20% os valores pagos pelos seus associados. Esta prática, fortalece o sistema de infraestrutura e aproxima a sua relação com seus associados. 

Na área de geração de Energia, especialmente no Sul, projetos de intercooperação entre as cooperativas, estimularam investimentos em construção de Pequenas Centrais Hidrelétricas, investimentos robustos estão previstos para 2021.

Na área de Telecom, a construção de fibra ótica e uma internet de qualidade, que estão aguardando a aprovação do PL 8.824/2017, oportunizando a criação de Cooperativas de Telecomunicações. Vamos acompanhar a regulamentação e aprovação do congresso nacional do tema da Geração Distribuída, pois entendemos que o sistema tem que ser sustentável, e o pagamento do uso da rede pelos novos geradores, é uma forma de equilíbrio no sistema elétrico.

A inovação é o tema chave para as cooperativas de infraestrutura!”

Ramo Transporte: Novos hábitos

Marcado por sua grande diversidade, o cooperativismo de transporte é um dos ramos que mais cresce no Brasil. E para provar, os indicadores financeiros mostram que não só oferecem melhores condições para seus cooperados, mas também evidenciam seu impacto na sociedade: em 2019, as cooperativas recolheram, junto aos cofres públicos, mais de R$ 210 milhões. Porém, com a chegada da pandemia, importantes reflexões mostraram a necessidade de se adaptarem diante das relevantes mudanças de hábitos de consumo e na relação entre consumidores e organizações.

Sendo dividido em seis segmentos – entre eles bens de fornecimento, transporte individual de passageiros, entre outros – as cooperativas de transporte aproveitaram rapidamente as oportunidades que o isolamento social apresentou como, por exemplo, sua forte presença no delivery e atuando em grandes plataformas de e-commerce. Para 2021, o setor promete buscar novas formas de estratégias de negócio para aprimorar o desenvolvimento e aumentar sua participação.

Tendências da nova era

Muitos encontros, conferências e fóruns acontecem anualmente com o objetivo de reunir representantes e especialistas para traçar novos panoramas e trazer para o mundo as discussões que vão guiar o que está por vir. Temas como inovação, tecnologia e mercado já são velhos conhecidos e encabeçam os direcionamentos do futuro, mas hoje são ressaltados com um viés a mais – e talvez mais importante -, a humanização.

As transformações que estamos vivendo não são frutos apenas do agora. Afinal, além de uma enorme crise, a pandemia do coronavírus trouxe a antecipação de processos. Quem diria que o ambiente online seria definitivo na vida de todos? Que, em pleno capitalismo, as formas de fazer negócio teriam o propósito e a colaboração como principal pilar? Que as alternativas, muitas vezes descartadas ou inimagináveis para um presente próximo, ganhariam foco tão rapidamente?

Uma nova fase global se inicia. As pautas que norteiam empresas, organizações e a população passaram a ser baseadas no imediatismo, ganharam novas origens e estão presentes, acima de tudo, no dia a dia de todos.

No momento, a sociedade caminha rumo a transição do mundo pandêmico e do distanciamento social para o ano da vacina. A realidade não é mais feita de surpresas, mas sim da esperança no que há de novo. Entretanto, os desafios continuam e para que continuemos a enfrentá-los vale a pena questionar o que nos espera.

Para tentar elucidar algumas dessas questões e propor uma reflexão que vai fazer diferença no decorrer do ano, convidamos grandes personalidades para responder a seguinte pergunta: quais as tendências que influenciarão 2021?

Confira!

1. Comunicação: O amanhã é hoje

“Além de apenas salário, cresce em velocidade exponencial a busca por algo mais, ou melhor, a busca por um propósito de vida, pela construção de um legado.

As pessoas precisam entender para onde estão sendo guiadas dentro das organizações. E a melhor forma de se fazer isso é através da comunicação transparente, acessível e verdadeira.

Em especial nesse momento em que vivemos, ao entrarmos no ano de 2021, ainda carregados dos temores, das incertezas e, principalmente, das mudanças trazidas pela pandemia, onde o desconhecido passa a ter mais importância do que o que se sabia até agora, a comunicação contínua se faz necessária para manter e fortalecer a cultura das organizações.

Em relação às cooperativas, a importância se faz maior ainda, pois aqui temos um grupo bem importante, que precisa entender e vivenciar a realidade dessas instituições: os cooperados. Só se consegue o engajamento fazendo-os entender o máximo possível a realidade das instituições. A comunicação é uma das formas mais eficientes de cuidar das pessoas e, em especial, nesse momento, cuidado é o que mais as pessoas precisam.” – Por Elias Leite, Presidente da Unimed Fortaleza.


“Em  2020 nossa atenção foi concentrada na pandemia e nas eleições, e nem percebemos como a comunicação foi impactada. Em 2020 a mídia, como a conhecemos nos últimos 100 anos, mudou radicalmente. De meros espectadores, passamos a produtores de conteúdo, alguns com mais audiência que emissoras tradicionais de rádio e TV. E o cidadão comum se viu perdido num mar de notícias, sem saber em quem confiar ou o que é verdade ou mentira. Informações tiradas de contextos são a nova praga a ser enfrentada. Qual será o caminho? Não vejo outra forma a não ser comunidades de pessoas com interesses comuns, baseadas na confiança mútua. Quando compostas de gente interessada em crescer, essas comunidades transformam-se em ferramentas inigualáveis de curadoria e checagem de informação. É disso que vamos precisar em 2021: credibilidade nas informações. Por isso, cercar -se de outras pessoas com interesses comuns, construindo ambientes capazes de gerir a informação, é a saída.

Agora veja que interessante. Estou falando das pessoas se organizarem em empreendimentos de autogestão de informação? O nome disso não é cooperativismo?

Pois é. Mais uma vez, será a capacidade de reunir as forças que nos apontará um caminho nesta sociedade em transformação.” – Por Luciano Pires, Palestrante Provocacional e Escritor.

2. Intercooperação: Princípios cooperativistas

“Depois de um ano que impôs tantos desafios, o que podemos esperar para 2021? Acredito que, como sociedade, nunca tivemos tanta clareza sobre o papel da cooperação para superar dificuldades e minimizar problemas complexos. Isso fica evidente quando olhamos para a infinidade de projetos colaborativos, redes de cooperação e organizações cooperativas criadas no ano que passou, em todas as partes do mundo. Esse talvez seja um dos principais legados da pandemia: a cooperação como força central para encontrar soluções coletivas para a sociedade. Reelaborando meu questionamento inicial, talvez o correto seja perguntar: o que podemos fazer em 2021? Mais do que esperar, temos a obrigação de cooperar proativamente e buscar oportunidades de intercooperação. Cada organização cooperativa que analisar o ambiente ao seu redor enxergará um mundo cooperativo disposto a compartilhar conhecimentos, potencializar resultados e contribuir com uma sociedade mais justa e dinâmica. Estou convicto de que, neste novo ano, cooperativas, projetos colaborativos e redes de cooperação compreenderão com ainda mais clareza a força da intercooperação.” – Por Douglas Wegner – PHD, Professor na Universidade Unisinos e Membro da Academia da Cooperação


“Eu tenho um sonho de ver o melhor modelo que integra capital com dignidade social e humana formando uma intercooperação mundial. Todas as cooperativas do mundo!

O cooperativismo significa a organização do potencial genético humano a partir de um verdadeiro design thinking. O mundo entrou numa encruzilhada poderosa, onde os valores estão se debatendo e sendo contorcidos. Ou irá prevalecer a solidariedade e a luta, ou o sofrimento da desunião, as dores dos ódios e temores nos torturarão.

Nesta busca através de um design thinking da reinicialização da economia do planeta e da vida no século XXI, a cooperação é a síntese de todas as sínteses. Não faremos nada sozinhos! Em assim sendo, temos um modelo que tem como valor e missão a democracia, o progresso para toda a sociedade e a consciência de jamais deixar de atuar com total convicção na educação dos seus cooperados: o cooperativismo.

Já aprendemos que numa cooperativa o dever da luta é sagrado para não deixar cooperados para trás na ciência, na tecnologia, na gestão, no marketing, no comércio e no valor de todos os valores: o poder da ajuda mútua. Nesse sentido, num mundo que se esfacela com quarentenas e que não vai conseguir crescimento do PIB sem um plano mundial de investimentos e inteligência da sua gestão, não podemos mais não ter e não clamar pela intercooperação mundial de todas as cooperativas.

Mas por que não, as cooperativas de saúde do mundo todo se unindo para ações contra Covid-19? Por que não coops de transporte criando modelos para que nossos caminhoneiros criem suas próprias cooperativas? Por que não coops agroindustriais globais não constroem um suply chain cooperativista onde já temos mercado cliente e consumidor, e por outro lado, criem “joint ventures” para desenvolver regiões onde a miséria e a pobreza inviabilizam a vida humana?

O cooperativismo e a intercooperação serão o ato concreto da vitória da sociedade civil. O futuro pode ser represado, mas cedo ou tarde ele rompe seus diques e traz a nova realidade. E como disse Churchill, “nunca tantos dependeram tanto de tão poucos”. Aqui está um grande momento para líderes cooperativistas alçarem o voo da intercooperação internacional do cooperativismo.

Já existem as condições, só falta darmos juntos um abraço do tamanho da carência da nossa civilização!” – Por José Luiz Tejon, Palestrante especialista em agronegócio e membro do conselho editorial da Revista MundoCoop

3. Sustentabilidade: Busca por equilíbrio

‘No meio de tantas incertezas na cena empresarial brasileira de 2021, pouca gente duvida de que a Governança Ambiental, Social e Corporativa (ESG na sigla em inglês) veio para ficar. A ascensão deste conceito, que substitui a sustentabilidade na ótica do mercado financeiro, surgiu na pandemia como uma nova forma de mensurar sucesso nos negócios.

Como em toda nova pauta, há mais perguntas do que respostas e interagindo com CEOS de sustentabilidade algumas dúvidas se mostram mais frequentes. Uma delas diz respeito aos grandes temas de ESG. Os gestores anseiam por compreender quais grandes abordagens ambientais, sociais e de governança precisam considerar em suas estratégias de negócios.

Conversando com alguns dos mais importantes especialistas em ESG, extraí uma lista de seis grandes temas. Vamos a eles:

  1. Estratégia de talentos com ênfase em gênero e etnia

Os temas de diversidade e inclusão ganharam impulso na pandemia e devem seguir em escala crescente de interesse. Dois recortes tendem a avançar em 2021: o de gênero, na pauta há alguns anos; e o étnico, com déficit histórico a ser preenchido. As empresas serão cobradas a fazer mais em equidade. E a ter compromissos públicos mais assertivos relacionados á sua estratégia de talentos

2. Direitos humanos em toda a cadeia de valor

Episódios como o do cliente espancado até a morte nas dependências do Carrefour em Porto Alegre chamaram a atenção mais uma vez para a nem sempre tranquila relação das empresas com os direitos humanos.  Cada vez mais, as companhias serão instadas a ser mais diligentes, prevenindo e remediando eventuais deslizes em direitos humanos. Em 2011, a ONU lançou uma diretriz para o tema denominada Princípios Orientadores sobre Empresas e Direitos Humanos (UNGP.) O desafio será integrá-los às estratégias de ESG.

3. Novo “cuidar” e a saúde mental dos colaboradores

No auge da quarentena, observou-se o aumento dos casos de depressão, ansiedade e síndrome do pânico entre colaboradores. Empresas mais atentas ofereceram apoio psicológico. Essa situação fez surgir um novo jeito de cuidar da força de trabalho. Mais sistêmico, integrado e atento a dimensões da saúde humana, como a mental, antes não tão valorizadas.

4. Mudanças climáticas no centro das estratégias

Antes complementar, o tema das mudanças climáticas deve ir para o centro da agenda. Só ecoeficiência não bastará para demonstrar compromisso efetivo da empresa com a descarbonização das operações. Os investidores esperam mais. E farão pressão.

5. Energias renováveis e de baixo impacto

Descarbonizar passa necessariamente por mudar a matriz energética. E o esperado é que fontes renováveis como as derivadas da água, do sol, ventos, biomassas, mar, calor da terra e até mesmo do hidrogênio substituam, nas operações empresariais, as fontes originárias de combustíveis fósseis.

6. Engajamento de C-Level e Conselhos de Administração

O cerco dos investidores está cada vez mais apertado. O capital, antes indiferente às informações não financeiras, quer risco baixo e geração ampla de valor. Não aceita mais desculpas de Conselheiros e CEOs.  Como consequência deste quadro, algumas práticas devem ser tornar mais frequentes. Uma delas é a criação de Comitês de Sustentabilidade para apoiar o Conselhos de Administração. Outra é condicionar a remuneração variável a metas de ESG. Isso levará as empresas a elaborarem estratégia de ESG, comunicarem publicamente seus compromissos e adotarem métricas mais rigorosas.” – Por Ricardo Voltolini, CEO da consultoria Ideia Sustentável e fundador da Plataforma Liderança com Valores

4. Educação: Conhecimento é tudo

“A experiência de duas décadas da Yassaka contribuindo com as cooperativas do Brasil, mostra que educação e gestão do conhecimento devem ser alicerçadas por uma cultura de aprendizado constante.

Se a cooperativa tem o foco somente nos resultados financeiros, a eterna fórmula: receita – despesa = lucro, provocará uma gestão baseada em números, metas, campanhas e foco nos produtos, o que empobrece a cultura e gera um ciclo vicioso de campanhas e cobranças. O mais grave é que as atenções não estarão onde deveriam estar.

Se entendermos que o que gera resultado é a fórmula da nova economia: Colaborador comprometido + Associado fidelizado = sobras ou resultado naturalmente atingimos o patamar em que o propósito da cooperativa e o propósito pessoal do colaborador se alinham e ganham força de modo a edificar uma filosofia que se mantém presente na rotina de trabalho e que é capaz de impactar toda a comunidade. Mas para isso, é preciso uma liderança educadora, pois o líder que não sabe educar, ainda não é líder. E é um equívoco achar que a gestão do conhecimento é de responsabilidade apenas da gestão de pessoas. Uma cultura de liderança educadora valoriza os saberes individuais e coletivos promovendo prosperidade e perenidade para a cooperativa o associado e a comunidade!” – Por Kasuo Yassaka, Fundador da Yassaka Educação Comercial


“A educação e o conhecimento sempre foram importantes para o desenvolvimento de qualquer nação. Com as mudanças tecnológicas, onde processamento, transmissão de dados e armazenamento dobram a capacidade de informação rapidamente, a aprendizagem contínua se torna fundamental para acompanharmos essa evolução.

Estar ‘antenado’ e preparado para futuro obriga-nos a uma educação continuada, que consiga manter uma base permanente de conhecimento sobre o mundo, o mercado e a própria cooperativa. O termo lifelong learning (aprendizado ao longo da vida) faz referência a esse tipo de educação.

Ser protagonista de seu próprio conhecimento é de grande importância, e será relevante para 2021.  Por isso é importante pensar: qual é nossa forma de lifelong learning? Que comitês frequentamos? Quais vídeos, livros e cursos fazemos? E o que podemos fazer para nos aprimorar?

O cooperativismo tem que estar atento à sua essência, onde colaboração e responsabilidade com o ecossistema é intrínseco ao sistema, o que facilita muito a gestão do conhecimento. A Univeiling é a nossa plataforma de educação coorporativa, conectando o ecossistema e trabalhando com a colaboração de todos para o desenvolvimento da educação, das competências organizacionais e da gestão desse conhecimento.” – Por Adriana Delafina, Gerente Pessoas e Gestão da Cooperativa Veilling Holambra

5. Cooperativismo de plataforma: Aposta na tecnologia

“A pandemia turbinou o crescimento das plataformas convencionais por conta da demanda por serviços digitais. Por outro lado, ficaram claros seus efeitos adversos, como precarização do trabalho e baixa distribuição da riqueza. Este contexto coloca as cooperativas de plataforma em maior evidência em 2021. Afinal, elas são uma alternativa ao modelo extrativista das plataformas convencionais. 

O movimento no mundo todo está cada vez mais maduro e ciente de que as cooperativas de plataforma só vão crescer com o desenvolvimento de um ecossistema de apoio em torno delas. Assim como as startups, essas cooperativas precisam do apoio de grandes empresas, institutos de pesquisa, órgãos de apoio e legislação adequada. 

A questão do financiamento é uma barreira importante que o movimento precisa destravar este ano, pois esse modelo de cooperativa de base tecnológica precisa de muito capital para começar a operar e gerar um efeito de rede. 

No caso do Brasil, ainda estamos na fase de informar e educar sobre o modelo. Creio que será um ano bastante positivo para aproveitar o gancho de questões como a uberização do trabalho e explicar melhor o que é esse modelo. Pessoalmente, torço para que as grandes cooperativas entendam o valor de apoiarem e se relacionarem com as cooperativas de plataforma, assim como já fazem com startups. O futuro do cooperativismo depende disso.” – Por Gustavo Mendes, Co-fundador do Cooneta (Cooperativismo e Inovação)

O próximo passo para 2021

Até aqui, avaliamos detalhadamente as perspectivas para os 7 ramos cooperativas e para as 5 tendências que estarão mais presentes do que nunca no mercado. As transformações serão inúmeras e os próximos passos são essenciais para conseguir sobreviver no futuro! No final das contas, qual é realmente a bola da vez de 2021?

Futuro: A bola da vezPor Gil Giardelli, Estudioso de inovação e Economia Digital

“Este é o ano dos 3’s dos estudos do futuro – (Science,Spirituality and Society)  em Português – Ciência, espiritualidade e sociedade. A emergência respiratória fez o mundo se enxergar como uma grande aldeia global, um lugar que a velocidade da inovação aumentou dramaticamente.

Vivemos o início da Sociedade 5.0 e dos conceitos de ESG (Governança Ambiental, Social e Corporativa) nas esferas dos negócios em uma era pós-petróleo em um mundo transnacional digital e transdisciplinar.

Em 2021:

Bancos Centrais, empresas multinacionais, empreendedores debatem e tentam aplicar os conceitos de corporações 360° (Empresas atores sociais e comercias, trabalho com propósito, produtos ou serviços socialmente responsáveis e desempenho financeiro aos acionistas).

No limiar da Economia da Inteligência artificial, precisamos debater as implicações morais, políticas, jurídicas e econômicas dos sistemas de decisão de aprendizagem de máquina, algoritmos, dados anônimos e a robotização no trabalho (Worktech).

Nesta mudança de era como aplicar a gestão da inovação, gestão do presente e gestão do futuro em uma sociedade Global do Conhecimento.

Na nova consciência global, aplicar conceitos como economia circular, economia do intangível, economia do Cuidado, Criptoeconomia em uma era que surge os Technoprecarious e o Tecnochauvinismo (acreditar que a Tecnologia resolverá todos os problemas) em um mundo de inovação aberta.

Compreender a importância do pensamento profundo e da comunidade intelectual que se debruçam sobre as fronteiras futurísticas como robótica vestível, 5G e 6G, Computação quântica, a força das BioTechs, Greenovation, Ciência e espiritualidade, Imortalidade Virtual,”Paixão pela ignorância”, Cyborgization, epistocracia , Brancura Artificial, Futuro sintético, Eticismo,  manufatura molecular, Singularidade no Pós- Transumanismo, Vida biológica, fronteira espacial, civilização cósmica e superinteligência.

Quando temos este cenário, a bola da vez é o poder da destruição criativa – para reparar um mundo fraturado pelo COVID-19 que expôs todas as fissuras no sistema.

A destruição criativa nos leva a um futuro justo e próspero, é a grande resposta ao desemprego tecnológico, estagnação secular, armadilhas de renda média, mudança climática e ruptura social.

Precisamos criar um mundo, que não seja repleto de ilhas da inovação, precisamos de construtores de pontes de um mundo inovador e inclusivo. Precisamos de pessoas que acreditem que a (R)evolução da terra, se dará pela consciência coletiva.”

Inúmeras transformações – Por Reynaldo Gama, CEO da HSM e Co-CEO da SingularityU Brazil

“Assim como em 2020, os próximos meses devem continuar pautados por cenários de complexidade e disrupções de cadeias de negócio tradicionais. Nesse contexto, onde previsões e planejamentos de longo prazo se tornam exercícios cada vez mais abstratos, a ambidestria organizacional e a adaptabilidade tendem a se consolidar como características essenciais para encontrar novas oportunidades de crescimento. Cada vez mais, empresas de todos os setores precisarão encontrar caminhos para se reinventar continuamente — e equilibrar os desafios do presente com as demandas de um futuro que se aproxima de maneira cada vez mais veloz. Tais características se tornam ainda mais cruciais com a democratização do acesso a novas tecnologias e com a consolidação dos modelos híbridos de consumo e trabalho. A aceleração sem precedentes dos movimentos de transformação digital é outro fator que merece destaque. A ascensão exponencial de movimentos como inteligência artificial, criptografia e data analytics continuará a revelar produtos e ferramentas de gestão de alto impacto social e econômico. Passada a fase de implantação, testes e experimentação, o desafio será criar soluções conectadas às demandas da sociedade e disseminar uma cultura de inovação orgânica em todos níveis de colaboração das organizações. Um desafio e tanto para as novas lideranças — e uma oportunidade incrível para quem está aberto a construir um futuro mais aberto e colaborativo em 2021. Para finalizar, gostaria de trazer uma citação de Peter Drucker que tenho dito constante para o meu time na HSM e SingularityU Brazil: “em tempos de mudança, o maior perigo é agir com a lógica antiga.”


Por Fernanda Ricardi e Jady Mathias Peroni – Matéria publicada na Revista MundoCoop, edição 98



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