Trasformação Covidigital

Publicado em: 17 dezembro - 2021

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Desde o meu início de carreira, como professor e como publicitário, eu tenho esse velho hábito – o de criar termos que possam traduzir, de forma simples, e servindo como uma espécie de atalho mental, pensamentos longos e/ou complexos. Foi assim com DIGIRIATRIA (“seremos todos velhos digitais”), que criei em 2009… E tantos outros… 

Então, durante uma LIVE (são tantas!), eu soltei isso: “antes da Covid-19, a tal da Transformação Digital sempre foi encarada de forma Racional e, portanto, ‘colava’ mais ou menos, gerava mais ou menos ação – ou nem isso. Pois esta pandemia, que chegou sem pedir licença, decretou que é vital mudar e se transformar digitalmente para se manter vivo, no jogo: ou seja, até que enfim, a tão propalada Transformação Digital passou a ser encarada de forma Emocional (com o fígado, pela necessidade de sobrevivência) e, portanto, definitivamente, ela passou a ocorrer. Pois pode, muito bem, ser chamada de ‘Transformação Covidigital’ !” (Está criada.) 

Somos muito rápidos – nós, brasileiros. Muitos não viveram o que vou contar, mas quem viveu, também pode até não se lembrar mais: quando o então presidente Collor, em 1990, decidiu por fim à abominável “Reserva de Mercado da Informática”, abria-se a possibilidade de computadores serem comprados por pessoas e empresas pequenas e médias. Sim, até então, por aqui, somente grandes empresas e órgãos governamentais tinham acesso ao que o mundo desenvolvido já utilizava para trabalhar. Além disso, lá no Hemisfério Norte, muitos já possuíam o seu computador pessoal, em casa. Nós, até então, não… 

Mas, por que estou contando isso ?… É que, à época, em relação ao atraso de Informática que tínhamos, se comparados ao que os Estados Unidos já apresentavam, muitos especialistas daqui profetizavam: “o Brasil, nem em 30 anos conseguirá reduzir a defasagem no campo da Informática”. Pois bem, em 3 ou 4 anos (mesmo que tudo fosse ainda muito caro, na época), já tínhamos queimado etapas e já estávamos acompanhando o ritmo do mundo na área. Sim, somos muito rápidos. 

Atabalhoadamente, apressadamente, apavoradamente, improvisadamente, não importa: o bimestre março+abril de 2020 servirá como marco da “Transformação Covidigital” no Brasil. Com a súbita e inesperada chacoalhada que esta pandemia do Covid acabou nos dando, Pessoas Físicas e Jurídicas, no Brasil todo, se jogaram a tentar, experimentar, buscar ajuda, investir, mudar, aprender, disseminar, enfim, à Transformação Digital – ou “Covidigital”, como eu passei a defini-la, pois, se não fosse o susto que este vírus nos deu, não haveria essa movimentação toda. Ou seja, mais uma vez, estamos reagindo rapidamente. Somos bons nisso. 

E, se “a dor ensina a gemer”, como dizia o velho provérbio, a dor da defasagem digital ficou exposta na pandemia e o que se viu – e se vê – é uma nova realidade, onde foram agendados (adoro usar este termo, “agendar”, pois ele me acompanha desde meu Mestrado e meu Doutorado, que foi sobre “Agenda-Setting”), repito, foram agendados os termos/assuntos/ferramentas como Zoom, Google Meet, Webex, Streamyard, Microsoft Teams, link dedicado, home-office, “mando o tutorial em video por WhatsApp, mãe”- entre tantos outros. 

Nossa vida pós-Covid-19 traz consigo um legado positivo, em meio a tanta tristeza por baixas e desmoronamento de negócios: demos, de uma vez por todas, aquela guinada há tempos demandada, que é a Transformação Digital, ou melhor, “Covidigital”. Sim, somos rápidos. 

E no mundo das Cooperativas, isso se verifica nas pequenas ações, vindas de pessoas de todas as idades e formações. Definitivamente, precisamos avançar e evoluir coletivamente, e nada melhor que os espírito cooperativista para alavancar este avanço. Temos, portanto, o dever de ajudar a todos que consigam fazer sua Transformação Digital Individual. 


Por Dado Schneider, professor e pós-Graduado em Marketing pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Mestre e Doutor em Comunicação pela PUC/RS.

Artigo exclusivo publicado na Revista MundoCoop, edição 103



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