Crescimento e retomada: perspectivas 2017

Publicado em: 10 fevereiro - 2017

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Pesquisa realizada com empresas em operação no Brasil mostra tendências que servem de termômetro também às cooperativas.

Os resultados de pesquisa realizada pela consultoria Deloitte entre os meses de setembro e outubro com gestores de 746 empresas forma a Agenda 2017. Entre os destaques para o próximo ano, o fato de as organizações participantes projetarem crescimento de 8,3% e preverem aumento no valor dos investimentos empresariais em 5%, prioritariamente em novos produtos ou serviços e substituição de máquinas e equipamentos. Além disso, 84% das empresas entrevistadas pretendem manter ou contratar funcionários; destas, porém, 43% admitem intenção de procurar profissionais mais qualificados.

Esses resultados são ainda mais expressivos quando se considera o período conturbado, com crises nos campos econômico e político, vivenciado nos últimos dois anos. Soma-se à expectativa desses gestores, o fato de as empresas representadas estimarem receita líquida de R$ 1,6 trilhão em 2016, o equivalente a pouco mais de um quarto do valor do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro no acumulado de 12 meses a partir de setembro de 2016 (R$ 6,1 trilhões), segundo o Banco Central do Brasil.

A receita líquida projetada para 2017 é da ordem de R$ 1,739 trilhão, com crescimento 3,3 pontos percentuais acima da inflação esperada – ao redor de 5% para o ano que vem, segundo estimativas do BCB. Vale ressaltar que entre os respondentes, 18% são CEOs; 44%, diretores ou superintendentes; 5%, membros dos conselhos de administração; 30%, gerentes; e 3%, analistas. No que diz respeito às organizações, 32% são controladas por grupos estrangeiros; 52% estimam fechamento da receita líquida em 2016 em até R$ 250 milhões; 23%, entre R$ 250 milhões e R$ 1 bilhão; e 25%, acima de R$ 1 bilhão.

A previsão de retomada dos investimentos é gradual. Para 2016, a expectativa, segundo a mediana das projeções – medida de tendência central, que elimina respostas extremas – é de expansão de 4% ante 2015; já o percentual de alta esperado para 2017 passa para 5%.

“É importante percebermos que está havendo uma inflexão clara nas expectativas daqueles que administram empresas no País. Como vivenciamos uma retração em todos os segmentos econômicos nos últimos dois anos, estimar um avanço de 8,3% nas receitas líquidas para 2017 é uma real demonstração de otimismo”, afirma Othon Almeida, sócio-líder da área de Market Development da Deloitte. “Por outro lado, as projeções mostram que a retomada dos investimentos será gradual, o que é natural nessa fase de transição econômica, e também muito positivo, desde que reflita decisões alinhadas com as novas oportunidades do ambiente econômico”, avalia o executivo.

Entre todas as empresas participantes, 38% estimam que suas receitas líquidas devem crescer mais de 10% em 2016. Já para o próximo ano, 56% das companhias que participaram do estudo preveem crescimento de receitas nessa ordem. Enquanto 26% projetam queda nas receitas neste ano, apenas 6% dos respondentes estimam queda em 2017.

A análise dos dados da Agenda 2017 aponta que o otimismo é motivado por vários fatores, entre eles, a melhora na expectativa em relação à possível retomada dos investimentos na área de infraestrutura. Há ainda influência da melhora da confiança do setor empresarial numa recuperação da atividade econômica brasileira, além de avanços importantes nas projeções de crescimento de setores que foram muito afetados pela atual crise, como o de construção civil.

Entre os itens que mais devem causar impacto nos negócios, os executivos citaram como principais: variação do câmbio, retomada da economia e alterações no preço do petróleo.

Como conclusão, também pode ser listada a previsão de retomada da economia em 2017, que leva as empresas participantes a esperarem, na sua maior parte, um cenário mais favorável para captação de recursos com menor custo. “Por outro lado, a captação por meio de recursos próprios, característica nas empresas de menor porte, aparece como importante elemento em 2017”, diz o sócio da Deloitte.

 

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Othon Almeida, sócio-líder da área de market development da Deloitte

Otimismo localizado

Segundo os dados apurados, as empresas da região Centro-Oeste preveem melhores resultados, pois, além de projetarem crescimento de receitas líquidas de 10% em 2016, estimam aumentar em 10% os valores dos investimentos para o próximo ano.

A região Nordeste também se destaca, prevendo avanço nas receitas de 6% em 2016, e de 10% para o ano que vem. Os investimentos pelas empresas nordestinas também ultrapassam a média nacional, ficando em 5% para 2016 e em 10% para o período seguinte.

No recorte por segmento, o otimismo está mais expresso nos setores de serviços financeiros, de tecnologia e de saúde e farmacêuticos, que estimam crescimento das receitas líquidas de 10%, em 2017. Em relação aos investimentos, o setor de serviços financeiros projeta aumento de 10% no próximo ano. Já o setor de serviços de tecnologia prevê desembolsos 10% mais altos no ano que vem; enquanto o de serviços de saúde e farmacêuticos prevê investir 10% mais em 2017.

No outro extremo, estão as expectativas menos otimistas, mas que indicam uma retomada das vendas. O setor de construção civil, que prevê recuo nas receitas líquidas de 10% em 2016, espera resultados melhores no ano que vem, com expansão de 5%. Quanto aos investimentos previstos, a expectativa é aumentar em 5% em 2017, em relação a este ano, que se situa nos mesmos patamares de 2015. Já o setor de veículos e autopeças, que não prevê crescimento de receita para 2016, estima aumento de 9% no próximo ano.

 

Gestão: prioridade

Estimulados a escolher cinco prioridades para 2017, entre 15 opções de práticas destinadas à boa administração corporativa, os entrevistados do estudo apontaram como foco três itens bastante lógicos em um contexto proveniente de dois anos seguidos de crise: gestão financeira (com 65% de citações); de processos (61%); e orçamentária (55%). A pesquisa apurou também que as empresas brasileiras demonstram intenção de priorizar a adoção de melhores práticas de governança corporativa. Os itens mais abordados nesse âmbito são: gestão de riscos e controles internos (37%), gestão de compliance (33%) e estrutura de governança corporativa (31%).

Boa parte das empresas que participaram da pesquisa não implantou ainda importantes estruturas de governança corporativa, como áreas de gestão de crise ou conselhos fiscais, por exemplo. Em fase inicial de implantação, a área de auditoria interna foi lembrada no levantamento. Com nível um pouco mais avançado de inserção, as empresas citam os mecanismos de transparência, de gestão de compliance e de riscos, os controles internos e as estruturas de governança corporativa. A adoção de auditoria externa é também citada como prioridade pelas empresas.

“É bastante compreensível que, nessa fase de transição, as empresas mantenham foco no aprimoramento das práticas administrativas. Porém, mesmo em um momento como o atual, as organizações não devem descuidar da eficiência nos controles sobre a gestão”, explica Almeida.

 

Desafios disruptivos

“As empresas que desenvolvem tecnologias e abordagens disruptivas têm grande potencial de negócios no Brasil, já que há muito espaço para penetração no mercado”, indica Othon Almeida, fundamentando sua leitura nas respostas dos gestores brasileiros, que sinalizaram bom caminho a percorrer para inserir suas organizações no processo de adoção das novas tecnologias e tendências que marcam as mudanças disruptivas no campo dos negócios.

Entre 12 frentes tecnológicas sugeridas, os participantes foram convidados a escolher três opções que serão prioritárias em suas empresas no próximo ano. A prática de Analytics surge no topo das indicações, com 36% de citações, seguida pela Internet das Coisas (IoT, da sigla em inglês, Internet of Things, com 29%). A segurança cibernética surge na terceira posição (22%); acompanhada por Indústria 4.0 (13%); saúde digital (12%); plataformas autônomas (12%); tecnologias exponenciais (7%); realidade virtual e aumentada (6%); impressão 3D (7%); smart cities (5%); bitcoins (2%); e blockchain (2%).

É interessante notar que 61% dos respondentes não têm ideia do que seja blockchain (sistema de registros que garante a segurança e integridade das operações financeiras realizadas sem a necessidade de uma autoridade central; seu uso mais conhecido são as moedas digitais); 40% dos participantes disseram desconhecer completamente o que é Indústria 4.0 (conceito que representa a tendência da nova manufatura integrada, com as tecnologias disruptivas unindo máquinas, sistemas e pessoas; é considerada uma “nova revolução industrial”); 36% nunca ouviram falar em tecnologias exponenciais (pelas quais, segundo a chamada “Lei de Moore”, estimam o avanço exponencialmente rápido dos processadores); e 33% dos respondentes apenas ouviram falar sobre o conceito de smart cities, ou cidades inteligentes, conectadas por redes que otimizam a gestão de seus recursos e serviços. Impressão 3D (48%); internet das coisas (IoT, 47%); cyber security (44%); bitcoins e realidade virtual aumentada (38%); e analytics e plataformas autônomas (37%) também são frentes tecnológicas citadas como pouco ou moderadamente conhecidas.

A recomendação do sócio da área de Market Development da Deloitte é que as empresas em geral planejem, seriamente, como conhecer melhor, investir e incorporar essas novas tecnologias a seus processos, pois o equacionamento desses desafios desruptivos tem papel fundamental na sobrevivência dos negócios.



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