Idosos: mercado ascendente com carência de produtos


idoso

Espaço para novos produtos
e serviços não faltam

 

O Brasil é um país que envelhece. Números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), mostram que, em 1940, eram 42% da população, em 2011, caíram para 30% e, em 2020, não representarão mais do que 25%. Em compensação, o percentual de pessoas, com 60 anos ou mais, elevou-se de 4%, em meados do século passado para os atuais 10% da população. A expectativa é de que, em 2020, esse grupo reúna 14% da população e, em 2050, 30%.

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Infografico sobre participação da 3ª idade.

Outro indicador que merece atenção é que a relação idoso/criança mostra que a proporção de longevos que, em 1980, era de 15,9%, em 1991, passou para 21,0%, em 2000 atingiu 28,9%. Ou seja, se em 1980 existiam cerca de 16 idosos para cada 100 crianças, 20 anos depois essa relação praticamente dobrou, passando para quase 30 em um grupo de 100 crianças.

Além disso, atingir os 80 anos com saúde e qualidade de vida satisfatória não é mais um sonho, graças aos avanços da medicina, a ponto de as pesquisas sinalizarem que a expectativa média de vida do brasileiro deve aumentar dos atuais 75 anos para 81 anos. As mulheres vivem mais (em média, até os 78,5 anos, enquanto os homens, até os 71,5 anos).  Em 2060, ainda segundo o IBGE, a expectativa de vida delas será de 84,4 anos, contra 78,03 dos homens.

Relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), coloca o Brasil como o sexto país do mundo em população com 60 anos ou mais, com crescimento na ordem de 3,2% ao ano. O levantamento Global AgeWatch Index 2013, feito pela ONG HelpAge International, que luta pelos direitos dos idosos,situa o Brasil na 31ª posição em um ranking de 91 países no quesito qualidade de vida e bem-estar das pessoas com mais de 60 anos.

O Censo 2000, do IBGE, verificou que 62,4% dos habitantes com idade acima de 60 anos eram responsáveis pelos domicílios brasileiros, total 2 pontos percentuais superior a 1991. Levando em conta o número de domicílios brasileiros (44 795 101), 20% desse total é de responsabilidade de idosos. E mais: de acordo com o Instituto Data Popular, os rendimentos dessa população giraram em torno de R$ 402,3 bilhões, em 2012, cifra superior ao Produto Interno Bruto (PIB) do Peru, em 2010.

Juntos, todos esses dados mostram a existência de um mercado potencial, que vai muito além da área de saúde e assistência à velhice como, venda de remédios e aparelhos terapêuticos, serviços de enfermagem, terapia ocupacional, acompanhante para idas ao médico, passeios e compras, casas de repouso, asilos e creches para pessoas longevas. As possibilidades estendem-se a todos os setores que se constituem território ainda pouco explorado no Brasil.

Mesmo considerando o desenvolvimento registrado na última década, o Brasil em comparação com os Estados Unidos e os países europeus tem muito a desenvolver e, por isso, “as possibilidades são muito grandes, apresentando uma grande oportunidade para quem quiser investir. O mercado tem oportunidade para todos os tipos de empreendedores”, garante Fábio Mariano, professor especializado em comportamento do consumidor no curso de Ciências do Consumo Aplicadas, da Faculdade de Marketing da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

A lista citada por ele é extensa: produtos alimentícios em quantidades menores e com nutrientes específicos para essa faixa etária, cosméticos voltados à prevenção do envelhecimento, produtos farmacêuticos para saúde (vitaminas, entre outros), academias de ginásticas e espaços para exercícios físicos, turismo e lazer além da área educacional, com cursos voltados ao conhecimento – a exemplo utilização de tablets, computadores, redes sociais – e que deem prazer, como teatro, vinho, história, artes etc.

 

Cuidados no investimento

aaawwwwConhecer de perto esse consumidor, os desejos e as expectativas de um público que tem particularidades, inclusive pela biologia, independentemente da saúde, é fundamental para o sucesso do empreendimento, alerta o professor Mariano, citando alguns exemplos: “esses consumidores têm características específicas, como a necessidade de ir mais vezes ao banheiro, exigem que se tome cuidado com ingredientes dos alimentos, necessitam de cadeiras confortáveis e de espaços que sejam mais silenciosos, com melhor acústica e que facilite a visualização, por exemplo”.

Também é prioritário para o investidor caracterizar quem são seus futuros clientes, o quê e porquê compram, como e quando fazem suas compras e quais são suas tendências de consumo.

Atenção deve ainda ser dedicada aos colaboradores que vão fazer a interfaces com esse público. O especialista em comportamento do consumidor ressalta que idosos “pedem um relacionamento mais pessoal, mais estreito, mais cuidadoso e mais carinhoso. Esses atendentes precisam receber treinamento a respeito das características biológicas e socioculturais desse consumidor, além de terem boa fonética e falarem com clareza e no ritmo adequado.”

Voltar os olhos a esse mercado, no entanto, não significa ter esse consumidor como único cliente. A sugestão é abrir um espaço nos negócios também para esta geração, que é por muitas vezes esquecida. Aqueles que saírem na frente, com foco, planejamento e um modelo de negócios bem estruturado, certamente colherão resultados e se destacarão.

 

As cooperativas, nesse processo, podem ter vantagens, afinal o interesse pela comunidade está expresso na doutrina cooperativista, mais especificamente no sétimo princípio.

Sempre é tempo de iniciar, mas que tal começar logo?
Em 1º de outubro é o Dia Internacional do Idoso.

Quem arrisca é premiado

A exemplo do que acontece nas empresas e instituições financeiras convencionais, também na atividade cooperativista os setores que saem à frente estruturando políticas internas e produtos para atendimento dos longevos foram os ramos Saúde e Crédito.

Cooperativas de saúde especializadas nos cuidados de pacientes em domicílio ou de cuidadores existem em todo o território nacional há cerca de duas décadas. Na atualidade, algumas outras ações estão se destacando, criando diferenciais passíveis de gerar resultados.

A Unimed-BH, por exemplo conquistou o Prêmio ABEMD, da Associação Brasileira de Marketing Direto, na categoria Call Center/Contact Center, com o Unidisk, um atendimento diferenciado para clientes com mais de 60 anos.

Implementado em setembro de 2013, o serviço, a partir do número do telefone do associado que está integrado em uma base de dados, intercepta a ligação e a transfere imediatamente para o atendimento preferencial, dispensando a necessidade de digitação do número da carteira para identificação. O tempo de espera também é inferior ao do restante da operação.

Os operadores responsáveis por atender esse público específico foram recrutados internamente, segundo perfil adequado para o trabalho, passaram por vários treinamentos e têm metas e salário diferenciados. A iniciativa também exigiu revisão de processos de atendimento, visando à maior autonomia e resolutividade, competências exigidas de quem trabalha com os clientes com mais de 60 anos. Ao final de cada ligação, o associado é convidado a responder uma pesquisa de satisfação, que tem indicado uma média de 92% de clientes satisfeitos.

Raphael Mendes, gestor de Relacionamento com Clientes Individuais da Unimed-BH, explica que a implantação do serviço resulta da necessidade de cumprimento de uma meta de Inovação Assistencial presente em seu planejamento estratégico.

“Dentro desta meta, há ações assistenciais específicas para o idoso. Portanto, vimos a necessidade de desenvolver ações de relacionamento para aumentar ainda mais a satisfação destes clientes. O processo durou três meses, incluindo planejamento, revisão de processos e indicadores, melhoria de sistema, processo seletivo e treinamento. Além disso, analisamos os principais motivos de contato dos idosos, e para cada um destes motivos foi feita uma proposta de melhoria do processo”, relata Mendes.

E os resultados não demoraram: de setembro de 2013 a maio de 2014, foram realizados 158 mil atendimentos através desse canal, de uma base de aproximadamente 150 mil potenciais usuários do serviço. O número, apesar de expressivo, corresponde a 6% do volume de atendimentos do call center da singular.

 

Seguro de Vida e cesta de relacionamento

O Sistema Sicredi, dentre os integrantes do cooperativismo de crédito, desde dezembro de 2006, comercializa o seguro de Vida Premiada Master para clientes com mais de 65 anos e, em 2009, criou a Cesta de Relacionamento Aposentado Mais. Ambas as soluções foram desenvolvidas a partir da demanda das cooperativas ligadas ao sistema de oferecer um produto voltado ao público aposentado.

O Seguro Vida Premiada Master – disponibilizado em todas as unidades de atendimento do Sicredi – dobra a indenização em caso de morte acidental e se propõe a contribuir para a continuidade da família, disponibilizando recursos de forma rápida para as despesas mais imediatas, como custos de inventário. Além disso, o produto oferece a oportunidade ao segurado de receber o capital em vida, por meio de sorteios mensais.

De acordo com Cidmar Stoffel, superintendente da Corretora de Seguros Sicredi, “analisando a carteira de associados do Sicredi, verifica-se que 335 mil associados possuem mais de 65 anos, portanto, são potenciais usuários do Seguro Vida Premiada Master, que representa mais de 2,5% do total de seguros de Vida Individual (destinados a pessoa física) vigentes e conta com mais de 10 mil associados”.

Para contratar o Seguro Vida Premiada Master, “o associado deve procurar a sua unidade de atendimento e preencher a proposta de contratação”, informa Stoffel, frisando como grande diferencial do produto a dispensa, na contração, “do preenchimento da Declaração Pessoal de Saúde (DPS), que é praxe no mercado. Isso garante uma contratação simplificada e aumenta o percentual de aceitação por este público”.

Com cerca de 61 mil associados – o correspondente a 2,34% da base de associados – a Cesta de Relacionamento Aposentado Mais “é disponibilizada pelas cooperativas do sistema de acordo com as necessidades de seus associados”, afirma Sávio Susin, gerente de Conta-Corrente e Tarifas do Banco Cooperativo Sicred, sendo que não há obrigatoriedade de as singulares ofertarem o produto. A contratação também é simples: “os associados – a partir dos 65 anos – devem apenas solicitar na unidade de atendimento a inclusão ou a mudança para esta cesta”, recomenda o gerente.

 

Palestras para terceira idade

Programa de Integração e Desenvolvimento de Cooperados (Progrid) é o nome do projeto criado pelo Sistema Cecred em 2002 Apoiado nos princípios cooperativistas da educação, formação, informação e interesse pela comunidade, o programa prevê a realização de palestras gratuitas para cooperados e pessoas da comunidade. As palestras são promovidas pelas singulares, entre as quais estão a Acredicoop e a Viacredi, sediadas, respectivamente, nas cidades catarinenses de Joinville e Blumenau.

A saúde dos cooperados é a meta da Acredicoop, que oferece a palestra “Qualidade de Vida na Terceira Idade”, proporcionando um novo horizonte da longevidade, apontando hábitos de saúde e alternativas funcionais obtidas por atividades práticas relacionadas ao cotidiano, relacionadas a alimentação, atividades físicas e prevenção de quedas.

Já a Viacredi promove duas palestra “Orientação para a Aposentadoria” – com esclarecimento sobre as normas que tratam do plano de benefícios da previdência social e temas como tipos de aposentadoria, cálculo do salário, comprovação de atividade rural e benefícios assistenciais –  e “O Uso Correto dos Medicamentos”, que dá informações sobre como identificar medicamentos falsificados, conhecimento da composição, diferença entre nome comercial e princípio ativo (genéricos), finalidade da posologia em horários determinados, armazenamento e descarte de remédios vencidos, entre outros.

Os eventos realizados através do Progrid isentam o cooperado de custo, pois utilizam os recursos do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates), que é regido por legislação federal e determina a reserva de, no mínimo, 5% das sobras líquidas. No caso do Sistema Cecred, as cooperativas destinam 10% das sobras líquidas para o fundo.

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