Aproximação com o pequeno produtor


Aproximação com o pequeno produtor

O desenvolvimento e o nível de automatização das lavouras podem ser medidos de várias formas. Uma delas é a disponibilidade de tecnologias em território nacional. Neste quesito, na opinião dos fabricantes de máquinas, equipamentos e implementos agrícolas, o campo brasileiro equipara-se aos países mais desenvolvidos da Europa e aos Estados Unidos. As marcas internacionais de presença global estão presentes no território nacional, com fábricas, centros de pesquisa e desenvolvimento, concessionárias, redes de distribuidores e assistência técnica, por exemplo.

1No entanto, quando se fala em agricultura, essas empresas concordam também que é preciso diferenciar o grande produtor, do médio e pequeno, que, por sua vez, têm características, necessidades e possibilidades diferentes do membro da agricultura familiar.

Essa é, talvez, a principal complexidade do desenvolvimento do mercado, pois há separações nítidas em cada segmento, que se fortalece também segundo a espécie cultivada.

“Existe um gap nas máquinas de menos potência, e ainda há possibilidade de crescimento e desenvolvimento tecnológico. Estamos trazendo a tecnologia do trator pesado para o equipamento de porte médio, por exemplo.  Ou seja, a potência média dos equipamentos está crescendo. Também há carência de mão de obra especializada para o campo, e o aumento da potência e tecnologia são metas”, constata Rafael Miotto, diretor de marketing da Case New Holland (CNH), divisão de máquinas e equipamentos agrícolas e de construção da Fiat Industrial.

A certeza de que “o agricultor que não evoluir no uso da tecnologia vai sofrer mais” é a base do trabalho do Grupo AGCO – uma das líderes mundiais na concepção, fabricação e distribuição de máquinas agrícolas, como tratores, colheitadeiras, equipamentos para fenação e forragem, pulverizadores, equipamentos para preparo de solo, implementos e peças de reposição, que no Brasil atua através de duas grandes marcas: Massey Ferguson® e Valtra®. “Trabalhamos com a expectativa de que nos próximos cinco anos, vai haver três vezes mais tecnologia à disposição do agricultor do que hoje, e ela vai se tornar mais acessível ao de pequeno porte, a exemplo do que aconteceu com o telefone celular e os smartphones”, comenta Bernhard Kiep, vice-presidente de Marketing, Pós Venda, Gestão de Produtos e Desenvolvimento de Concessionárias AGCO América do Sul.

A CNH, nessa busca de aproximação, leva números ao agricultor, segundo Miotto. “Desenvolvemos informações para encantar o produtor, sinalizando, por exemplo, que a transmissão automática amplia a velocidade de execução da tarefa, reduz o consumo de combustível e o erro humano, necessita de menos manutenção etc. Fazemos demonstração de produtos nas regiões para ele ver e fazer contas conosco, e a conta é sempre de retorno de investimento e com isso percentual de tecnologia embarcada aumenta”.

Centro de treinamento

Procurando fazer sua parte e ciente de que a transformação genética traz consequências para os equipamentos, que precisam ser mais eficientes e mais rápidos tanto na plantação, quando na colheita, em fevereiro deste ano, a AGCO inaugurou seu mais novo Centro de Treinamento AGCO Academy, na cidade de Campinas (SP), projetado para servir como espaço de difusão de conhecimento e capacitação técnica e operacional às redes de concessionárias das marcas Massey Ferguson e Valtra nos países da América do Sul e Central.

O centro resulta de investimento de R$ 8 milhões em infraestrutura extremamente moderna em equipamentos e tecnologia industrial, tudo para permitir aos alunos a possibilidade de ter contato com as mais recentes novidades tecnológicas presentes nas linhas de tratores, colheitadeiras, pulverizadores e implementos. “Lá serão capacitados os membros da nossa equipe e nossos revendedores para que cheguem ao cliente final, e assim possamos contribuir com o desenvolvimento do agronegócio”, comenta Kiep, discorrendo sobre mais um diferencial importante deste país frente ao cenário mundial: “no Brasil o índice de absorção é mais rápido do que na Europa e nos Estados Unidos. O que demora é trazer a tecnologia de fora, devido à nacionalização de 50%, que, para ser viabilizada economicamente, exige que se tenha escala para produzir aqui”.

 Tecnologias disponíveis

O desafio sinalizado por Miotto envolve a popularização da tecnologia. “Ela não é cara, mas existe um processo a atingir, que é de conscientização de custo-benefício da tecnologia e dos resultados que proporciona, desde a agricultura familiar, empresarial etc.”, comenta, listando entre os últimos lançamentos da empresa no Brasil quatro novos tratores de média potência que agregam motores eletrônicos e tecnologias antes só disponíveis nos modelos de alta, como o Sistema “APM Diesel Saver” de gerenciamento automático de produtividade, que equilibra o consumo com a potência, seleciona automaticamente a relação de transmissão e a velocidade adequada para cada tipo de terreno, otimizando o desempenho da máquina e propiciando uma economia de até 24% de combustível. Há, ainda, nova linha das colheitadeiras Axial-Flow, projetada para colher mais de 80 tipos de grãos, sob as mais diferentes condições, que consiste em evolução das axiais série 20 e incorpora uma série de qualidades, como potência, economia em suas operações, máxima produtividade, qualidade de grãos e menor custo de manutenção.

Entre as tecnologias da AGCO já presentes no Brasil, que serão cada dia mais popularizadas, Kiep destaca o piloto autoguide, que ganha mercado a passos céleres e podem ser instalados em máquinas de qualquer fabricante, pois “há dois anos, a empresa foi a primeira a tomar a decisão de fazer sistemas abertas, que conversem com todas as marcas do mercado”. Destaca, também o sistema de autopiloto que atende até três tratores e é comandando pelo trator da frente: é um operador controlando dois ou até três tratores.

Dublê de executivo e agricultor, Kiep é associado à Capal (PR), de Arapoti, que com Castrolanda e Batavo formam as cooperativas ABC. Para ele, as cooperativas prestam um grande serviço ao investir “não apenas em auxiliar o cooperado em compras cooperadas, mas na implementação e treinamento nas tecnologias disponíveis no mercado”. Aproveita e faz sua reivindicação para que a ação se fortaleça e se expanda: a cooperativa precisa evoluir pela desoneração no caminho da produção e precisa de uma CLT agrícola.

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