Avanço do agro vai depender de financiamento além do estatal


LOGO OFICIAL AGROCOOP SITE

Setor precisa de alternativas de crédito que deem sustentabilidade ao seu crescimento; mercado de capitais é um dos caminhos

A estrutura de financiamento do agronegócio, ainda muito calcada no crédito estatal, é insatisfatória para que o Brasil cumpra o desafio, projetado pela ONU, de aumentar cada vez mais sua produção agrícola, a fim de atender a crescente demanda mundial por alimentos e energia renovável.

Foi o que destacou o presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Gustavo Diniz Junqueira, durante palestra no Fórum Nacional “Fontes de financiamento para o Agronegócio: tendências e alternativas”, promovido recentemente pela Inova Seminários, na capital paulista.

Segundo Junqueira, em nenhum país, a agricultura deixa de contar com apoio governamental, mas é preciso diversificar as fontes de recursos, fortalecendo a relação do segmento rural com o mercado de capitais.

E isso, de acordo com o presidente da Rural, exige avanços contínuos em governança e boa gestão por parte do setor produtivo, bem como menos interferência direta e mais regulação eficiente e transparente por parte do Estado. “É uma mudança que terá que ser feita, mas de modo modular.”

Brasil patina no comércio internacional

Em outro trecho de destaque de sua apresentação, Junqueira ressaltou que o Brasil ainda é muito fechado comercialmente, sendo o agro uma exceção. Segundo dados apresentados pelo presidente da Rural, a participação do Brasil nas exportações globais é de apenas 1,29%.

Por outro lado, nos últimos 14 anos, o volume exportado de produtos agrícolas cresceu 230% e o saldo comercial 468%. “Nosso agro exporta para mais de 200 países, com as vendas rendendo, anualmente, em média, cerca de US$ 100 bilhões.”

No entanto, Junqueira chamou a atenção para o fato de que internacionalmente, o produto agrícola brasileiro precisa avançar até a gôndola do supermercado. “Hoje, com raras exceções, ele só chega até o porto.”

Na avaliação do presidente da Rural, a verticalização do agro brasileiro, com foco numa inserção competitiva nas cadeias globais de valor, vai requerer do setor privado mudanças no modo de produzir e vender, com os olhos voltados para as tendências de consumo. “Já o Estado, precisa ter uma visão pró-negócio, atuando de maneira mais incisiva na costura, por exemplo, de acordos bilaterais.”

2015

Na análise de Junqueira, independentemente do resultado das eleições, o próximo presidente da República terá que promover um ajuste fiscal nas contas públicas. “Para o produtor, a recomendação básica é austeridade.”

 

dinheiro