BPA e PAS -Leite: instrumento de avanço da cadeia leiteira


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BPA e PAS -Leite: instrumento de avanço da cadeia leiteira

O Brasil está entre os maiores produtores de leite, atrás de Rússia e China, que lideram, e ao lado de Índia e Estados Unidos. Para 2014, a expectativa é de que o País, com produção de 35 bilhões de litros e rebanho superior a 25 mil cabeças, assuma a terceira colocação no ranking mundial.

Ao lado do crescimento da produção está o inegável avanço da cadeia leiteira, com aumento da produtividade, adoção de tecnologias de última geração, profissionalização e melhoria as condições de produção, por exemplo. No entanto, mesmo assim, periodicamente surgem alertas de fraudes, gerando dificuldades para produtores e consumidores.

Na tentativa de minimizar essas notícias e ampliar a atuação do Brasil no cenário mundial, em julho, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), através da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo (SDC), lançou o Edital de Chamamento Público nº 2, parte do Projeto de Boas Práticas Agropecuárias para a Produção, Transporte e Beneficiamento do Leite – Segurança e Qualidade, que vai beneficiar cerca de 85 mil produtores nas principais regiões produtoras do País e, por isso, outros editais serão elaborados, garante o Mapa.

Com resultado final divulgado em 29 de agosto e expectativa das primeiras ações ocorrem ainda neste ano, o Edital do Leite, como ficou conhecido, selecionou 14 propostas de projetos de assistência técnica, extensão rural e capacitação para a cadeia do leite, englobando produtores rurais, transportadores, técnicos da agroindústria e técnicos que atuem como multiplicadores de boas práticas no setor.

No total, estão sendo disponibilizados R$ 25,6 milhões para os projetos que atenderão Rio Grande do Sul (R$ 6 milhões), Paraná (R$ 4,5 milhões), Santa Catarina (R$ 4,5 milhões), Goiás (R$ 4 milhões), Minas Gerais (R$ 5 milhões) e Mato Grosso (R$ 630 mil). Juntos, esses Estados respondem por 75% da produção leiteira brasileira. Do total de recursos, 5% serão destinados para capacitações, dos quais 3% para transportadores de leite e 2% para técnicos.

Nessa primeira etapa, cerca de 370 municípios foram considerados como alvos de implantação prioritária de Boas Práticas Agropecuárias (BPA), atendendo mais de 1.600 médios produtores rurais com maiores índices relativos de produção listados no Edital do Leite. O Mapa estima implantar o projeto em 5 mil propriedades e realizar 4,5 mil capacitações nesta primeira etapa, que tem prazo de execução de 24 meses.

 BPA + PAS-Leite

O Edital do Leite objetiva implantar Boas Práticas Agropecuárias (BPAs) na cadeia leiteira, o que envolve um conjunto de princípios, práticas, tecnologias, métodos e recomendações técnicas apropriadas aos sistemas de produção em todas as etapas, desde as propriedades rurais até a agroindústria do leite, incluindo a fase de armazenamento e transporte adequados, de forma a fomentar a melhoria e a garantia da segurança e da qualidade do leite produzido e beneficiado no País.

Como metodologias elegíveis, estipula o Edital, as propostas “deverão prever a utilização de metodologia(s) devidamente validada(s) em boas práticas agropecuárias (BPA) que possuam foco e objetivo na melhoria e garantia da qualidade e da segurança do leite, como o Programa Alimento Seguro do Sistema ‘S’ (Programa PAS e seus projetos: PAS/Campo, PAS/Leite, PAS/Transporte, PAS/Indústria), ou metodologia(s) equivalente(s)”.

A busca de qualidade na cadeia leiteira não é tema apenas do Edital do Leite. Buscando a conscientização de agentes da cadeia leiteira do Rio Grande do Sul, no dia 8 de agosto, o Programa Alimentos Seguros (PAS) Leite foi lançado oficialmente e, a exemplo do que vem sendo realizado em outros Estados, qualificará os diversos elos envolvidos na produção, com foco especial nos transportadores, marcados como o elo mais suscetível às irregularidades na cadeia produtiva. A iniciativa une Senai, Sebrae e Mapa e os cursos foram iniciados em 8 de setembro.

José Zortéa, diretor-regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial no Rio Grande do Sul (Senai-RS), explica que o PAS-cadeias produtivas iniciou sob coordenação do Senai Departamento Nacional e do Sebrae Nacional, em 2008, como uma das iniciativas do PAS-ações especiais. “Já em seu primeiro projeto, pelas características e especificidades de seus objetivos, destacou-se como mais um braço de projetos do PAS. A cadeia do leite foi escolhida por solicitação do Mapa e tem por característica principal abordar soluções de segurança de alimentos para a cadeia produtiva do leite com foco na integração dos seus elos, promovendo ações de segurança de alimentos em cada um destes elos, ligando-os pelas responsabilidades individuais frente à segurança do alimento final do produto que será disponibilizado ao consumidor”, relata.

Todos os Estados brasileiros estão aptos a implantar o programa, garante Zortéa, uma vez que foram realizados diversos treinamentos para formação de consultores do PAS-Leite. Alagoas e Minas Gerais são destaques nesse programa. Nesses Estados o programa foi iniciado, respectivamente, em 2009 e 2011.

Rio Grande do Sul sai à frente

Com a previsão de treinar 1.500 transportadores até agosto de 2015, o PAS-Leite do Rio Grande do Sul, além do Senai, Sebrae, Mapa, conta com apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Cooperativa Santa Clara, Instituto Gaúcho do Leite (IGL), Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat) e Associação das Pequenas Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul (Apil).

“Não temos como definir, neste momento, como será a participação de cada instituição pelo fato de que ainda está sendo analisado e formatado o contrato”, comenta o diretor-regional do Senai-RS, informando que o projeto gaúcho também inclui a implantação de processo-piloto em 15 produtores rurais ligados à Cooperativa Santa Clara. E garante: “em 2015, o processo estará disponível para as propriedades rurais interessadas”.

Na etapa inicial, mesmo focado em transportadores, o PAS- Leite gaúcho beneficiará a sociedade como um todo, principalmente os consumidores. “Os produtores, por produzirem um leite de melhor qualidade, podem receber mais por este leite; as indústrias por receberem um leite melhor, aprimoram a qualidade e o prazo de vida útil dos produtos, ampliando mercados; e, por fim, os consumidores, que poderão resgatar a confiança na qualidade do leite e derivados produzidos no Estado”, prevê Zortéa.

De forma efetiva, os resultados esperados compreendem a redução de CCS (Contagem de Células Somáticas) e CBT (Contagem de Bactérias Totais) e aumento da vida útil do leite.

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