CCAB Agro: um modelo de negócio vitorioso, criado a partir do cooperativismo


gestaoQue outra empresa fornecedora de insumos agroquímicos no Brasil tem seus clientes como acionistas majoritários, decidindo os destinos estratégicos da companhia, retornando os lucros a eles mesmos, regidos por uma governança testada e conduzida operacionalmente por executivos de mercado? Este é o propósito da empresa CCAB Agro S.A. ou Consórcio Cooperativo Agropecuário Brasileiro, que teve origem em 2006 e pertence à holding CCAB Participações Ltda.


Constituída por 17 grupos quotistas ou 17 cooperativas agrícolas, que representam cerca de 55 mil produtores no Brasil, dos setores de algodão, soja e milho, sediadas nos Estados do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, Minas Gerais e Santa Catarina
, a holding CCAB Par administra duas empresas: CCAB Agro S.A., empresa de insumos agrícolas inspirada no modelo cooperativista com o objetivo de explorar oportunidades na cadeia de suprimentos do agronegócio; e CCAB Projetos e Soluções Financeiras Ltda., criada para prestar serviços de assessoria em gestão financeira e administrativa, através de ferramentas desenvolvidas para os acionistas da CCAB Agro.

Os resultados são expressivos. A CCAB Agro possui um patrimônio líquido de R$ 60 milhões, R$ 270 milhões de linhas de crédito bancário e um sócio estratégico chinês (um dos seus fornecedores), que detém 7,5% da companhia. A parceria foi firmada em 2011, quando o maior exportador chinês independente de agroquímicos, o Grupo Chongquing Huapont Pharm, aportou US$ 20 milhões na CCAB Agro.

A CCAB Agro, sozinha, obteve o maior CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) do Brasil até o momento, no valor de US$ 85 milhões. Para este ano, a empresa projeta faturamento de R$ 200 milhões e lucro estimado de R$ 10 milhões. Espera, dentro de três a quatro anos, atingir receita de US$ 500 milhões e ter uma participação de mercado entre 5% a 10%, num horizonte de até oito anos. Para cumprir este plano, além de parceiros estratégicos, está buscando aumentar a base de produtores na holding e adicionar novas cooperativas com diversidade geográfica.

Com sede em São Paulo (SP), a empresa possui filiais nas suas maiores regiões de consumo – Luís Eduardo Magalhães (BA), Cuiabá (MT), Rondonópolis (MS) e Ibiporã (PR) – onde concentra a armazenagem e a logística de distribuição dos insumos.

 

Modelo vitorioso

“O modelo é vitorioso por uma razão muito simples: quando os agricultores se reuniram para pensar um novo modelo de negócio, a proposta inicial era compor uma companhia que se tornasse uma referência de mercado e, ao mesmo tempo, uma alternativa ao suprimento de insumos agroquímicos. Optaram por adotar as práticas comerciais do meio corporativo com dois importantes diferenciais”, aponta Jorge Alberto Barcellos Moura, presidente do Conselho de Administração da empresa. “O primeiro é ter um modelo de baixo custo operacional quando comparado às empresas padrão, que precisam de grande força de vendas e investimento em marketing para acessar os clientes, os quais, na CCAB, são acionistas e proprietários da empresa. E o segundo, é reverter os lucros aos seus clientes/acionistas, na forma de dividendos”.

“Eliminamos os atravessadores da cadeia de fornecimento dos insumos agroquímicos”, ressalta, e, ao contrário de uma empresa convencional, que tem um vendedor para cada US$ 3 milhões de produtos vendidos, temos um vendedor para cada US$ 50 milhões. Isso porque os clientes são, ao mesmo tempo, os próprios acionistas.

O modelo foi construído para impor uma certa padronização dos preços, fugindo da diferença de valor determinada pela indústria para o cliente de grande porte (grande cooperativa), e para o agricultor menor, que, informa Mouta, chegava a 25%. “Hoje, por conta do nosso trabalho, essa distância está em torno de 6% a 7%” comemora.”

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Aperfeiçoamento do cooperativismo

“Não é um modelo de negócio perfeito, mas é o aperfeiçoamento daquilo que existe de melhor dentro do cooperativismo”, resume Moura.

“Concentramo-nos, inicialmente, naquilo que sabemos fazer melhor: registrar, formular e comercializar defensivos agroquímicos. Então, a partir da demanda de insumos dos cooperados, elaboramos dossiês técnicos para registros dos produtos junto às autoridades brasileiras de três ministérios: Ministério da Saúde (Anvisa), Ministério do Meio Ambiente (Ibama) e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Esse processo costuma levar cerca de quatro ou cinco anos para ser aprovado, a um custo de US$ 400 mil por produto. Depois de obtidas as autorizações, inicia-se a importação dos insumos a partir da Ásia, em seguida, a formulação dentro do Mercosul e, finalmente, a comercialização entre os sócios acionistas brasileiros”, relata o executivo.

Junto com a demanda, os cooperados acionistas enviam à CCAB uma referência de prática de preço no mercado para fins de cotação com outras indústrias. São importados defensivos químicos (herbicidas, inseticidas e fungicidas) genéricos (pós-patente), destinados às culturas de milho, algodão e soja, com larga utilização no plantio da cana, citros, arroz e pastagens. “Cobrimos 95% das necessidades de nosso mercado potencial”, informa Moura, frisando que a empresa detém 11 registros próprios de produtos, que lhe permite acessar no Brasil um mercado de defensivos equivalente a US$ 11,5 bilhões. Mais de 60 produtos estão em processo de regularização nos órgãos federais, com aprovação prevista dentro de 24 a 30 meses.

 

Parceria e consultoria andam juntas

A CCAB Projetos e Soluções Financeiras “é a empresa queridinha dos agricultores, porque agrega valor aos acionistas por meio de parcerias e gestão de riscos”, explica Moura. Segundo ele, a estratégia é ser um “parceiro conselheiro” dos produtores acionistas da CCAB Agro, auxiliando em projetos de crescimento, bem como na expansão de operações.

Para isso, desenvolve diagnósticos para avaliação da situação econômico-financeira do cliente, elabora planos de ação e propõe ferramentas de gestão, como fluxo de caixa e planejamento orçamentário. Também estrutura operações voltadas ao capital de giro, investimentos e aplicações, e faz a interface entre os acionistas e as instituições financeiras, tradings e fornecedores.

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