Embrapa Instrumentação: Viveiro de tecnologias


Embrapa Instrumentação: Viveiro de tecnologias

Com 40 tecnologias disponíveis para a sociedade, incluindo equipamentos, metodologias, softwares, modelos matemáticos etc., a Embrapa Instrumentação está sediada em São Carlos e reúne 30 pesquisadores com formação predominantemente em engenharia elétrica, física, engenharia química, que trabalham em permanente interação com o campus da USP em São Carlos e da Federal de São Carlos.

João de Mendonça Naime, chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Embrapa Instrumentação, vê a automação do campo como tendência devido à necessidade de automatizar processos devido à falta de mão de obra no campo. Por outro lado, segundo ele, o aumento da tecnologia e do conhecimento do próprio agricultor, não pode excluir a cultura familiar, exigindo que, em todos os níveis, cada vez mais que o trabalhador do campo se especialize.

Palestra-foi-ministrada-por-Ricardo-Inamassu-pesquisador-da-Embrapa-Instrumentação-e-professor-colaborador-da-Escola-de-Engenharia-de-São-Carlos“Toda tecnologia exige treinamento de mão de obra. Temos laboratório para treinamento e mantemos parceria com Fatec e Senai para treinamento em agricultura de precisão, que é tema de pesquisa há oito anos e é uma seis linhas de pesquisa principais em atividade e envolve instrumentação e automação no campo. Todo o trabalho é feito em cooperação com IAC – Instituto Agronômico de Campinas e IAPar – Instituto Agronômico do Paraná e engloba universidades no Brasil e no Exterior”, informa o pesquisador, frisando que todas as linhas de pesquisa são focadas em manejo e conservação do solo.

Respeitar a variabilidade espacial no campo é meta a ser cumprida sempre pela agricultura de precisão, ao contrário do que faz a agricultura tradicional, que respeita a fazenda como um unidade, fazendo distribuição de forma homogênea. Essa disciplina, frisa Naime, considera as diferentes composições do solo ao longo da área e, com isso, os insumos tem de ser aplicados de forma variada, da mesma forma que a irrigação.

Aqui também o acesso ao agricultor é um complicador. Por isso, a Embrapa Instrumentação investe na transferência de tecnologia e cuida para que os resultados cheguem ao produtor. Tudo é feito via edital público para licenciar patente para chegar à sociedade.  Diponibiliza vídeos no youtube, tutoriais, publicações diversas onde divulga resultados, desde revistas científicas internacionais até gibis.  Pode ser acessada por telefone e e-mail do SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente) que encaminha a consulta para a unidade especialista mais indicada, que gratuitamente responde ao agricultor e dá a orientação técnica. Realiza eventos diversos, como dia de campo para produtores, demonstrando a metodologia técnica de manejo.

Tecnologias disponíveis

Entre os desenvolvimentos, está a metodologia via biofotônica para detectar doenças como o greening (Citrus Greening (Huanglongbing – HBL) pela análise direta da folha, emitindo laudos em larga escala, com rapidez e precisão, tornando viável o levantamento de mapas de infestação da doença.

O software Geofielder, disponível no site da Embrapa para download gratuito, para agricultura de precisão é outra conquista. Essa solução, descreve o chefe-adjunto de P&D, roda em smartphone e faz a coleta de dados e imagem no campo de modo georreferenciado, fazendo o mapeamento da variabilidade do solo, sinalizando, por exemplo, as doenças ou o déficit de nutrientes do solo, com foto ou respondendo um questionário.

“Esse conceito de agricultura de precisão se aplica a áreas a partir de um sítio de um produtor pequeno”, comenta o chefe-adjunto de P&D, frisando que, “conhecendo cada pé, ele colhe separadamente e aumenta a rentabilidade e a lucratividade. Ele conhece a variabilidade da cultura dele”. Para isso, não precisa de sofisticação. Naime garante que, no caso de pequenas propriedades, uma prancheta com anotações é suficiente. Além disso, o software gratuito exige apenas que o operador tenha um smartphone ou um tablet, equipamentos comuns nos dias atuais.

A Embrapa Instrumentação tem, ainda, linhas de pesquisa de pós-colheita – focadas em sensores e metodologias para reduzir perdas que chegam a 30% ou 40% em hortifrutis, para preservação da qualidade através de embalagens com performance mais elevada e que se adequam à temperatura – assim como em processos industriais que reduzam o impacto da pós-colheita, avaliando os processos para evitar perda de qualidade de frutas.

Pesquisas em nanotecnologia se destacam, em especial as direcionadas a embalagens que prolongam a conservação do produto ou mudam de cor quando o alimento está deteriorado, como um filme para revestimento de frutas, que forma uma camada nanométrica invisível que consegue aumentar o tempo de prateleira em até 20 dias.

A aplicação da tomografia computadorizada de raios gama para analisar a densidade do solo e dessa forma conhecer melhor o solo é outro desenvolvimento.

No entanto, em que pese o valor de todas esses desenvolvimentos e tecnologias, uma das principais soluções da Embrapa Instrumentação é o sistema de saneamento básico rural. Atualmente, a Embrapa tem três equipamentos que tratam a água e o esgoto de sítios e fazendas. O primeiro, desenvolvido em 2000, é a fossa séptica, que transforma o esgoto do vaso sanitário em um eficiente adubo líquido. O segundo é o clorador, que permite colocar cloro na água captada pelas propriedades rurais. O mais recente é o jardim filtrante, que trata da água produzida no banho, pias e lavanderias.

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