Conhecer para Cooperar: especialistas do governo e de agentes financeiros conhecem Cotrijal e CCGL

Publicado em: 30 agosto - 2016

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As duas cooperativas gaúchas mostram, in loco, seu modelo negócio, sua competitividade e sua capacidade de gerar riquezas para o país

Eucaliptos, pinheiros e araucárias ladeiam o caminho gaúcho que levou o grupo de especialistas em políticas públicas e concessão de crédito ao setor agropecuário ao primeiro destino do projeto Conhecer para Cooperar. A iniciativa do Sistema OCB está possibilitando, desde ontem, a imersão de técnicos e executivos do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bancoob, Sicredi, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Ministério da Fazenda, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco Central do Brasil e BRDE na realidade de cooperativas brasileiras. Também fazem parte do grupo as cooperativas Cooxupé, Cocamar e Coplana.

Nesta segunda-feira, primeiro dia da viagem que termina amanhã, nem mesmo o frio de 2º célsius desanimou o grupo que conheceu a Cooperativa Agropecuária e Industrial (Cotrijal), localizada na cidade de Não-Me-Toque, e a Cooperativa Central Gaúcha Ltda (CCGL), sediada em Cruz Alta, ambas no Rio Grande do Sul.

COTRIJAL – O grupo foi recebido pelo presidente Nei Mânica, pelo vice-presidente, Ênio Schroeder, e a equipe de superintendentes da cooperativa. Eles apresentaram a estrutura da Cotrijal, seus números, resultados e processos de gestão e governança. A cooperativa é especializada na produção de grãos, mas também possui atividades vinculadas à produção de leite; tem ainda supermercados e lojas focadas em atender aos seus cooperados.

Aliás, cuidar da relação com o cooperado é a razão de ser da Cotrijal. Tanto é que ela começou a construir uma nova Unidade de Beneficiamento de Sementes, às margens da rodovia ERS-142. No empreendimento, serão beneficiadas sementes de soja, trigo, cevada, aveia e azevém. O investimento vai possibilitar que o produtor possa adquirir sementes com alta qualidade e tecnologia e em melhores condições de mercado. A nova unidade está localizada em uma área de mais de 80 mil m2, onde 20,7 mil m2 são de área construída. A capacidade de armazenagem é de 600 mil sacas.

Sobre a visita técnica promovida pela OCB, o presidente Nei Mânica foi enfático: “nós primamos por uma boa relação com os governos e com os agentes financeiros, mas quando essas pessoas vêm, in loco, conhecer o que o cooperativismo é capaz de promover numa região, como a nossa, por exemplo, temos a oportunidade de estreitar ainda mais essa possibilidade de trabalho conjunto. Desta forma, eles terão mais condições de atender às nossas solicitações de modo mais direto e com conhecimento de causa”, declara.

O gerente de agronegócios do Bancoob, Raphael Santana que integra à missão técnica, disse que conhecer a Cotrijal foi uma experiência impar. “Nós que conhecemos algumas cooperativas fomos impactados pela excelência do seu modelo de negócios. O que mais me chamou a atenção é o modo de governança deles, extremamente bem adiantados, conferindo o máximo de transparência aos seus associados, independente do tamanho ou situação. Para quem é do mercado financeiro, isso nos transmite uma segurança muito grande, pois tudo é feito com a total participação dos cooperados e com uma decisão mais descentralizada”, relata.

NÚMEROS – Segundo o balanço social da Cotrijal, com referência 2015, a cooperativa apresenta:

– IDADE: 59 anos
– ASSOCIADOS – 5.802 MIL
– EMPREGADOS – 1.418 MIL
– CARRO-CHEFE – Agronegócio de alimentos
– É REFERÊNCIA no mercado de commodities
– ÁREA DE ATUAÇÃO: 18 municípios
– UNIDADES DE RECEBIMENTO DE PRODUÇÃO: 39
– TOTAL DE ARMAZENAGEM: 620.620 mil toneladas (o equivalente a 10.343.66 milhões em sacos)
– FATURAMENTO EM 2015: R$ 1.351.579.662,00
– NOVIDADE: No ano passado, um grande projeto da cooperativa foi a inauguração da Farmácia no Campo. Até dezembro/2015 a área de atuação da cooperativa já contava com 80 farmacinhas, com medicamentos veterinários em regime de comodato com empresas parceiras da cooperativa;
EXPODIRETO – A Cotrijal, todos anos, realiza a Expodireto Cotrijal – uma das maiores feiras do agronegócio da América Latina. Dentre os objetivos estão capacitar o produtor, aproximá-lo do conhecimento, da informação e da tecnologia e possibilitar condições diferenciadas de negócios. No ano passado, o evento contou com mais de 230 mil visitantes (parte deste público foi oriunda de 70 países) e resultou em um total de R$ 2,182 bilhões em propostas de financiamento protocoladas.

CCGL – Já nas dependências da CCGL, a equipe se impressionou com a estrutura e pôde comprovar, na prática, o que a sabedoria popular não se cansa de repetir: a união faz a força! A CCGL (Cooperativa Central Gaúcha Ltda) é uma cooperativa de segundo grau, ou seja, reúne 32 outras cooperativas singulares. Juntas, elas produzem, por exemplo, 68% do leite em pó comercializados nas regiões Norte e Nordeste. Aliás, vale ressaltar que a CCGL é a pioneira no Brasil a produzir esse tipo de alimento na versão zero lactose.

A equipe foi recebida pelo vice-presidente Darci Hartmann, que fez questão de destacar a importância do projeto Conhecer para Cooperar. “Tenho certeza de que com a amplitude da representatividade deste grupo, em breve, quando tivermos de lutar junto aos órgãos reguladores, financiadores e mesmo em outras esferas do governo federal, seremos mais conhecidos. Isso favorecerá que, por exemplo, sejam desenvolvidas linhas de crédito para desenvolver o produtor rural e suas cooperativas, mantendo-o no campo, graças ao processo gerador de eficiência econômica”, analisa Darci, parabenizando a OCB pela iniciativa.

O diretor superintendente da CCGL, Guilhermo Dawson Junior, apresentou o planejamento da cooperativa destacando seu foco: a expansão de suas unidades portuátrias Termasa e Tergrasa, ambas localizadas na cidade de Rio Grande. A região possui um dos mais importantes portos da região Sul do Brasil.

Já a gerente de Pesquisa e Difusão de Tecnologias ao Produtor de Leite, Letícia Signor, apresentou os resultados do projeto que amplia a produtividade das vacas leiteiras, com forte geração de renda para o produtor rural cooperado. Segundo ela, em alguns casos, em pouco tempo, é possível quase dobrar a produção, utilizando, para tanto, medidas simples, como a inserção da alimentação adequada para determinado tipo de animal.

“Para se ter uma ideia, a média Brasil de produtividade por animal por dia é de 4,89 litros. Em algumas propriedades rurais contempladas com o nosso projeto de difusão de tecnologia, esse número chega a 22 litros/animal/dia”, exemplifica ela.
FOCO – A cooperativa surgiu para integrar atividades do agronegócio e gerar diferenciais competitivos aos seus produtores, com foco na sustentabilidade, na produção em escala e na rentabilidade. Atualmente, a CCGL tem 171 mil produtores rurais associados às principais cooperativas agropecuárias gaúchas, em mais de 350 municípios gaúchos. Ela conta com três unidades e negócio:
– CCGL LAC: A unidade de lácteos tem o compromisso de desenvolver socialmente as famílias produtoras de leite. Sua principal preocupação é fornecer aos consumidores produtos com alta qualidade e origem conhecida, utilizando modernas tecnologias de fabricação.

– CCGL LOG: Sua unidade de logística oferece o mais eficiente serviço de transporte e carregamento de granéis agrícolas da costa brasileira com terminais portuários. Localizada no importante Porto do Rio Grande, centro geográfico do Mercosul, a CCGL LOG tem capacidade de atender às principais regiões agroprodutoras do sul do continente. E ainda conta com o Termasa logística, responsável pelas operações rodoviárias, ferroviárias e hidroviárias de leite e grãos.

– CCGL TEC: A CCGL TEC tem o foco na pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias que promovam o crescimento e a rentabilidade dos produtores de forma sustentável. Esta unidade, também conta com modernos laboratórios de solos e sementes para prestação de serviços com alto nível de qualidade e segurança.
CONCENTRAÇÃO – Toda a produção de laticínios da CCGL fica concentrada na CCGL LAC, em Cruz Alta, pois, a região possui solo e clima favoráveis ao cultivo de pastagens altamente nutritivas durante todo o ano. A coleta de matéria-prima nas propriedades é feita pelo próprio setor logístico da empresa, garantindo assim que o leite chegue mais rápido ao parque industrial com seus nutrientes preservados. Na fábrica, o leite passa por diversos testes de qualidade e, após sua liberação, segue em circuito fechado, sem nenhum contado com o ambiente externo. Depois do envase, o produto passa ainda por mais alguns testes de qualidade até ser liberado para consumo.

CONQUISTA – A inaugurou em junho deste ano a ampliação de sua fábrica em Cruz Alta, com a introdução de uma segunda planta produtiva. Investimento de R$ 130 milhões. O grupo pretende apostar no potencial de venda do principal produto fabricado na planta de Cruz Alta, o leite em pó. De acordo com o presidente da cooperativa, Caio Cézar Vianna, hoje a CCGL detém 8% do mercado nacional de leite em pó. O objetivo é, nos próximos anos, chegar a 15% de market share. Atualmente, a cooperativa possui 3,7 mil produtores de leite.

FEEDBACK – Para o analista do Banco Central do Brasil, Carlos Henrique Alcântara, conhecer a realidade da CCGL proporcionou a descoberta de uma nova realidade que poderá ser muito útil na sua atividade. “Diariamente, lidamos com cooperativas, contudo sempre foi difícil perceber as particularidades de uma central e de uma singular, por exemplo. Hoje, consigo ver com clareza onde começa uma e termina a outra. Impressionou-me, ainda, a questão dos investimentos em infraestrutura portuária e, também, a preocupação com o aumento da produtividade e os efeitos multiplicadores de renda para o produtor cooperado”, analisa Carlos Henrique.



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