Coostafe recebe as comitivas de São Paulo e Maranhão

Publicado em: 08 fevereiro - 2017

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mundocoop_noticias_do_sistema_coostafeAs bonecas de pano, vassouras de garrafas pet, bijuterias e tantos outros artesanatos produzidos manualmente representam mais que fonte de renda. São a esperança de liberdade para 30 mulheres do Centro de Recuperação Feminino de Ananindeua, que integram a Cooperativa Social de Trabalho Arte Feminina Empreendedora (Coostafe). Enquanto o Brasil enfrenta uma grave crise no seu sistema presidiário, a iniciativa fez com que o CRF experimentasse uma diminuição da população carcerária. De acordo com dados da Susipe, o número de detentas diminuiu cerca de 20% nos últimos quatro anos, o que motivou a visita de comitivas da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (OCESP) e do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Maranhão (OCEMA).

O objetivo foi levar a experiência da Coostafe para a implantação de outras cooperativas. No próximo mês, o Sistema OCEMA fará a constituição de uma cooperativa nos mesmos moldes da Coostafe no estado do Maranhão, com o objetivo, entretanto, de atender somente indivíduos egressos do sistema penitenciário que encontram dificuldade para se inserir novamente no mercado de trabalho. Serão atendidos tanto homens quanto mulheres. “Uma iniciativa que reabilita e recupera pessoas, sem dúvida, deve ser reproduzida. É uma área especial de trabalho com uma classe apenada, excluída e à margem da nossa sociedade. Precisamos desenvolver mais esse tipo de atividade no cooperativismo”, afirma a presidente da OCEMA, Aurelina Rodrigues.

Já em São Paulo, existe outro grupo vinculado à Secretaria Municipal de Meio Ambiente que procurou apoio da OCESP para constituir uma cooperativa também de egressos prisionais. Os cooperados farão a manutenção de parques na cidade, como o Parque Vila Lobo. A cooperativa está em processo de análise, construção de estatutos, sensibilização das cooperadas e identificação lideranças.

A Coostafe é uma iniciativa da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe) em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Pará (Sescoop-PA) que ofereceu cursos para que as internas formassem a primeira cooperativa do Brasil exclusivamente de mulheres presas. O grupo foi criado a partir da Política Nacional de Atenção às Mulheres em Situação de Privação de Liberdade e Egressas do Sistema Prisional do país, que garante o acesso ao trabalho para internas com o desenvolvimento de ações que incluam a formação, entre outras, de redes cooperativas e economia solidária.

Em três anos de cooperativa, não há nenhum caso de reincidência. Além da Coostafe, outros projetos sociais são articulados na unidade prisional, como Educação de Jovens e Adultos (EJA), panificação, aulas de jardinagem, eletricista, instalação elétrica e curso de pedreiro. “O impacto é evidente no nosso livro de ocorrências. Quando assumi a diretoria do CRF, tínhamos quase 600 mulheres. Hoje, temos 481 mulheres. Nestes anos, mais de 200 mulheres passaram pela cooperativa e, das que conseguiram a liberdade, nenhuma retornou. Enquanto a superlotação carcerária amedronta o Brasil, conseguimos dar alternativas e oportunidades de mudança. A sociedade precisa conhecer e saber que, desta forma, pode estar despreocupada em dar outra chance para estas mulheres. Caso contrário, se não tiver o amparo, nunca haverá ressocialização de verdade”, afirma a Diretora do CRF, Carmen Botelho.

Toda a produção da cooperativa é comercializada aos domingos em feiras de artesanato em Ananindeua, na Praça da Bíblia, e em Belém, na Praça da República. Nas feirinhas é possível comprar acessórios, como chinelos e chaveiros, peças de vestiário, além de vasos, bonecas de pano, panos de prato, tapetes e canetas personalizadas, entre outros.  A renda adquirida com o comércio é dividida em três partes: pagamentos, compra de material e remuneração compartilhada.

 

Carteira de Artesão

Em 25 de janeiro, o Sistema OCB-PA articulou reunião da Diretoria do Centro de Recuperação Feminino com representantes da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme) e da Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster). As cooperadas da COOSTAFE serão capacitadas e receberão Carteira Nacional do Artesão atendendo ao Programa de Artesanato Brasileiro (PAB) e às legislações: N 13.180/15, Lei Estadual N 8.988/13 e Decreto Estadual N 4.676/01. “O cooperativismo é chave para mudarmos essa realidade excludente, fazendo com que os internos do sistema penitenciário tenham condições de caminhar com os próprios pés, sem necessitar da criminalidade para conseguir o próprio sustento. Estamos muito contentes com a evolução das cooperadas e estamos à disposição para continuar auxiliando essa tão nobre inciativa”, afirma o presidente do Sistema OCB-PA, Ernandes Raiol.

 

Ascom Sistema OCB/SESCOOP-PA – Wesley Santos