Sescoop/SP reúne cooperativas do ramo Transporte em fórum inédito

Publicado em: 04 julho - 2016

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transporteOCB

Tendo o cooperativismo de transporte como tema central, o Sescoop/SP realizou em sua sede, na capital paulista, no último dia 28 de junho, o primeiro “Fórum Técnico do Ramo Transporte”. O encontro, que reuniu quase 60 participantes representando 20 cooperativas desse nicho do cooperativismo, foi aberto por Edivaldo Del Grande, presidente do Sistema Ocesp. Ele destacou a importância de fomentar e unificar o sistema cooperativista. “O cooperativismo trabalha por e para as pessoas. Desta forma, precisamos integrar nossas atividades de modo que todos possam crescer juntos”, disse.

Em seguida, Murilo Karapetcov, diretor do ramo Transporte da Ocesp, apresentou o novo Conselho Consultivo do ramo. A iniciativa, inédita no Estado, tem o objetivo de apoiar a gestão, operação e capacitação do ramo e conta com a participação de Karapetcov, Conceição Barros, Daniel Francisco de Sales da Coopertax, Elias Gomes Assêncio da Coorptrans, Hélvio Rodrigues Iuga da Cootabs e Irinaldo Barreto da Coopertransc.

Ramo Transporte na OCB

Para dar seguimento à programação, Thiago de Barros Freitas, analista técnico da OCB, discorreu em sua palestra sobre ações do Conselho Consultivo Nacional do ramo Transporte. Além de citar a insegurança jurídica que o transporte de carga sofre por conta da ausência de uma descrição expressa do que são cooperativas de carga, Freitas lembrou que o segmento, hoje, movimenta cerca de 6 bilhões de carga e 2 bilhões de passageiros por ano.

Segundo ele, o nicho ainda precisa avançar e quebrar barreiras, como um debate efetivo sobre o marco regulatório de transporte de carga, a disponibilização de linhas de financiamento específicas para o ramo, a criação de fundos totalmente separada do fundo de seguros e a exigência de contrato de arrendamento constantemente solicitada por embarcadores.

Rede Transporte

Abel Paré, coordenador nacional do ramo Transporte e integrante da Central Nacional das Cooperativas de Transportes de Cargas e Passageiros, por sua vez, fez uma palestra que visava explorar alternativas de crescimento para as cooperativas. De acordo com ele, o futuro do nicho está na intercooperação e viabilização de operações conjuntas, que permitam dividir e reduzir custos.

Paré apresentou as funcionalidades da Central Nacional, que hoje operacionaliza e negocia compras de produtos, como combustível, para as 16 cooperativas que já abraçaram a ferramenta. “Conseguimos negociar e oferecer as cooperativas cadastradas no sistema valores de serviços mais adequados e, desta forma, além de diminuir os gastos das cooperativas, promovemos e consolidamos a intercooperação entre elas”, diz.

O executivo explicou que o sistema funciona com base um portal de compras voltado a fazer negócios, com registro de preços antecipadamente negociado e que busca as melhores condições de pagamento. Além disso, Paré adiantou que segue em andamento o projeto “Bandeira Única”.

Uma plataforma de negócios que permitirá que os aplicativos do ramo transporte sejam integrados em todos os estados. “A solução mapeia os veículos, sejam de cargas ou passageiros, e oferece ao passageiro, por exemplo, a facilidade de pedir um taxi pelo mesmo aplicativo independente do estado que estiver”.

Da mesma forma, os veículos de carga podem visualizar na solução o posto que tem o preço negociado com o cooperado e podem, ainda, realizar um pedido de compra através da ferramenta”, explica. Para ele, a solução, que está em fase de testes e vai operar via celular, é o futuro do segmento, pois simplifica a operação, agiliza os pedidos e reduz os custos.

Manual de Padronização Contábil

Na apresentação da palestra sobre a importância da padronização contábil de processos e das cooperativas de transporte, o contador e membro da OCB, Dorly Dickel, falou dos manuais de contabilidade, tributário e operacional que acabam de ser lançados e são voltados para o ramo Transporte. As ferramentas, que contaram com apoio e colaboração do Sescoop/SP, podem ser acessadas pela internet, no site https://manuais.brasilcooperativo.coop.br/ e atendem a necessidade do nicho de entender as obrigações que devem cumprir.

De acordo com Dickel, para que os manuais fossem confeccionados, foram realizadas visitas técnicas em algumas cooperativas e, desta forma, conseguiram identificar erros e dificuldades. “Mapeamos a contabilidade, o setor tributário e as deficiências nas operações e, assim, conseguimos compreender as deficiências”, conta. Com base nessas informações, um grupo de especialistas se uniu e transformou as informações em manuais nos quais estão inclusas diversas explicações cuidadosamente detalhadas.

É possível obter nos documentos a descrição do que é e do que não é ato cooperativo, como devem ser padronizadas as demonstrações contábeis, como deve ser feita a apuração dos resultados dos atos cooperativos, e como deve estar consolidado o balanço dos números, bem como deve ser organizado o fluxo de caixa e quais as normas tributárias que devem ser seguidas com apuração dos tributos efetivamente devidos.

Os manuais trazem, ainda, as normas da ANTT, pontos para a devida padronização de processos, as contribuições que devem ser cumpridas e temas como licenças, seguros e riscos. Para Dickel, os documentos atendem a necessidades do setor cooperativista e é um meio valioso de evitar transtornos como multas e autuações fiscais que podem, inclusive, causar o encerramento das atividades.

“Agora, o ramo Transporte pode checar suas dúvidas sobre a incidência de impostos e obrigações. É uma iniciativa pioneira neste segmento de negócios”, afirmou. Por fim, o especialista contábil esclareceu que os manuais serão atualizados a medida que normas e obrigações tributárias sofram alterações. “Trata-se de uma grande conquista que deve ser utilizada e que está ao alcance de todos”, concluiu.