União e trabalho conjunto: a lição de casa

Publicado em: 29 setembro - 2016

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Traçando uma linha do tempo, desde os pioneiros de Rochdale, Dame Pauline Green – que em 2009 tornou-se a primeira mulher presidente nos 120 anos de existência da Aliança Cooperativa Internacional (ACI) e é uma das principais responsáveis pela ONU ter definido 2013 como o Ano Internacional das Cooperativas – procurou chamar os presentes à realização de uma ação conjunto, de âmbito local, que complemente o trabalho realizado pela ACI em sua gestão e que ofereça o cooperativismo e sua doutrina como opção ao contexto econômico e social de hoje, com consequências positivas inclusive para as cooperativas, que, entre outros aspetos, ampliarão sua penetração e o seu número de membros, contribuindo para a criação de novas lideranças.

“Pude ter, como presidente da ACI, a oportunidade de ver o que as cooperativas podem oferecer e o que a cooperação faz para toda a comunidade, independentemente do país em que estão instaladas. O cerne do movimento, no início, foi a ambição inovadora em uma época pós-revolução industrial marcada pelas precárias condições de trabalho e, hoje, em um cenário marcado por inúmeras questões financeiras, destaca-se a imigração, ou seja, o abandona da própria pátria para encontrar a paz. A cooperação, nos dias atuais, é afetada por forças e tensões que querem a quebra dessa harmonia conquistada pelo movimento cooperativista. Há cinismo, desesperança e ansiedade em relação ao futuro, que somam-se a problemas econômicos e à resistência a medidas de austeridade”, resumiu Pauline Green.

No âmbito dos indivíduos, Dame Pauline lista outras necessidades, decorrentes do empoderamento das pessoas, que passaram a buscar novas alternativas, a desconfiar de líderes políticos, empresariais, especialistas e até do status quo, e querem “pessoas que falem com elas, abrindo-se, assim, a oportunidades e à ação popular via mídias sociais. Essas pessoas se ressentem da falta de liderança global e precisam se sentir parte da comunidade, participar”.

As alternativas, detecta a ex-presidente da ACI, passam pelo cooperativismo e pelas instituições que respondem pela sua organização, exigindo união em âmbito global e local, desenvolvimento de parcerias internacionais, aproximação a instituições como ONU e G 20 para amplificar o alcance. Os primeiros passos – frisou – foram dados durante sua gestão.

“Nosso papel está estabelecido, temos as portas abertas e trabalhamos junto aos governos via cooperativas, estabelecemos nossa imagem global. Agora, precisamos nos comprometer com as lideranças locais, e a tecnologia é um instrumento para as pessoas fazerem suas sugestões e opinarem, mas também para elas verem o valor do trabalho realizado. É preciso replicar para o público local a mensagem que desenvolvemos globalmente, torná-los orgulhosos da cultura cooperativista e mostrar que temos uma grande história para contar”.

Ao encerrar sua fala, deixou mais um dever de casa para os dirigentes presentes: “há um vácuo de liderança no mundo. Trabalhando juntos, preencheremos esse vácuo”, conclamou.