O novo futuro do agro: Representante do cooperativismo, Tânia Zanella é nomeada Vice-Presidente do IPA

Publicado em: 05 março - 2021

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Com a divulgação de que o Brasil viu uma queda histórica de 4,1% em seu PIB, veio a notícia de que o agronegócio foi o único setor a registrar resultado positivo para o país, crescendo 2% em relação à 2020. Sendo um setor fundamental para a sociedade, o agro como um todo tem pensado novas formas de continuar suas atividades. Entre essas, a ideia de que valorizar o trabalho em conjunto e buscar uma forma mais sustentável de produção, pode elevar a categoria a novos patamares. Assim, o cooperativismo agro é hoje um dos protagonistas do setor, com milhares de cooperativas e produtores cooperados que, ano após ano, entregam cada vez melhores resultados. 

Realizando a ponte entre o agro e os três Poderes, o Instituto Pensar Agrocupecuária (IPA) vem trabalhando desde 2011 para levar pautas de interesse do setor para os debates no Congresso, conquistando importantes mudanças que possibilitaram os resultados vistos até hoje. 

De olho no futuro e nas possibilidades que se abrem com a conquista de um meio mais inclusivo e sustentável, o IPA recentemente anunciou novos nomes em sua liderança.

Em uma entrevista exclusiva para a MundoCoop, Tânia Zanella, Gerente Geral da OCB, e recém-nomeada Vice-Presidente do Instituto Pensar Agropecuária, revisita os resultados recentes do setor, enquanto discute as perspectivas para o setor agropecuário num futuro próximo. Leia abaixo.

Qual a importância do Instituto Pensar Agro para o Brasil?   

O Instituto Pensar Agro (IPA), formado por 45 entidades do setor produtivo, é o braço técnico e informacional da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Por meio de suas comissões temáticas e órgãos diretivos, o setor debate os principais desafios e oportunidades para o desenvolvimento sustentável das diferentes cadeias produtivas do agro. Estes pleitos são traduzidos em projetos, regulamentações, leis e políticas públicas de fomento ao setor.  

O que representa para você ser nomeada como vice-presidente do Instituto? 

Acredito que faço parte de um momento de maior valorização e reconhecimento das mulheres em cargos diretivos, tanto no mercado de trabalho, quanto na política e no agronegócio. Tenho convicção de que esta é uma tendência a ser seguida, de termos cada vez mais voz e presença feminina nestes espaços de decisão. Neste contexto, acredito que a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) tenha bons exemplos a serem seguidos. Hoje, a maior parte da equipe gerencial da nossa entidade é formada por mulheres. Em 2019, no nosso 14º Congresso Brasileiro do Cooperativismo, contamos com a presença de uma comitiva de embaixadoras coop, lideranças femininas selecionadas dentre cerca de 500 mulheres, que hoje ocupam importantes espaços de participação na tomada de decisões da nossa entidade e nas cooperativas das quais fazem parte. Temos notícias que exemplos como este estão sendo efetivados em todo o país. Acredito que o próximo passo é que essa participação seja cada vez mais presente e efetiva em nível diretivo.  

Como esta indicação ao IPA influencia a representação política do cooperativismo?  

Podemos dizer que a OCB tem sido reconhecida, ao longo dos anos, como referência na atividade de representação política. Isso tem sido indicado nas últimas pesquisas de reputação que fizemos junto a parlamentares e autoridades governamentais. Hoje, além do papel de liderança dos nossos dirigentes, contamos com uma equipe especializada e com uma estrutura organizacional que nos dá tranquilidade e confiança na defesa dos nossos pleitos. Tanto é que, mesmo num cenário adverso, com a pandemia, tivemos perto de 100% de eficiência na defesa dos nossos pleitos no Congresso Nacional em 2020. A indicação do meu nome como 2ª vice-presidente do IPA se soma a esses fatores e nos abre mais possibilidades de ações e estratégias na representação das nossas cooperativas. Cabe lembrar que esta sinergia também se dá nas Frentes Parlamentares do Cooperativismo (Frencoop) e da Agropecuária (FPA), assim como no caso do presidente da FPA, deputado Sérgio Souza (PR), e do presidente da Frencoop, deputado Evair de Melo (ES), que participam ativamente das duas bancadas.  

Quais os principais desafios do setor agropecuário brasileiro hoje?   

O agronegócio brasileiro tem vivido um momento de grande transformação nos últimos anos. Mesmo antes dos desafios impostos pela pandemia, nós já observávamos algumas mudanças de cultura e de comportamento muito presentes no mundo digital. Hoje, não podemos pensar no desenvolvimento do agro sem nos debruçarmos nestas três diretrizes: a integridade, a sustentabilidade e a inovação. Na minha opinião, estes são elementos os fundamentais para a profissionalização da gestão e da governança das atividades do agronegócio e para a maior competitividade da cadeia produtiva brasileira. Dados os reflexos da pandemia, estas tendências foram aceleradas. As atividades do agro tiveram que se adaptar rapidamente ao mundo digital e ao aumento das exigências do consumidor e dos investidores brasileiros e internacionais, tendo em vista a busca de produtos cada vez mais seguros, sustentáveis e com rastreabilidade. E temos feito isso com eficiência, nos destacando hoje como um dos principais exportadores de alimento para o mundo.   

Quais são as prioridades do agro para 2021?  

Eu vejo o cenário para este ano de duas formas. Primeiramente, considero que estejamos com uma janela de oportunidade aberta para avançarmos em pautas setoriais e de melhoria do ambiente de negócios para o país. Vejo como boas oportunidades o avanço das políticas de conectividade no campo, de reestruturação dos modais de transporte, assim como a nova lei de licenciamento ambiental. Estes são alguns dos pontos importantes para que possamos ter mais infraestrutura e logística para o escoamento da nossa produção, aumentando, assim, a nossa competitividade no mercado internacional. Por outro lado, o endividamento público e o déficit fiscal, agravados com a pandemia, devem pressionar o governo a buscar novas fontes de receita ou de diminuição de despesas. Então 2021 vai ser um ano bastante acirrado para o agronegócio na defesa das políticas públicas de fomento do setor produtivo, em especial, o Plano Safra. O sucesso do agronegócio brasileiro se deve, em muito, a uma política agrícola consistente, que foi capaz de sanar distorções de mercado e de promover um efeito multiplicador na economia. Iremos lutar para que continuemos com um rol de políticas públicas eficientes e que tragam segurança para o desenvolvimento do nosso setor e para o país. 


Por Redação MundoCoop


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