Ações sustentáveis para recuperar florestas crescem no país e cooperativas são protagonistas

Publicado em: 10 novembro - 2020

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Em que pese a devastação das florestas brasileiras, devido às queimadas – que tiveram mais de 175 mil focos em todos os biomas brasileiros, até outubro de 2020, o maior em dez anos, conforme apontou o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) – no Brasil, algumas iniciativas de recuperação do meio ambiente ganham destaque, em sintonia com o Acordo de Paris, que prevê o reflorestamento de 12 milhões de hectares até 2030.

Um exemplo é o de Silvany Lima, moradora da área rural de Pintadas (BA), que tem uma experiência bem-sucedida com o umbu, fruta típica do semiárido nordestino, que resultou, não somente em maior renda, mas ganhos ambientais também.

Às voltas com o problema crônico da seca na região, que vinha afetando a produção leiteira local, a produtora rural viu no umbuzeiro uma possibilidade de solução. Com essa ideia na cabeça, Silvany ajudou a organizar um grupo de mulheres empoderadas, em busca de uma fonte própria de renda, que a livrassem da dependência dos maridos. “Criamos uma associação de mulheres agricultoras e a Cooperativa Ser do Sertão para produção de suco de umbu”, conta Silvany. Em pouco tempo, a produção manual de 15 mulheres passou a uma fábrica composta por 150 pessoas, a maioria do sexo feminino.

A cooperativa Ser do Sertão, por sua vez, embora não plante, cumpre o papel crucial de preservar a natureza, sem a necessidade de recorrer a queimadas. “Chegamos à conclusão de que não havia motivo para isso, a pretexto de criar os animais. No entanto, este foi um trabalho lento de convencimento da comunidade quanto à importância da preservação”, admite Silvany. 

Na trilha da biodiversidade, a Symbiosis Investimentos é uma empresa que se dedica ao plantio e desenvolvimento de madeira de alta qualidade para construção civil, transformada em pisos, móveis, portas e janelas. Seu mentor, Bruno Mariani, deixou uma carreira internacional no mercado financeiro para se dedicar a esse segmento. Mas sua ideia é antiga. Desde 2007, ele tinha vontade de realizar algo ligado à sustentabilidade, após conversas com os empreendedores estrangeiros com os quais mantinha contato, à época. Em 2010, Bruno decidiu comprar a primeira fazenda em Porto Seguro, no sul baiano.

A reviravolta profissional deu certo, pois Bruno pôde associar a capacidade natural pela matemática aos princípios do reflorestamento. “Aproveitei o conhecimento do mercado financeiro, estudei biologia e ecologia, mas também busquei formar um time coeso”, explica. Embora possuam cenários distintos, mercado financeiro e ecologia, na avaliação do novo produtor, têm algo em comum, pelo menos, em complexidade. “A forma de combinar também gera resultados diferentes. Foi um desafio muito grande. No Brasil, temos um sistema de monocultura que é bem simplificado, mas que não traz os benefícios da ecologia. As florestas mistas têm muitos benefícios, principalmente na fauna”, admite.

A experiência da Symbiosis começa com a busca de sócios-investidores da empresa (são 14, atualmente) que, por sua vez, investem em reflorestamento, em larga escala. “Foram dez anos de testes para comprovar que o modelo é rentável”, lembra. O passo seguinte é a abertura do capital da empresa na bolsa de valores, o que deve demandar outros dez anos. Hoje, para investir em reflorestamento, é possível comprar ações de empresas de produção de papel e celulose, focadas em apenas uma espécie, de maneira geral.

O resultado foi surpreendente e a Symbiosis possui uma área de 1, 5 mil hectares em Porto Seguro, na qual estão plantadas 1,2 milhão de árvores, de 56 espécies. Para o modelo de expansão da companhia, serão mantidas 20 espécies mais resistentes e de melhor performance. 

Os dois empreendimentos ecologicamente corretos foram incluídos na websérie “Caras da Restauração”, produzida pelo WRI Brasil, instituto de pesquisa com atuação em áreas como “cidades sustentáveis”, “clima” e “florestas”.  Sua criação tem por objetivo chamar a atenção para o ‘Brasil que está por trás’ da restauração do verde, envolvendo, tanto, pessoas que acreditam no projeto, quanto aquelas beneficiadas por ele. 

De acordo com o diretor do programa de florestas do WRI, Miguel Calmon, o trabalho de recuperação, redução de áreas degradadas e conservação traz muitos benefícios. “No Brasil, há enormes áreas que poderiam beneficiar a população e contribuir para a melhoria da qualidade da água, redução da erosão, qualidade do solo e mudanças climáticas”, conclui.   


Marcello Sigwalt – Redação MundoCoop


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