Como cooperativas catarinenses estimulam o empreendedorismo e a inovação

Publicado em: 04 novembro - 2021

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Com o objetivo de tornar negócios mais competitivos e estimular o desenvolvimento de novas ideias, entidades têm apostado em projetos inovadores

A ação de empreender é identificar um problema e criar uma solução para ele. É buscar a inovação e desenvolver novas alternativas no mercado e o Brasil é um país destaque nesse quesito. Segundo dados de 2019, disponibilizados pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM), são mais de 53 milhões de brasileiros empreendendo hoje.

Em Santa Catarina, predomina o modelo de pequenas e micro empresas. Dados do Sebrae/SC apontam que são mais de 500 mil negócios neste modelo. Para fomentar ainda mais o modelo e estimular a competitividade das empresas cooperadas, a Cooperativa de Crédito CredCrea, integrante do Sistema Ailos, em parceria com o Sebrae, desenvolveu o projeto CooplNOVA.

O projeto lançado em março de 2021 foi ministrado online, com cinco encontros, onde foram realizados workshops e palestras, além de 16 horas de consultoria individual com profissionais do Sebare, visando o alcance de resultados, além da aplicação dos ensinamentos adquiridos nos workshops nos empreendimentos.

Foram abordados diferentes temas, voltados para aprimorar as empresas. Os participantes aprenderam sobre empreendedorismo, finanças, contabilidade e serviços financeiros, gestão de produtividade e qualidade, inovação, legislação aplicadas a pequenos negócios, marketing de vendas e digital, além de ensinamentos sobre recursos humanos, voltado para gerenciamento de pessoas. A CredCrea custeou 75% do programa para as empresas cooperadas inscritas.

Desafiando empreendedores

Os desafios enfrentados pelos empreendedores durante a pandemia foram propulsores de novas ideias para se manterem ativos no mercado, exigindo inclusive que as mudanças fossem aplicadas com rapidez. Identificando esse cenário e reforçando o propósito de auxiliar a comunidade a inovar, a Cooperativa de Crédito Civia,mais uma integrante do Sistema Ailos, desenvolveu o projeto CooperaHack – Hackathon Desafio Civia 2021.

Voltado para os municípios São Bento do Sul, Campo Alegre, Rio Negrinho, Rio Negro, Mafra, Piên, Joinville, Porto União, Agudos do Sul, Sorocaba e Belo Horizonte, o desafio foi realiazado em formato de maratona de ideias e contou com a participação de 20 equipes. As atividades aconteceram em formato completamente online, e incluíram palestras, webinars e mentorias. A competição foi promovida em parceria pela Cooperativa de Crédito Civia, Sebrae, Centro de Inovação da Região do Planalto Norte e o Projeto Ideando.

O tema do desafio foi baseado nas necessidades diagnosticadas e por pesquisas realizadas pela Civia e Sebrae. As demandas identificadas foram o aumento de rentabilidade; novos processos para desenvolvimento de produtos, serviços, tecnologias; atração e retenção de capital humano qualificado; identificação de novos padrões e comportamentos de consumo; formas de valorização do produto/serviço; marketing de posicionamento e gestão financeira.

Ao todo 97 pessoas participaram, entre os 11 municípios participantes. O número representa a quantidade de pessoas que buscam inovar e se colocam à frente do mercado, com novas ideias e soluções.

“Desde quando constituímos a Civia há 13 anos, buscamos estar junto à comunidade. Possuímos a missão de transformar a vida das pessoas e comunidade por meio do cooperativismo e compreendemos a oportunidade e responsabilidade de realizá-la todos os dias. Fico grato e feliz ao ver como as parcerias e projetos realizados durante o CooperaHack fortalecem esse objetivo”, exalta o presidente da Civia, Uwe Stortz.

Projeto vencedor exalta consumo sustentável

A ideia de consumo sustentável gira em torno do propósito de reutilizar os produtos, além de consumir objetos que necessitam menos recursos naturais. O projeto que conquistou o primeiro lugar do CooperaHack trouxe uma proposta voltada para essa ideia. Com o nome Feirinhas: o guarda-roupa online do seu bebê, as roupas de bebê, depois de utilizadas voltariam para o mercado após o seu crescimento.

Com o desenvolvimento da criança, as roupas seriam trocadas por cupons nas lojas locais e disponibilizadas em sites, para serem alugadas com preços acessíveis. O conceito de economia circular e consciência ambiental, além da fidelização de clientes nas lojas locais renderam a vitória da equipe formada pelos integrantes Eloisa Kohlbeck, Fernanda Hänsch Beuren, Amanda Melo e Régis dos Santos Camargo.

O Hackathon foi um desafio que visou a competição de ideais, mas muito mais que isso, descobriu novos talentos e gerou negócios inovadores. A premiação em dinheiro e em incubação também foi apontada como motivação. A Incubadora Tecnológica – ITfetep disponibilizou setores de trabalho para o desenvolvimento das novas ideias.

Para 2022 já estão em planejamento novas edições do Hackathon, prevendo novas participações e ideias ainda mais estimulantes.

Empreendendo no campo

Apenas no Brasil, de acordo com dados do Global Entrepreneurship Monitor, existem 30 milhões de mulheres empreendedoras, o que representa quase 50% do mercado empreendedor do país. As mulheres conquistaram o seu espaço aos poucos, mas ainda possuem um longo caminho para percorrer.

Estimular o lado empreendedor da mulher do campo é um dos propósitos do projeto da Cooperativa Regional Auriverde. O Mulheres Cooperativistas, desenvolvido em parceria com a Sescoop/SC, tem como premissa despertar nas mulheres senso de liderança e aumentar a sua participação no quadro social das cooperativas.

Para estimular a adesão das mulheres ao projeto, foi realizado um trabalho minucioso. Ia-se até a casa de cada uma das cooperadas, conversar e convidá-las para fazer parte da formação.

“No começo não foi fácil, tivemos muita resistência e foi necessário um poder de convencimento grande. Nem todas participaram, algumas desistiram porque o programa é desafiador. As mulheres costumam dar preferência a sua família e seus lares, então o grande trabalho foi fazer elas entenderem que esse trabalho é feito para ela melhorar o seu potencial e, que, da mesma forma, já está agregando junto à sua família e para melhorar o seu dia a dia”, relata a coordenadora de projetos sociais Auriverde, Greicy Majolo Zart Ritter.

O programa Mulheres Cooperativistas possui 104 horas de aulas no total, e aborda diversos temas como o Protagonismo Feminino e Liderança Cooperativistas; Empreendedorismo Cooperativo; Desenvolvimento Interpessoal e Relacionamento Familiar, entre outros.

Após realizar o curso, as mulheres podem fazer parte do Núcleo Feminino da Auriverde, que possui três formações, duas no oeste de Santa Catarina e uma no Sul do estado. Ao todo, 97 mulheres cooperativistas fazem parte do núcleo, que busca inserir a figura da mulher cada vez mais no cooperativismo.

“Nos dias atuais, é muito importante ter a mulher na liderança da sua empresa rural, na sua propriedade rural. Ela ajuda a tomar decisões, não é mais como era antigamente, quando só o homem decidia sobre o negócio e fazia parte da questão financeira da empresa. Está cada vez mais forte o poder de decisão da mulher junto à sua família e também muitas mulheres sozinhas tocando as suas empresas rurais, tomando as decisões na sua casa. O papel do Núcleo da Mulher é incentivar as mulheres a darem o seu melhor e saber como tomar a decisão correta”, finaliza Greicy Majolo Zart Ritter.


Fonte: G1


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