Cooperativa habitacional CICOM: a Nova Economia praticada há quase dois séculos

Publicado em: 29 novembro - 2020

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“Da mesma forma que o trabalho é de todos, os ganhos também são para todos. Isso significa que a sua luta é exatamente a mesma de seu companheiro e, se você não colaborar com ele, você também não obterá aquilo que quer. Então, seguindo essa lógica, entendemos que sim, o Brasil tem muito para aprender com cooperativismo”.

Fiel a essa visão, o diretor-executivo da cooperativa habitacional CICOM, Carlos Massini – que atua em São Paulo – reafirma a missão da instituição de combater o déficit no setor, como também as condições de moradia degradantes, existentes, tanto na Capital, quanto no interior do estado. Para atingir tal objetivo, o diretor entende que “o cooperativismo possui um formato que cria relações de apoio social e constitui referência de segurança em momentos de crise e incerteza como os atuais”.

Uma das cooperativas que promovem acesso social à moradia em SP, a CICOM, segundo Massini, propõe que os modelos sejam ‘menos capitalistas’ e tenham como ponto central o ‘resgate da dívida social’. Sua atuação começa com a identificação de um terreno adequado a um projeto habitacional. Em seguida, é feito o cadastramento dos interessados, que se comprometem a adquirir imóveis, por um valor previamente estabelecido em consenso, ou seja, por um preço justo. A partir daí, é desenvolvido o projeto de engenharia, quando a cooperativa passa a arrecadar recursos junto aos cooperados, assim como busca alternativas de crédito, para então contratar a construtora responsável pela execução da obra. Ao mesmo tempo, a CICOM dispõe de diversos dispositivos de segurança que garantem a credibilidade do processo, eliminando suspeitas que colocavam em dúvida os investimentos.

Prática secular

Massini vai além e afirma que o cooperativismo, há quase 200 anos, já pratica o que prega hoje a chamada Nova Economia. “Gerar benefícios à sociedade, com amplo interesse no desenvolvimento, potencial de habilidades, autonomia e, sobretudo, qualidade de vida. Esses propósitos são conhecidos como terceiro setor, mas também são compartilhados com as cooperativas que indicam um modelo de negócio que se aflora, frente à crise instaurada no mundo todo”, diz.

Sobre os debates envolvendo a inclusão das cooperativas como instituição do terceiro setor, o diretor da CICOM avalia que “ambas possuem muito em comum”.  Para o diretor, na verdade, cooperativismo e terceiro setor têm muito em comum, principalmente no que toca “ao fortalecimento das comunidades e capacitação dos indivíduos, muito além da lógica do capital, mas afinada com a razão de existir das organizações”.

A CICOM estima que o desenvolvimento econômico decorrente do cooperativismo nacional contempla, pelo menos, 15 milhões de pessoas – em 7 mil cooperativas divididas em diferentes setores – que participam de um modelo calcado na partilha de decisões e de resultados, o que gera confiança e também empregabilidade. Isso corresponde a 400 mil empregos diretos, somente criados pelas cooperativas. No mundo, esse montante chega a 100 milhões, segundo a cooperativa habitacional.

Sobre os percalços da pandemia, Massini admite que a CICOM não ficou ilesa, mas a interpretou como ‘oportunidade única’ de fortalecer a união entre os cooperados, além de evitar a fragilização da cooperativa devido à situação, prevalecendo o ‘espírito de força coletiva’ e ‘persistência por parte de todos’.

“Nosso capital é humano. São as pessoas que fazem o negócio girar. Isso dá, a cada um, sua parcela de responsabilidade e importância”, conta, acrescentando que se trata de “milhares de mãos envolvidas no mesmo trabalho para atingir o objetivo comum, bem diferente das disputas que acontecem entre as empresas”, comparou.

Na perspectiva, o diretor-executivo da CICOM prevê que o mundo se tornará ‘mais equilibrado’ após se recuperar dos ‘desajustes’ causados pela covid-19. “No Brasil, onde as desigualdades são bastante contrastantes, um modelo econômico de cooperação, não só trará bons resultados econômicos, mas atenderá camadas sociais mais desprovidas”, conclui.


Marcello Sigwalt – Redação MundoCoop


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