Diálogos de Intercooperação: episódio final discute o papel da inovação no futuro do cooperativismo de crédito

Publicado em: 26 agosto - 2021

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O ramo crédito vem passando por uma profunda transformação. Com a pandemia, a tecnologia no sistema bancário chegou a um novo patamar, com novas soluções para atividades do cotidiano. PIX, cashback, Open Banking e moedas digitais são apenas alguns exemplos da modernização do sistema bancário nacional. Essas e outras mudanças foram tema do sétimo e último episódio do Diálogos de Intercooperação, que ocorreu ontem (26) no canal do YouTube do Sicoob Credicitrus. 

O evento, realizado de forma digital, contou com a mediação de Luis Claúdio Silva, diretor da MundoCoop. Em sua fala inicial, ele destacou as recentes inovações do setor, com as novas ferramentas que foram lançadas recentemente e outras que virão a seguir. Ainda durante a abertura, foi destacada a Agenda #BC, do Banco Central, que prevê uma expansão de 10% para 22% na participação das cooperativas no sistema de crédito nacional. O episódio, assim como os outros, buscou levantar o que será necessário para atingir essa marca. 

O evento 

Para abrir o ciclo de palestras, o Diálogos de Intercooperação contou com a presença de Harold Espínola, Chefe do Departamento de Supervisão de Cooperativas e de Instituições Não Bancárias (DESUC) do Banco Central do Brasil. Espínola iniciou sua fala com uma pergunta: o cooperativismo está se desenvolvendo em velocidade digital? Com novas ferramentas sendo lançadas a cada dia, o poder está na mão do cliente; algo que torna este um chamativo para empresas, tornando a busca pelo público algo cada vez mais desafiador. Novos players e negócios se juntaram ao mercado nos últimos anos, e o desafio das cooperativas é manter a relevância. Para isso, Espínola conclui, é preciso que haja intercooperação, que deixa de ser uma opção, para se transformar em um elemento essencial para a sobrevivência dos negócios. De olho nisso, as cooperativas devem solucionar os seus problemas antigos, como a comunicação, e aderir a novos formatos e práticas. De olho, cada vez mais, no trabalho coletivo e compartilhado

Em seguida, o palco virtual trouxe Solon Stahl, diretor executivo do Sicredi Pioneira. Trazendo para o contexto da cooperativa, Stahl inicialmente destacou a diferença entre invenção e inovação. Muitas vezes, a simples criação de uma ferramenta ou objeto é tida como uma inovação. Mas, como ressalta, a inovação vem à medida que aquilo cria para si um valor. E para isso, é preciso arriscar. Se desvencilhar de antigos processos e criar novos caminhos. Stalh também compartilhou algumas das ações da Sicredi, pensadas de forma a alavancar essa busca por inovação nos processos. Entre elas, ele destacou a criação do Complexo Pioneira e da Agência Digital, que buscará para o grupo escalabilidade e, principalmente, ser uma alternativa aos bancos digitais. Concluindo, Stalh deixou uma reflexão: como ressignificar o relacionamento no mundo digital? Este é, como todos destacam, um dos desafios da nova era. E deve ganhar grande atenção nos próximos anos. 

Dando continuidade, Walmir Segatto, CEO do Sicoob Credicitrus, destacou o que ele considera o principal elemento da missão das cooperativas: inovar com foco em pessoas. Para isso, ele destaca a importância de realizar uma provocação interna, de forma a instigar a busca por novas soluções e conhecimentos, de forma a disseminar um mindset e uma cultura de inovação. Para isso, ele destaca que é preciso enraizar esse “clime de inovação”, tratando essa busca como algo essencial e indispensável para as cooperativas. Construindo um DNA de inovação, com a inovação sendo colocada em prática, e não sendo apenas um desejo ou teoria. Para concluir, Segatto salientou que é preciso construir as condições para que a transformação aconteça, envolvendo colaboradores, gestão e todos os níveis da estrutura cooperativa. Apenas assim a inovação sairá do papel, e transformará o dia a dia da sociedade como um todo. 

Após a fala de Segatto, o Diálogos de Intercooperação recebeu o diretor executivo da Viacredi, Vanildo Leoni. Em sua explanação, Leoni defendeu o uso da inovação como uma ferramenta para a inclusão. Como ele destaca, o modelo cooperativo tem em sua essência o “gosto” pela inovação, sendo uma característica natural ao movimento. Assim, basta desenvolver essa habilidade, chamando o cooperado para mais perto, colocando-o em foco. De olho nas ferramentas, ele ainda levantou a necessidade de levar o cooperativismo para o mundo digital, mas sem deixar a essência cooperativa de lado: construir uma inovação de pessoas para pessoas. Pois, como Leoni ressaltou, quando se escuta pessoas, o ambiente de inovação se desenvolve e ganha forma. Para concluir, ele destacou que é preciso não ter medo de inovar. As cooperativas devem abraçar a necessidade da inovação e facilitar o seu processo, derrubando barreiras físicas e imateriais, trabalhando o mindset de seus colaboradores e cultivando, uma rede de inovação

O próximo passo 

Para encerrar o evento, o Diálogos de Intercooperação contou com a fala final de Camila Japp, gerente da DGRV Brasil. Japp destacou a importância da série de eventos que, no auge da pandemia, reuniu cooperativistas de todo o setor para falar de temas que vão levar o movimento rumo ao futuro. Como destacou, a intercooperação desempenhou um papel fundamental neste processo, com o compartilhamento aberto de pensamentos, opiniões, insights e soluções para os dilemas do cooperativismo de crédito. Japp lembrou do lado social do evento que, numa demonstração do sexto princípio cooperativista, arrecadou cestas básicas para famílias em situação de vulnerabilidade. Ainda em sua fala, Japp reforçou a importância de promover o diálogo: compartilhar ideias e desenvolver ferramentas em conjunto. Só assim, com uma sólida intercooperação, é que o ramo – e o movimento como um todo – continuará a se fortalecer. 

De olho nos próximos passos, Camila Japp compartilhou alguns detalhes de um novo projeto de intercooperação. Envolvendo três cooperativas singulares, localizadas em Rondônia, Tocantins e Paraíba, o projeto piloto buscará soluções a partir da prática da inovação aberta, de forma a identificar oportunidades e insights para o futuro do cooperativismo de crédito. A ideia é compartilhar novas ideias e posteriormente, criar uma plataforma que possibilite a participação de cooperativas de todo o setor, trazendo uma rede de intercooperação forte e com resultados duradouros. 

Serviço 

Para ver ou rever o Diálogos de Intercooperação: Inovação, acesse o link. Também estão disponíveis na íntegra os episódios anteriores, que podem ser conferidos na playlist completa disponível no canal do YouTube oficial do Sicoob Credicitrus


Por Redação MundoCoop


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