Holambra supera crise e registra faturamento 25% maior em 2020

Publicado em: 22 dezembro - 2020

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O aumento da área plantada, investimentos em tecnologia – em especial em manejo e irrigação – e os preços elevados das commodities estão entre os fatores que ‘puxaram’ o desempenho favorável da cooperativa paulista Holambra que, neste ano, deve colher um faturamento 25% superior a 2019 (R$ 1,2 bilhão), com a expectativa de repetir a dose em 2021. 

Segundo o presidente-executivo da companhia, Shandrus Hohne de Carvalho, a cooperativa recebeu, neste ano, 20% a mais de grãos de algodão – comparado ao exercício anterior – além de já ter vendido 90% da produção 2019/2020. “Nosso plano é dobrar de tamanho nos próximos quatro anos, quando vamos agregar mais valor aos produtos e equipar os cooperados de ferramentas de gestão de fazendas e da agricultura digital”, adianta.

Apenas nos últimos três anos, a cooperativa investiu cerca de R$ 100 milhões em operações, com a intenção de aplicar outros R$ 45 milhões, no ano que vem – R$ 10 milhões com a abertura, em janeiro próximo, da sétima unidade da cooperativa, em Lençóis Paulista (SP) e os R$ 35 milhões restantes a serem investidos na reforma de armazéns, ampliação da capacidade de recepção e novos secadores de grãos.

O estímulo à produção de algodão é outra meta destacada por Carvalho (99% da pluma produzida tem padrão exportação), com a vantagem comparativa de a empresa dispor atualmente de duas algodoeiras para beneficiamento. Diante da perspectiva de uma remuneração maior nos grãos, a estimativa da empresa é de que, para a safra de verão 2020/2021, o plantio da pluma apresente recuo de 60%, em contraponto à expansão moderada da área plantada (10%), no caso do milho e da soja. 

Frango sustentável – Os ventos de sustentabilidade começam a soprar mais forte para a cooperativa Seara, uma das maiores do país, que acaba de lançar o frango Fiesta orgânico, uma novidade na categoria de aves de grande porte. De acordo com a companhia, cerca de 11 mil frangões foram criados no estado de Santa Catarina, por nove granjeiros, de onde resultou 215 toneladas de carne, com um detalhe muito importante para o consumidor: sem qualquer uso de agrotóxicos ou componentes transgênicos. Informações mais recentes dão conta de que o novo produto deverá custar cerca de 30% a mais do que o convencional.

Outra inovação na medida de paladares vegetarianos e similares é o lançamento do “bacalhau 100% vegetal’, produzido pela unidade da empresa em Rio Grande da Serra (SP), cuja receita é à base de pimentões (verde e vermelho), grão-de-bico, tomate, cebola e azeitona. O novo alimento, segundo o diretor-executivo de Marketing e Trade, Jose Cirilo, possui, ainda, “a biomolécula i, tecnologia exclusiva que garante sabor e textura de carne aos alimentos feitos com plantas”. O executivo acrescenta que a empresa “está atenta a tendências globais de mercado para trazer novidades inovadoras e surpreendentes”.

CAR – No que toca à questão fundiária, em breve deverá ser adotado pelos estados o sistema eletrônico de validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), atualmente em teste pelo Ministério da Agricultura. Como reflexo, o Paraná já deu início ao treinamento que precederá a entrada em operação, em 2021, da plataforma ArcGis, desenvolvida pela Universidade Federal de Lavras (Ufla), segundo o diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), Valdir Colatto, responsável pelo gerenciamento do CAR. Ceará e Acre também estão bem preparados e devem vir em seguida, adianta.

Para especialistas, a validação eletrônica do CAR é considerada crucial para que se acelere o processo de regularização ambiental das propriedades rurais do País. “Temos 6,5 milhões de CARs preenchidos e fazer a análise manual de cada um seria inviável. Caso o sistema veja alguma inconformidade, parte-se para a validação manual’’, completou Colatto.


Marcello Sigwalt – Redação MundoCoop


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