OCB/GO dá passo decisivo para ampliar a inclusão de mulheres e jovens

Publicado em: 04 agosto - 2021

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Formação de comitês é primeiro passo para aumentar a representatividade e a equidade de mulheres e jovens em cargos de gestão em cooperativas

O Sistema OCB/GO deu posse aos membros e coordenadores do Comitê de Mulheres Cooperativistas, que tem como objetivo oferecer às cooperativas uma maior aproximação com o Sistema e aumentar a representatividade das mulheres nas cooperativas, proporcionando equidade de gênero em todos os níveis de gestão.

Também foram empossados os membros do Comitê dos Jovens Cooperativistas. Eles vão atuar para o fortalecimento da participação democrática desse público, permitindo que sejam apresentadas suas necessidades específicas para um cooperativismo mais justo e igualitário e preparando jovens para o processo sucessório dentro das cooperativas.

O presidente do Sistema OCB/GO, Luís Alberto Pereira, ressalta a importância do cooperativismo goiano para maior participação de mulheres e jovens, não apenas como cooperadas ou colaboradoras, mas também nos órgãos de gestão. “Tenho muita esperança em relação a esse movimento que não começa aqui, pois já faz um ano que fizemos esse convite, esses meninos e meninas participaram de um curso de treinamento, mas agora essa iniciativa se formaliza e eles passam a assumir essa responsabilidade”, afirma.

A instituição dos Comitês atende a uma das propostas apresentadas no Encontro Estadual de Mulheres e Jovens promovido pelo Sistema OCB/GO, em dezembro do ano passado. Luís Alberto Pereira explica que foram nomeados os grupos de coordenadores do Comitê de Mulheres e do Comitê de Jovens que terão a missão de liderar os respectivos membros na propositura de projetos, levá-los ao Conselho da OCB/GO e do SESCOOP/GO e, se aprovados, desenvolvê-los.

“É uma responsabilidade grande que assumem e ficamos muito contentes com isso, pois esse é o primeiro passo para a liderança. O Conselho está disposto a apoiar, a contribuir”, afirmou.

A solenidade de posse, realizada em formato virtual na última sexta-feira (30/07), contou com o testemunho de dois jovens cooperativistas, Michele Bresolin, presidente da Coomaffit, Cooperativa Mista de Agricultores Familiares de Itati, Terra de Areia e Três Forquilhas (RS), e Bernardo Belloni, diretor Financeiro e Administrativo da Yougreen Cooperativa de Gestão Integrada de Resíduos, com sede em São Paulo (SP).

Os dois convidados puderam contar aos participantes as experiências e os desafios que enfrentaram para terem suas competências reconhecidas, se desenvolverem e crescerem profissionalmente nos empreendimentos em que atuam.

Filha de agricultores familiares, Michele ajudou na produção rural desde adolescente, fez faculdade e voltou para o campo para vender os produtos da propriedade da família. Ela conta que ingressou na Coomaffit em 2015, como colaboradora, trabalhando na coordenação da produção de alimentos, para que ocorresse tudo certo nas entregas.

Tudo começou logo após a conclusão de um curso que fez e que tinha como atividade principal participar de uma reunião da cooperativa. Depois, Michele se tornou diretora administrativa, vice-presidente e, desde abril deste ano, assumiu a presidência da Coomaffit. Mas para trilhar esse caminho, teve que enfrentar, no início, questionamentos e machismo, por ser mulher e jovem.

Na primeira reunião em que teve contato com o cooperativismo, o tema foi, justamente, a participação das mulheres na cooperativa. Ela diz que as cooperadas elencaram, naquele momento, os motivos pelos quais não participavam das atividades, entre eles o machismo e a falta de tempo.

“Diziam que trabalhavam durante o dia na propriedade e, à noite, faziam as tarefas do lar, enquanto os homens participavam das reuniões. Depois disso, foi realizado um curso (sobre a questão) com a empresa de assistência técnica Emater e, partir daí, a participação das mulheres na cooperativa foi incentivada”, lembra.

Representando a Central Sicredi Brasil Central, o assessor de comunicação Rafael Meira, que atua diretamente em programas de desenvolvimento do quadro social e estímulo a uma maior diversidade e inclusão nas cooperativas, contou um pouco de sua participação no curso de formação oferecido pelo SESCOOP/GO. “O conteúdo oferecido foi muito rico e muito conectado com as tendências do mercado e tenho certeza que os dois comitês contribuirão para o fortalecimento do nosso movimento no Estado de Goiás. E digo isso porque tivemos exatamente essa experiência no Sicredi”, ressalta.

Resultados rápidos

A Central Sicredi Brasil Central, relata Rafael Meira, está há alguns anos fomentando a constituição desses comitês em suas mais de 100 cooperativas e pôde observar que os frutos desse trabalho não demoraram a aparecer.

“Começamos a perceber, por exemplo, mulheres participando de forma mais efetiva e empoderadas dos nossos conselhos de Administração e Fiscal, cientes do seu papel enquanto conselheiras. Também observamos o aumento da participação de jovens e mulheres nas assembleias e um maior engajamento nas ações desenvolvidas pelas cooperativas, inclusive no Dia C Goiás, porque a pessoa começa a se sentir pertencente e vê que seu papel é importante para a cooperativa, seja nas ações sociais ou naquelas que fazem com que a cooperativa se desenvolva”, constata.

Superintendente do SESCOOP/GO, Jubrair Gomes diz que há uma expectativa muito grande em relação aos projetos que vão ser desenvolvidos a partir dos recém-criados comitês de jovens e de mulheres. “Vamos trabalhar em parceria e desenvolver esses projetos. O SESCOOP/GO tem uma grande preocupação com a diversidade e é muito importante que as mulheres assumam papéis de gestão nas cooperativas. Precisamos muito dos jovens também, não apenas como cooperados, mas dentro das cooperativas, principalmente nesse momento em que se reconhece tanto a importância da sucessão”, frisa.


Fonte: OCB GO


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