Presidente da OCB destaca resiliência do movimento cooperativista em tempos de crise

Publicado em: 06 dezembro - 2020

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Na abertura do Encontro Estadual de Cooperativistas Paranaenses, na manhã desta sexta-feira (04/12), o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, destacou a capacidade de resiliência do movimento cooperativista, especialmente em momentos de crise como a provocada pela pandemia do novo coronavírus. Em sua avaliação, o período pós-pandemia trará ainda mais oportunidades para o setor se desenvolver.

“O movimento cooperativista tem uma reação extremamente resiliente em momentos de crise. Isso é histórico no cooperativismo, que nasceu durante a Revolução Industrial, na Inglaterra. As primeiras cooperativas surgiram como base de organização para fazer enfrentamento aos problemas gerados pelas crises. Não tem sido diferente no decorrer da história. Nos anos de 2008 e 2009, as cooperativas também tiveram desenvolvimento e um poder de resistência muito grande. Os países onde o cooperativismo estava presente tiveram um suporte melhor. E nessa crise que está ocorrendo agora, muito mais acelerada pela pandemia sanitária, não foi diferente. O cooperativismo tem sido uma forma de suporte às pessoas e, com isso, as cooperativas estão crescendo e o desenvolvimento do setor é notável, em diversas áreas”, afirmou.

Ele citou como exemplo o cooperativismo agropecuário. “É um ramo que não pode ter lockdown, não pode parar, você tem que colher, plantar, tratar dos animais, tirar o leite todo dia e esse leite tem que chegar até o consumidor. Então, esse processo de continuidade faz com que, no ambiente em que as cooperativas estão presentes, seja criado um processo de cluster de desenvolvimento que irradia positivamente”. Lopes lembrou também do bom desempenho do cooperativismo financeiro, saúde, transporte, trabalho, entre outros. “Eu estou muito otimista e satisfeito por poder representar um setor que tem sido tão útil para a sociedade brasileira. Apesar de todos os problemas e dos grandes cenários não serem positivos, este é um ano em que o cooperativismo mostrou o seu valor de organização das pessoas”, frisou.

O presidente do Sistema OCB lembrou que atualmente o cooperativismo brasileiro movimenta mais de R$ 400 bilhões e congrega mais de 15 milhões de cooperados. “Se considerarmos que cada cooperado tenha pelo menos três familiares, são 60 milhões de brasileiros ligados ao cooperativismo, o que representa 30% de toda a população do país. Ou seja, é um movimento social e economicamente importante e com uma segmentação na sociedade brasileira muito grande. Um setor com esse tamanho e importância não pode ficar sem representação política. Nós precisamos de políticas públicas que, pelo menos, não nos causem prejuízos. E você só consegue fazer isso com uma boa representação. Primeiro, criando uma organização setorial, organizando as demandas que precisam ser levadas aos órgãos competentes de governo, do legislativo, executivo e até do judiciário. É muito importante isso”, afirmou.

Lopes colocou ainda que um segundo fato importante para o setor é ter representação política. “Temos que ter parlamentares que conheçam o cooperativismo na base e que, no Congresso Nacional, possam nos ajudar a defender a pauta do cooperativismo ou até mesmo nos defender de setores extremamente comerciais ou com viés de capitalismo muito selvagem. Isso é fundamental e temos que cultivar esse processo, de manter um sistema organizacional forte, sólido, e um sistema de representação política, através das nossas Frentes Parlamentares Cooperativistas, que tenham capacidade de batalha por políticas públicas corretas para o cooperativismo e para o Brasil”, acrescentou.

Na avaliação do líder cooperativista, em 2021 inicia um novo ciclo, que proporcionará outras oportunidades para as cooperativas. “Eu não tenho dúvida de que o ano que vem será um período de pós-pandemia, com oportunidades muito grandes para continuarmos no processo de desenvolvimento. Não podemos esquecer que a humanidade está em transformação e não vamos nos iludir com o fato de que teremos uma volta para a antiga normalidade porque o que está acontecendo é uma transformação nos tecidos fundamentais da sociedade, de valores e princípios, com interesses sendo cambiados, com enfraquecimento de instituições, fortalecimento de indivíduos, onde se valoriza muito mais a economia participativa do que a economia pela economia. Então, eu vejo uma nova humanidade, com novos interesses e novas oportunidades para que possamos também ocupar esses espaços e acho que o cooperativismo tem tudo a ver com o que essas novas gerações estão demandando por aí. Eu acredito muito nisso e também que nós, sabendo nos organizar, trabalhar com integridade, inovação e sustentabilidade, vamos continuar crescendo no pós-pandemia”, disse.


Fonte: Sistema Ocepar


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