Saúde mental, liderança e cultura cooperativista ganharam destaque no CONARH 2022

Publicado em: 20 abril - 2022

Leia todas


Nos últimos dias 18, 19 e 20 de abril aconteceu a 48º edição do maior congresso de RH do país, o CONARH. Promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos, o evento marcou a volta de seu formato presencial levando milhares de pessoas ao espaço São Paulo Expo, na capital paulista, para antecipar as tendências e debater os rumos da gestão de pessoas.

Enfatizando o tema “Pessoas, Gestão e Negócios– É hora de acolher e ampliar horizontes”, o congresso reuniu especialistas em diversas questões do tema para trazer novas perspectivas aos participantes. Esse foi o caso da palestra “Saúde mental, normalizando o normal?”, que contou com a participação do psiquiatra Guilherme Messas e da diretora de Gente, Inovação e Sustentabilidade da VLI Logística, Rute Melo Araújo, com a mediação do médico, escritor, palestrante e diretor Comercial, de Produtos e Marketing da Seguros Unimed, Elias Leite.

Na ocasião, a atenção à saúde mental dos colaborares no ambiente corporativo foi colocada em destaque, onde os reflexos positivos dessa forma de gestão se tornam cada vez mais o caminho para o sucesso de empresas e organizações. Tópicos como burnout, salário emocional, gestão, produtividade e o impacto das alterações emocionais no dia a dia profissional foram trazidos para o bate-papo. Ainda, o papel da liderança foi ressaltado nesse contexto como importante agente de mudança no ambiente de trabalho.

Para trazer algumas dessas questões para o universo cooperativista, a MundoCoop, presente no CONARH 2022, conversou com exclusividade com o Dr. Elias Leite! E você pode conferir a seguir:

Qual a importância da liderança quando o assunto é saúde mental?

Na verdade, a liderança é importante em todos os assuntos dentro da empresa. Eu sempre digo que tudo começa com a liderança. E por quê? Porque para falar de saúde mental você precisa falar de algo mais amplo, a cultura.

A empresa precisa ter uma cultura voltada, entre outras coisas, ao cuidado com a saúde dos colaboradores. E dentro de saúde, existe a saúde mental. Não é possível ter uma cultura forte e bem difundida se a liderança não comprar a ideia.

Líderes excelentes levam a colaboradores excelentes, que levam a clientes satisfeitos, que levam a resultados. Tudo começa com a liderança. Então, a questão precisa partir da liderança.

O que é fundamental para a saúde mental e emocional das pessoas dentro da empresa? Confiança. Qual é uma forma interessante dessas pessoas terem confiança? Serem cuidadas. E o líder precisa cuidar das pessoas certas nos lugares certos para que elas possam ter confiança.

Com a liderança, conseguimos fortalecer a cultura e levar essa cultura para a empresa. Se a liderança não comprar essa ideia, é trabalho perdido.  

Qual o impacto da cultura cooperativista na promoção do bem-estar dos colaboradores?

O momento que nós estamos vivendo prova muito isso porque nós passamos por dois anos extremamente difíceis e o que as Unimeds, por exemplo, fizeram para os seus cooperados nesse período foi algo fantástico.

Quando a sociedade mais precisou, quando os cooperados mais precisaram, mais elas foram cooperativas. Muitas vezes, nós somos acusados de sermos mais empresa do que cooperativa e é justamente essa gestão responsável e com foco em resultados que te dá uma condição de ajudar seu cooperado quando ele precisa. Muitas Unimeds fizeram isso.

Atualmente, estamos falando muito de economia compartilhada. Porém, agora, nós precisamos falar mais de economia cooperativista. No mérito da economia compartilhada existe muita reclamação e muita gente se sentindo explorada. E é nisso que entra a cooperativa. Na economia cooperativista você não tem esses problemas, eles são amenizados.

Falamos do cooperativismo desde o século 19, mas o modelo está mais atual do que nunca por causa do momento que estamos vivendo.

Para as cooperativas que estão começando a trabalhar a questão da saúde mental. Como equilibrar o coletivo com a individualidade de cada colaborador?

Assim como em qualquer empresa, o líder precisa conhecer muito bem a sua equipe e essa relação de confiança criada precisa ser de via dupla. A comunicação aberta, o bate-papo aberto, o líder sair de dentro de sua sala e andar pela empresa e cooperativa, ouvir o que as pessoas têm a dizer é fundamental. E ouvir genuinamente. Muitas vezes falamos que queremos ouvir a opinião do outro, mas, na verdade, queremos ouvir a nossa opinião dita pelo outro. É preciso ouvir opiniões e a melhor opinião não é só a do líder, é a de quem seja!

A liderança humanizada, sempre com o foco em resultados, porque não dá para perder esse foco, é fundamental. O convívio, o contato, o cuidado e a conversa entre as pessoas é indispensável para qualquer empresa e qualquer cooperativa.


Por Fernanda Ricardi – Redação MundoCoop


Notícias Relacionadas



Publicidade