SESCOOP/PA e Unimed Belém iniciam projeto de saneamento no Marajó

Publicado em: 27 outubro - 2020

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A instalação de banheiros secos ecológicos é primeira fase do sistema alternativo de saneamento que está sendo desenvolvido, em parceria, pelo Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo do Estado do Pará (SESCOOP/PA) com a Unimed Belém, em Palheta – na região de Muaná, na Ilha do Marajó (PR) – localidade que recebeu, recentemente, uma visita técnica das instituições.

Na oportunidade, foi feito um levantamento sobre as potencialidades econômicas e produtivas da comunidade, com o objetivo de criar cooperativas agropecuárias, de trabalho, de produção de bens e serviços. Na verdade, a iniciativa é reflexo da campanha de voluntariado cooperativista, no contexto do “Dia de Cooperar” que, neste ano, deu destaque à assistência de comunidades e cooperativas em situação de vulnerabilidade.

Consciente de que o projeto de saneamento atende a sete dos 17 Objetivos de Desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), o SESCOOP/PA decidiu estruturá-lo e apresenta-lo à Unimed Belém, que já presta trabalho assistencial às comunidades ribeirinhas há mais de uma década.

Com baixo índice de desenvolvimento humano (IDH), a comunidade de Palheta consiste em 38 famílias, das quais apenas oito possuem banheiros de alvenaria. As demais utilizam fossas diretamente no solo, provocando a contaminação do meio ambiente. A gravidade dessa situação é destacada pelo coordenador de responsabilidade social da Unimed Belém, Eduardo Abrahão.

“A contaminação da água é um dos graves problemas na Amazônia pois não só afeta o meio ambiente, mas prejudica a saúde dessas comunidades ribeirinhas. Daí a necessidade de implantar sistemas de tratamento de dejetos, como investimento na saúde das pessoas”, explica. Com a sua aplicação, essa tecnologia de baixo investimento, acrescenta Abrahão, além de preservar o solo, permite o aproveitamento de insumos como fertilizantes naturais.

Sistema integrado – Trata-se de um sistema integrado de uso e tratamento de resíduos humanos (fezes, urina e papel higiênico) sem consumo de água e que funcionará por meio de uma câmara isolada e impermeável, em que se misturarão os resíduos com serragem, promovendo a compostagem seca e a reintegração do excedente (em forma de composto) ao ambiente.
Caberá ao SESCOOP/PA organizar a produção, com o objetivo de fomentar a verticalização produtiva na própria região, resultando, mais à frente, na formação de uma cooperativa ou a participação de alguma já existente. “Muito além da implantação dos banheiros ecológicos, queremos criar alternativas viáveis de sustentabilidade social, econômica e ambiental para essas comunidades do Marajó. A Comunidade do Palheta será o nosso piloto e já excelentes perspectivas”, adianta Júnior Serra, superintendente do SESCOOP/PA.

Segundo ele, a visita à localidade ribeirinha paraense revelou a existência de uma localidade rica em história, gastronomia, bem como potencial para implantação de cooperativas para produção e comercialização de aves, suínos, laticínios, hortifrútis, cultivo do açaí, assim como atividades extrativistas e de turismo ecológico.

“Ficamos encantados com a comunidade e seu modo de vida simples, sustentável e acolhedor que demos início ao processo de esclarecimento sobre como é o como atua um negócio cooperativista”, informou Serra, ao acrescentar que estão previstas ações de atendimento de saúde – em parceria inédita com a Sociedade Bíblica Brasileira, sem contar a revitalização da comunidade, por meio de pintura das casas.
Ao mesmo tempo, a parceria igualmente prevê a intercooperação com outras cooperativas agropecuárias, como a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (CAMTA), cuja produção seria adquirida pela Unimed Belém para abastecer suas unidades de atendimento hospitalar. A medida é o primeiro passo para a inserção do selo de responsabilidade da Unimed a esses produtos, além de estimular cooperados e funcionários a também comprarem os produtos.

“Além das unidades que já temos, estamos construindo um novo hospital que vai demandar grande quantidade de frangos, ovos, entre outros produtos. Por isso é tão importante desenvolvermos a atividade agrícola das comunidades ribeirinhas mais próximas”, previu o presidente da Unimed Belém, Wilson Niwa.


Por Redação MundoCoop


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